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A Redenção do Ogro romance Capítulo 71

Bernardo Thompson.

Chegamos na minha casa e vou logo falando.

-Melissa vá para a masmorra, tome uma ducha e me espere do jeito que eu gosto que os meus bichinhos esperem.

Vou até o bar da sala e escuto quando ela diz:

-Sim mestre!

-Como é a forma que eu gosto que os meus bichinhos esperem?

-Dê quatro no chão, de frente para a cama.

-Isso mesmo... Pode ir…

Eu suspiro… preciso distrair minha mente. E já bebi demais hoje, e não adiantou de porra nenhuma.

Vou precisar de algo forte. Nada como uma sessão de jogo, bem carregada. Para anestesiar a minha mente e conseguir ter uma boa noite de sono. Estou com os meus nervos à flor da pele, tudo porque eu passei a noite toda fingindo que não estava nem aí, para que ninguém percebesse que na verdade, eu estava morto de ciúmes da Camila. É... Ciúmes...

Meu lado possessivo foi ativado quando eu a vi com Daniel.

Eu só queria saber quando meus sentimentos por ela iriam diminuir e eu conseguiria ter uma vida normal, sem olhar para ela e achar que ainda era minha.

Porque ela não era, isso estava bem claro pra mim.

Só em pensar que ainda tem o casamento de Paulo. Caralho! Será o mesmo inferno que foi hoje. Ficar o tempo todo por perto, respirar seu perfume, ter uma parte de seu corpo grudada em mim. Porra! Eu não vou conseguir.

A minha esperança é que ainda tenho um mês. As coisas podem melhorar até lá. Não é?

Como eu posso me afetar tanto com o cheiro, toque e gosto de uma pessoa? Eu não consigo tocar na Camila sem sentir o meu pau animado.

Que inferno!

Porque eu cismei com essa garota?

Tudo que ela tem as outras tem...Melissa é até mais obediente que ela. Além disso, é inteligente, gosta de conversar, e sabe me satisfazer.

Nunca reclamou de nenhum jogo.

Tá certo, as vezes ela é meio escandalosa e chorona. Mais faz parte! Isso nunca me incomodou.

E porque o caralho da minha cabeça, não tira a Camila de lá?

Tomo uma dose de uma vez do whisky e fecho meus olhos.

Um beijo não devia mexer tanto com meu líbido. Tudo foi perfeito! A textura, seus lábios encostados ao meu, o gosto de sua boca, o cheiro.

Tudo me excita na Camila, até o cheiro do seu suor.

Eu não posso continuar com isso.

Eu preciso de espaço.

Willian falou que terá que voltar à Suíça daqui a quinze dias, eu podia ir no lugar dele. É só por uma semana.

Penso mais um pouco… Sem condições, lá está muito frio.

Ou eu podia fazer uma viagem por aqui mesmo. Quem sabe ir à Bahia por uma semana?

É um tempo que eu ficaria sem notícias da Camila. Sem correr o risco de ficar mandando mensagem para o japonês, perguntando dela.

Eu posso também combinar com o japonês e trocar de madrinha.

A ideia que eu tive na igreja foi ótima! Eu poderia fazer isso.

Olho para o relógio e vejo que já deu tempo da Melissa fazer tudo que eu pedi. Me encaminho para a masmorra e quando entro já vou ligando o ar condicionado e pondo um rock pauleira no som. É esse o meu estado de espírito hoje. Ela está na posição em que pedi que ficasse.

Não disse que ela é obediente?

Então porque eu não fico feliz com a minha escolha?

É tão mais fácil! Ela quer estar comigo.

Camila não. Apesar de ainda me desejar, ela abriu mão de nosso contrato. Ela não me quer mais.

Vou em direção a Cruz de Santo André e digo.

-Venha até mim de quatro. -Ela vem como uma perfeita submissa. -Levante e fique de frente para a Cruz.

Eu começo a atar seus pés e mãos nela, deixando ela com a bunda para minha frente bem arrebitada.

A toco na boceta e já vejo ela escorregadia.

Melissa tem um corpo malhado e a bunda é apetitosa. Quando está toda marcada então, fica melhor ainda.

-Seu boquete não foi do jeito que eu gostaria, Melissa. Achei que você estava ansiosa demais.

Claro que estava. Fiz ela me chupar atrás de uma moita. Com seguranças, garçons passando de tempos em tempos, além de convidados procurando privacidade. Não tinha como ela não ficar ansiosa! Mas como preciso de um motivo para um jogo punk hoje. Vou usar isso ao meu favor!

-Desculpe, mestre.

-Eu me enganei?

-Não mestre, estava com medo…

-Hummm... E quem te deu permissão para sentir medo, Melissa?

-Ninguém mestre.

-Pois é... Então quando seu mestre fica insatisfeito, o que acontece?

-Eu sou castigada.

-Exatamente.

Vou até o meu armário e pego uma palmatória de madeira. Ela vai deixar aquela bunda do jeito que eu quero: roxa.

Alguém, provavelmente, não vai se sentar amanhã.

-Você receberá vinte palmadas nessa bunda branca. Espero que conte todas elas. Ahhh, e você não tem permissão de gozar.

-Sim mestre! -ela fala sussurrando.

Não disse que é masoquista?

Pelo contrário, só em pensar naquele beijo eu fico duro.

Que inferno!

Maldita hora que eu fui beijar aquela boca! Maldita hora!

*************

Camila Coelho

Acordo com falta de ar, não consigo respirar. Sinto uma dor profunda que parece que vai me rasgar de dentro para fora. Minha cabeça dói, meus músculos também doem. Estou encharcada de suor. É sempre assim quando tenho pesadelos. Pesadelos que não lembro direito, em que vejo tudo embaçado e que só escuto a voz dele me pedindo para não ir embora.

Não vá embora!

Não vá embora!

Não vá embora!

Me desespero e grito:

-Eu precisava ir...

Me sento na cama e começo a contar me guiando pelo relógio em cima da minha cabeceira: 1, 2, 3, 4, 5…

Até que meu controle vai voltando aos poucos e minha respiração vai voltando ao normal. Mas a minha cabeça não para de doer e a dor que me dilacera por dentro continua. Meu peito arde e a quentura só vai aumentando. Antes que eu tenha mais uma crise, eu preciso reagir.

Vou até o banheiro e ligo o chuveiro na água fria. Entro embaixo e deixo aqueles pingos grossos caírem nas minhas costas até diminuir a quentura que sinto por dentro.

Parece que meu corpo vai entrar em combustão de dentro para fora. Depois de ficar muito tempo debaixo da água fria resolvo sair...

Pego a toalha e me seco, não há mais lágrimas para sair. Todas elas ficaram embaixo da água fria.

Visto o roupão e entro no meu closet para procurar uma camisola nova. Acabo olhando para a caixinha de madeira. Aquela que guarda os meus pecados. A quem eu recorro sempre que a dor fica insuportável.

Ninguém vai saber…

É só mais uma vez…

Minha cabeça está pesada... Só há um jeito de diminuir essa dor que corta por dentro... Só um jeito.

Pego a primeira camiseta que vejo na frente e ponho no meu corpo. Seco bem o cabelo e enrolo ele na toalha.

Olho mais uma vez para a caixa.

Ninguém vai saber. Ninguém…

Me sento no chão do closet e pego a caixa em minhas mãos. Tiro a tampa devagar e olho para eles.

Meus cilícios. Prendo em minha perna e pressiono… só em sentir o incômodo costumeiro, eu já consigo sentir o alívio na minha mente e a pressão da cabeça diminui consideravelmente.

Eu não posso ter outro ataque de pânico . Eu não posso…

Porque eu fui permitir aquele beijo?

Eu não devia ter deixado ele me beijar…

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