Bernardo Thomson
-É aí? Causei problemas para meu pai? - Willian diz chorando.
Estamos no hospital, mais precisamente no andar de cardiologia. Meu pai foi trazido pra cá, às pressas no meu carro. Achamos melhor, já que ele desmaiou e sua pressão estava muito alta, mas não deu nenhum pio no caminho e nem quando chegamos aqui.
Toda vez que lembro da cena me dá vontade de rir de novo, mas o Willian é sensível, não vou fazer isso neste momento. Ele está muito nervoso!
-Relaxa... É necessário muito mais pra matar aquele velho ranzinza. Só foi um pico de pressão. -Falo para ele.
-Isso mesmo Willian, só um pico de pressão. Ela aumentou muito rápido, mas foi bom vocês terem trago ele logo para cá. Tiramos todas as dúvidas e fizemos um bom check-up. -Arthur fala para ele.
Arthur já estava aqui esperando por nós, junto com Tio Armando.
-Posso ir ficar com ele, meu filho? -minha mãe fala aflita.
-Claro, tia... A enfermeira vai te levar. - sai acompanhando a enfermeira.
-Agora vocês me contem o que aconteceu! Porque eu tô achando muito estranho, Max ter um pico de pressão. Ele tem uma saúde de ferro! -Fala tio Armando para nós dois.
Willian põe a mão na cintura e diz:
-Contei pra ele que não sou um dominador.
- E ele passou mal por causa disso? Mas ele sabia que sua esposa não faz parte desse mundo, meu filho. Qual a novidade?
Ele se senta e abaixa a cabeça. Está na hora de eu dar uma ajudinha pra ele. Não deve ser fácil lidar com os velhos , contando essa novidade. Principalmente o tio Armando, que foi o que nos treinou neste mundo.
-A novidade é que ele contou para ele que gosta de ser dominado por mulheres, titio.
Pra mim isso não é estranho! É muito normal... E eu sei que o tio Armando também achará normal.
-Merda! -diz meu tio com os olhos arregalados. -Mas como... Como ... Você conseguiu esconder isso?
Tá certo... Ele ficou surpreso. Quem não ficaria?
-Eu fui morar fora... então... Ficou fácil esconder isso…
Ele fala ainda de cabeça baixa.
-O ápice foi a Kate dizendo que ia treinar para ser Domme dele.
Aí não consigo mais me segurar, caio na gargalhada de novo. Pqp! Eu não consigo me controlar.
-Bernardo!
Arthur chama a minha atenção.
-Deixa ele... Ele está se vingando depois de vinte anos. Eu aguento!
-fala Willian com um tom sarcástico.
-Seu pai quase morreu Bernardo. Que comportamento feio... -tio Armando fala, se sentando na cadeira do corredor e baixando a cabeça.
O que? Ele está chorando e passando mal?
Que merda!
Eu achei que ele não ia se importar com isso.
Me abaixo na frente dele.
-Tio…
Ele explode numa gargalhada e eu não me aguento mais, sento ao lado dele e rimos juntos.
-Gravou um vídeo? -Ele me perguntou.
-Não deu tio, William não me avisou que ia fazer isso.
-Pai... Eu não acredito! -Arthur fala injuriado.
Willian resmungou um palavrão e revirou os olhos.
-O quê? Já ouviu dizer que Deus escreve certo por linhas tortas??? A vida do Max se resume a isso... Um submisso! Quem imaginaria!
-Pai ele passou mal... -Arthur continua.
- Papai já teve pico de pressão. Inclusive tive um quando você resolveu ter uma crise no dia do seu casamento.
-Crise que eu controlei... Diga-se de passagem. -Falo para eles.
-Vocês nunca vão deixar eu esquecer isso né? -Arthur pergunta.
-Não... -Eu e tio Armando falamos juntos.
-Podem sair do meu andar. Eu vou ficar com a tia Irene. Não se preocupe Willian, amanhã de manhã ele receberá alta. Eu acho melhor você não ir ver ele hoje, ok?
Claro que não!
-Ok! -Ele vira as costas e sai...Willian continua de cabeça baixa, e eu paro de rir. Ele deve está se sentindo muito culpado.-Acha melhor eu ir para um hotel?
-Acho ... Você pode ficar lá em casa enquanto sua casa não fica pronta. Eu vou viajar.
Os dois olham para a minha cara.
Desde ontem essa ideia não sai da minha cabeça. Eu preciso de um tempo para deixar a poeira baixar. Se ficar aqui eu vou acabar procurando Camila. E Paulo tem razão quando diz que devo deixar ela em paz. Então para não piorar as coisas é melhor eu fazer isso.
Uma viagem de quinze dias ou um pouco mais, o que eu precisar.Num lugar quente, para esvaziar a minha mente com muita cerveja gelada, praia e sol. Seria interessante!
E também tinha Melissa, eu precisava pedir sua coleira. Não tinha condições de continuar com ela depois do que aconteceu no casamento. Mandar ela embora para casa, só foi uma forma de tapar o sol com a peneira. Ela precisava desse tempo longe de mim para também por a cabeça em ordem e depois decidir se gostaria de continuar como minha secretária. Por mim não tinha problema nenhum, nessa altura da minha vida, eu sabia bem separar as coisas.
-Viajar para onde? -Pergunta tio Armando.
-É só uma ideia, tio, ainda tenho férias acumuladas. Estou pensando em ir para o nordeste, pegar um pouco de sol.
-Tem a ver com o que aconteceu com o casamento?
-Sim... Preciso pensar no que eu realmente quero para a minha vida. E como a ida para a Suíça foi boa, acho que vou fazer isso novamente.
-É a melhor escolha. -William diz concordando. -Mas não vou ficar na sua casa. Pedi para Kate procurar um hotel e amanhã nós mudamos. É só por uma semana, segundo a arquiteta, nossa casa fica pronta neste intervalo.
Tio Armando olha para ele e diz.
-Não há problema nenhum em ser submisso, Willian. Suas escolhas sexuais não interferem no seu intelecto e nem no seu caráter.
-Eu sei tio, mas eu sei também que pra vocês é uma decepção.
-É diferente..não chega a ser decepção. E depois de um tempo, seu pai também vai se acostumar com a nova idéia. Dá um tempo para ele, você foi contra todas as expectativas e isso choca um pouco. Mas o importante é que seu pai vai aprender muita coisa com isso, inclusive a não julgar os outros pelas opções que eles escolhem para suas vidas.
Tio Armando se levanta e entra no quarto em que meu pai está internado.
Porque eu venho me sentindo muito cansada. Sem ânimo e nem forças para sair da cama e ir trabalhar.
Eu estou bem pior. E dessa vez eu sei que não é a síndrome do pânico. É o meu coração.
- Você terá que trocar de médico.
-Não... -falo alto me levantando da cadeira e ficando de costas para ele.
Isso significa que eu precisarei de um cirurgião.
-Você precisa, criança. Ele vai discutir com você o melhor tratamento a seguir. Mas isso não significa que você vai operar, ele pode te dar outras opções. Você vai fazer exames mais detalhados e tudo vai ficar bem. E a operação também não é tão perigosa quanto era no passado. A medicina evoluiu consideravelmente, então não se assuste tanto assim.
-Se o catéter der certo eu não preciso operar?
-Não Camila... Por isso que eu digo que o que eu podia fazer por você, eu fiz... Agora precisa de uma ajuda especializada.
-Entendemos doutor! Você tem alguma indicação? -fala Fernanda por mim.
-Tenho algumas, tenho até um amigo que é especialista no assunto. Se você quiser eu posso marcar uma reunião com ele aqui. Você escuta o que ele tem a dizer e depois resolve.
Eu suspiro. Acho que está na hora de procurar o Arthur. Eu tenho certeza que ele pode me ajudar e provavelmente, é isso que está passando pela cabeça da Fernanda.
E é uma boa hora, segundo minhas fontes, Bernardo está viajando.
Tirou férias e foi para o nordeste, ninguém sabe em que cidade está. Acho estranho e ainda foi sozinho.
Ninguém consegue me confirmar isso, mas segundo Duda, parece que ele pediu a coleira a Melissa.
Como sempre digo: Bernardo é inconstante!
Quem sabe não está viajando para pôr as ideias no lugar depois do rompimento? Pode ser…
Então seria uma boa hora de contar para o Arthur. Existe o sigilo paciente/médico, eu poderia confiar nisso.
Mas o que eu vou fazer com a amizade dos dois se eu fizer isso com ele? Bernardo nunca perdoaria ele por esconder algo tão grave.
Será que ele vai demorar na viagem? Seria algo bem legal se demorasse, eu faria a operação e ele nem saberia que aconteceu algo.
São coisas que eu tenho que ponderar bem na minha cabeça. Então por enquanto, eu vou ficar com a opção do amigo do Dr. Sérgio. Ele não vai me indicar ninguém incompetente.
E é um tempo que eu tenho para pensar bem no próximo passo que eu posso dar.
-Eu aceito Doutor, a sua opção.- Ele sorri.
- Podemos marcar a reunião para a semana que vem.
-Mas já doutor?
-Camila não sei se você entendeu, mas com as arritmias acontecendo umas em cima da outra, você corre o risco de ter um AVC ou parada cardíaca a qualquer momento. Está na hora filha.
Eu suspiro.
-Pode marcar doutor, eu trago ela. Nem que seja amarrada... Mas eu trago. -Diz Fernanda brava.
Bom, parece que eu não tenho opção!
Ela anda uma pilha de nervos, principalmente porque tem visto as minhas crises de falta de ar.
Então eu concordo com a cabeça sorrindo. Porque se eu não concordar, ela vai me entregar para o Barreto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Redenção do Ogro
A história desse livro é muito massa e uma Pena que está postado a história toda...