Bernardo Thomson
Chegamos em casa em silêncio. A viagem da casa de Paulo até aqui, foi toda assim. Fecho a porta e subo as escadas. Ela vai para a cozinha.
Será que eu passei dos limites?
Ter mantido ela com a venda, não foi para ressuscitar seus traumas. Foi para ela se lembrar, o quanto foi ruim viver com Dominique.
Eu não admito que ela sinta saudade daquele energúmeno...
Daquele parasita que se alimenta da fragilidade de suas submissas para sustentar a sua masculinidade.
Eu fiz tudo direitinho. Pelo menos achei que estava fazendo. Escolhi as vendas com pano claro. Tentei ser o mais carinhoso possível. No patamar de um ogro eu fui bastante, quando cuidei dela o dia todo. Ela odeia esses cuidados e muitas vezes, percebi ela afetada.
Na verdade ela não odeia... ela só aprendeu que odiando, ela nunca se tornará dependente do carinho de alguém. Acha que agindo desta forma, se mantendo distante estará protegida.
Eu posso confessar que nem foi sacrifício cuidar dela o dia todo. Eu amo tocar naquele corpo.
Vou direto para jacuzzi e começo a encher a banheira. Preciso relaxar... E ela precisa disso, se não amanhã estará dolorida. Afinal eu caprichei no chicote e no cinto.
E tudo por causa daquele FDP!
Eu ainda não engoli a história de que ela se distraiu, e toda vez que lembro da cena sinto minha cabeça esquentar.
Ele tem um poder sobre ela que eu não tive... Ela simplesmente se esqueceu da minha existência no restaurante. Isso não deveria mexer tanto comigo, mas mexeu.
Saber que eles tem uma história tão ou mais intensa que a nossa, me irrita profundamente.
Bom, essa será a última vez que ele fará algo parecido. Não darei mais margem para isso, e deixarei isso bem claro para Camila.
Começo a tirar a minha camisa e a descalçar os sapatos. Desafivelo o cinto e tiro a calça e a cueca, quando vejo ela caminhando pelo corredor. Ela me vê e vem em minha direção.
Eu não falo nada, apenas abro o fecho de seu vestido e entro na jacuzzi.
Ela entra em seguida, geme quando submerge na água quentinha, provavelmente as marcas estão doloridas.
-Tudo bem?
-Sim mestre, amanhã estarei nova em folha…
-Vem aqui…
Ela vem até mim e a sento no meu colo, deixando ela relaxar ali.
-Mestre…
-Hum…
-Você ainda está chateado comigo?
Eu suspiro... Eu estou chateado, mas não é com ela. Ela não tem culpa de eu ser um controlador de merda. Ela não pode escolher ter mais intimidade comigo do que com Dominique. Mesmo porque isso acontece por vários motivos.
Eu tô chateado de descobrir que eu e ela não temos a mesma ligação que ela e Dominique tem.
Eu só não entendi porque eu estou tão incomodado com isso.
Porque ela me desrespeitou? Bom já aconteceu outras vezes com outras submissas, e nunca fiquei tão puto.
Arthur disse que é ciúmes, só se for porque eu a considero minha e de mais ninguém. Pois ciúmes por sentimentos, não é.
Eu sou um cara possessivo, todo mundo sabe. Minha briga toda com meu irmão, sempre foi porque eu queria a atenção do meu pai só pra mim. Via ele como um empecilho para a minha felicidade. Mas isso eu nunca vou confessar, se caso alguém me perguntar.
Eu me conheço bem, e sei os meus limites. Mas ninguém precisa saber deles.
Porém eu nunca tive ciúmes de nenhuma submissa, pois eu sempre as encarei como uma propriedade.
Eu sou possessivo... Com coisas e pessoas, mais possessividade e ciúmes são coisas bem diferentes. Tem gente que põe na mesma balança. Eu não…
A possessividade não está ligada ao amor. Basta você possuir algo para estimular ela.
Já o ciúmes? É insegurança, medo de perder... A gente só tem medo de perder aquilo que amamos. Eu não amo Camila.
Eu estou envolvido com ela. Isso é fato! E é comum rolar paixão. Moramos juntos... Mas depois passa, como tudo na vida...
-Não, já foi castigada. Entendeu onde errou e não deve cometer o mesmo erro novamente.
-Sim mestre!
-Eu não estou falando da boca pra fora, Camila. Eu não vou admitir que isto volte a acontecer. Quando estivermos juntos em público, sua atenção deve estar toda voltada para mim.
-Sim mestre! Não farei novamente.
-Assim espero.
Ela se vira para mim e me dá um beijo tímido nos lábios. Um grande avanço. No começo ela tinha uma certa relutância em me beijar.
Agora, ela toma a iniciativa.
-Está dolorida aqui? - eu esfrego meus dedos em seu clitóris.
-Não mestre, estou pronta para te receber.
-Então vem cá. Quero reivindicar minha posse.
Seguro suas pernas fazendo com que ela abrace minha cintura. Continuo estimulando com meu dedo e beijando a sua boca gostosa.
Substituo meu dedo pelo meu pau e vou entrando devagarinho.
Sua boceta me abraça, como sempre faz e eu me sinto como se tivesse chegado em casa.
-Porra! Que foda é essa caverna… -Murmuro em seus lábios...- e é minha... Só minha…
-Só sua mestre…
-Aquele parasita fazia gostoso assim passarinho?!?Vejo confusão passando em seus olhos anuviados de desejo. Ela demora a entender, e quando entende solta uma gargalhada.-O quê falei de tão engraçado?
-O senhor o chamou de parasita…
-Mas ele é um parasita! Ele se alimenta das inseguranças de suas submissas.
Ela sorri...
-Nunca um apelido coube tão bem a uma pessoa, mestre!
-Me responde passarinho. Era gostoso assim?
-Não mestre... Nunca antes foi tão gostoso assim…
Eu mordo seu ombro e a olho novamente.
-Nunca?!
-Nunca…
-Então cavalga no seu mestre!!! Me mostre o quanto você gosta de cavalgar passarinho…
Ela cavalga divinamente. Mordendo os lábios e quicando no meu pau. Às vezes rebolando, tirando de mim gemidos que normalmente não seriam retirados. Eu gosto de uma foda agressiva. É a hora que eu mais sinto prazer. Mas com Camila, tudo é gostoso. Até essas fodas que ela faz do jeitinho dela e no tempo dela.
Hoje eu não sinto necessidade de tomar o controle para mim... Eu quero ver ela se divertindo no meu pau. E ela se diverte.
Depois de um tempo ela também sente necessidade de aumentar a velocidade e começa a quicar de verdade com aqueles peitos balançando e a água da jacuzzi indo para todos os lados.
-Isso passarinho... Goza pra mim... Goza para seu dono…
-Sim mestre! Simmmmmm…
Ela goza gemendo alto e seu corpo perdendo totalmente o controle. Se não a seguro ela cai.
Eu não vou voltar a dormir... Me levanto junto com ela e vou para o banheiro.
-Mestre…
-Vamos tomar banho juntos... Eu também estou precisando de um banho.
Falo sem olhar para ela. A minha culpa só aumenta. Claro que brincar com um gatilho tão profundo ocasionaria isso. Ela não se importa muito com vendas, mas eu extrapolei... Deixei muito tempo!
Você é um moleque Bernardo!
Afinal, você agiu da mesma forma que Dominique agiu com ela.
Balanço a cabeça para tirar esses pensamentos e entro dentro do boxe chamando ela.
A única forma de diminuir minha culpa é dando a ela o que quase nunca dou a ninguém. A minha atenção e o meu carinho. Nem que seja a força, como estou fazendo agora... Entrando no chuveiro com ela a força. Ficamos ali por um tempo, abraçados e ela com a cabeça no meu peito.
-Quando era pequeno, minha mãe dizia que se eu tivesse um sonho ruim durante a noite. Eu tinha que contar para ela assim que eu acordasse, porque aí significaria que expulsamos o "mau" e ele não voltava a acontecer. Você já tentou?
Ela suspira...
-Bom, eu não gosto de compartilhar muito minhas lembranças da vida dark que eu tive... Então não.
-Nem com sua terapeuta?
-Nem com ela. .. Eu nunca me aprofundei nos detalhes, com meus traumas.
-Que tal você tentar? Se não adiantar, mal não vai fazer.
-Um médico acreditando em crendices?
-Muitas dessas crendices, tem um porquê de acontecer. Meus pesadelos nunca voltavam. E eu sou a prova viva disso.
-Seus pesadelos não eram lembranças, mestre.
-O quê custa tentar?
Ela fica em silêncio por um tempo e diz:
-Eles sempre começam quando eu tinha sete anos. Minha mãe me deixava dormir sozinha, porque dizia que eu era uma mocinha, e mocinhas não eram pirracentas e nem tinham medo do escuro e do bicho papão. No meu caso o bicho papão era meu padrasto, mas naquela idade eu não sabia fazer essa diferenciação. Ela, por causa dos meus protestos, acendia um abajur na minha cabeceira. No meio da noite, meu padrasto vinha me visitar. Minha mãe tomava remédio para dormir, então ela tinha sono pesado. Sempre que ele vinha ele apagava o meu abajur e me fazia carinho. Conforme o sonho vai se desenrolando, os carinhos vão ficando ousados. Na maioria das vezes eu acordo antes que chegue no estágio que se torna o meu terror.
Eu suspiro de raiva e a aperto mais em meus braços.
-Camila, ele abusava de você desde os sete anos?
-Começou aos sete... Teve seu auge aos doze e aos quinze eu me rebelei, denunciei ele e minha mãe. Não aconteceu nada, então eu fugi…
Eu a aperto mais ainda em meus braços.
Como eu queria tirar isso de dentro dela.
-Sinto muito Camila. O que eu podia fazer para te vingar eu fiz. Mas a minha vontade era matar ele novamente…
-Não mestre. Conseguiu por ele atrás das grades sem eu precisar me expor. E lá ele teve o fim que merecia.Nunca conseguirei te agradecer da forma que o senhor merece. Pelo menos machucar nenhuma menina, ele não irá mais. Sabe o que eu queria e que desejei muitas vezes?
-O quê passarinho.
-Eu queria perder a memória. Esquecer de toda minha infância. Acho que só assim eu me tornaria uma pessoa normal.
Eu a apertei mais ainda em meus braços.
Desligo a água e a beijo com ternura.
-E eu queria arrancar todas essas lembranças de você... É o que mais desejo agora…
Ela sorri e volta com a cabeça para o meu peito.
Ficamos mais um tempo assim, até nos sentirmos preparados para nos afastar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Redenção do Ogro
A história desse livro é muito massa e uma Pena que está postado a história toda...