Entrar Via

A Redenção do Ogro romance Capítulo 81

Bernardo Thomson

Estamos todos reunidos na mesa de jantar imensa da minha mãe. Só não estão aqui as crianças. Parece que Kate segue a educação rígida dos ingleses.

Até agora não houve constrangimentos . Os gêmeos, depois de se enturmar um pouco, me perguntaram porque eu estava com a cara arrebentada, mas Willian disse a eles que eu caí com a cara no chão.

Crianças ingênuas... Muito ingênuas... Kate também se esforçou em ser simpática, acho que com o tempo nós seremos bons amigos.

Meu pai apenas me cumprimentou e só trocou algumas palavras comigo. O Willian até tentou me pôr em algumas conversas. Mas como disse, não faço questão. Só conversamos de verdade quando ele perguntou sobre o projeto. Mas eu vi que ele tinha mais interesse em ouvir a parte do William do que a minha parte que me cabe.

Nenhuma novidade.

Então eu estou esperando ansiosamente a hora em que ele vai tocar no assunto da briga.

-Como está o nariz Bernardo?

Eu disse, não disse? Ainda bem que o almoço já está terminado porque eu sinto que ia causar indigestão em todos.

Minha mãe me olha com simpatia, como se com os olhos:" Até que ele demorou, não foi meu filho?"

Eu admiro minha mãe.Meu pai tentou fazer de mim e do Willian uma cópia. Eu não sei como ela aguenta viver com ele 24 horas. Por isso que eu sempre achei que eu não era uma companhia agradável. Porque eu sempre vi minha mãe se esforçando para aceitar o meu pai do jeito que ele é.

Na boa... Não desejo isso para ninguém!

-Está bem meu pai. Como um nariz quebrado. -falo procurando retornar meu equilíbrio.

Ele ri sarcástico.

-A cada dia que passa eu tenho mais certeza de que você acha que ainda tem treze anos. Como pode não ter amadurecido nenhum pouco?

Eu rio e enfio um pedaço de frango na boca. Mastigo calmamente e falo.

-É um talento que tenho. O que posso fazer?

-Você tem vários, meu filho. -diz minha mãe puxando meu saco.

-Eu tenho que concordar mãe. Às vezes eu queria ver a vida com essa leveza que o Bernardo vê. -William fala e eu o observo. Tá se sentindo pressionado irmão?!? Vai piorar.

Você não viu nada ainda…

Eu disse que era uma péssima ideia mudar para o Brasil.

-Não fale besteira Willian. Seu irmão não tem responsabilidade nenhuma na vida. Imagina... Brigar por causa de uma submissa? Correndo o risco de causar um escândalo... Por uma submissa... Se fosse algum motivo mais nobre.

Eu respiro fundo. Ele não vai me tirar do sério... Não vai. Enfio mais uma colher na boca e me mantenho mastigando até a comida virar uma massa e eu não conseguir mais ficar com ela na boca. Imediatamente encho a boca de novo.

Boca cheia não dá pra falar... Não é assim?

-Acho que devemos brigar sim quando a coisa vale a pena. -fala o Willian.

Então eu acabo ficando interessado na conversa. Não vá por esse lado Willian…

-E você acha que brigar por causa de uma submissa é algo que valha a pena?

Ele fala surpreso.

-Nossa mãe é uma submissa pai, e você brigaria por ela... Não brigaria?

-Sua mãe antes de ser uma submissa é minha companheira de vida. Então ela merece respeito!

-Mas eu não sou melhor do que Camila, querido! Então eu concordo com o William. Todos merecem ter alguém que lute por eles. -Ela fala muito feliz por ter mais uma pessoa dentro de casa para enfrentar o meu pai. E eu continuo observando.

Na verdade eu não briguei por Camila. Eu só revidei os socos que eu ganhei, quem começou tudo foi o Daniel, e o meu pai sabe disso. Mas isso não importa para meu pai, e na verdade nem pra mim por motivos diferentes, claro.

Porque se fosse pra defender a honra da Camila eu faria o mesmo que Daniel fez.

-A menina é graciosa. Concordo! Mas ela estava com outro. O que seu filho tinha que se meter numa briga por causa dela? Um homem de verdade a ignoraria e partiria para outra. Se não quer, tem quem queira. Mas é pedir demais isso do Bernardo.

Tá bom... Queria ver ele ignorar a D. Irene. É fácil dizer quando não se está na pele. Eu posso não concordar com a maioria das coisas que meu pai fala, mas duvidar dos sentimentos dele pela minha mãe, eu nunca duvidei. O que me leva a crer que ele acha que eu estou me sentindo ofendido por Camila está com o outro.

-Meu filho, vamos conversar outra hora.

-Mãe, se você se sente desconfortável em ouvir isso, pode sair. Mas agora que comecei eu vou terminar.

Isso mano! Não desiste!

Dona Irene se senta novamente e olha preocupada para meu pai. Eu também estou... Ele está vermelho igual um pimentão.

Seguro a sua mão e aperto chamando a atenção dela para mim e dando meu apoio. Provavelmente D. Irene já sabia dos gostos do Willian. Ela só era discreta em não comentar nada.

-Então pai, o seu desejo de me tornar um dominador não se concretizou e eu estou me sentindo muito aliviado em acabar com esses segredos. Porque eu fui embora por causa disso. E você não sabe como eu me arrependo, pois se eu tivesse enfrentado a verdade, talvez você não teria posto tanta pressão em cima do Bernardo. Jogando na cara dele, que eu era o filho perfeito. Pai, eu não sou o filho perfeito! Nunca fui! Eu te dei tudo que você queria... Agora eu só estou te pedindo uma coisa. Nunca mais trate um submisso como se eles existissem apenas para te agradar. Você me ensinou que o BDSM é uma troca. Não há lugar para preconceitos. Então não tenha eles. Me respeite! Pois foi a única coisa que fiz por mim mesmo.

-Então... -Ele pisca e fica mais vermelho- Kate é uma Domme?

-Não sogro...Não sou... Mas pretendo me tornar uma para agradar meu marido. Personalidade para isso eu já tenho. -ela fala sorrindo.

Porra! Isso aqui está parecendo aquele programa "casos de família". Eu não consigo parar de rir... Minha mãe me olha com cara feia. Mas sei lá porque tô rindo... Acho que estou nervoso... Porque meu pai não para de ficar vermelho.

Mas o pânico toma conta de mim quando vejo ele afrouxando a gola da camisa e caindo no chão desmaiado.

-Merda!

Falo me levantando e indo conferir sua respiração.

-Tem pulso. -falo para o Willian.

-Vou pegar minha maleta. -Willian fala subindo as escadas em disparada.

-Max... Amor...fala comigo. -Dona Irene fala batendo no rosto dele pra ver se ele acorda.

É…

O velho não aguentou!

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Redenção do Ogro