Vânia parou de andar e olhou feio para ela.
— Você não tem um pingo de vergonha na cara?
Enquanto ela falava, Clarice já havia passado por ela e entrado diretamente.
Devido à pouca luz, a empregada não conseguiu ver direito quem era e a cumprimentou diretamente.
— Boa noite, senhorita.
Clarice abriu um sorriso.
— Boa noite, querida!
A empregada levantou os olhos; aquela voz não era da senhorita da casa.
Vânia, logo atrás, bateu o pé de tanta raiva.
— Vocês estão cegos? Segurem essa mulher!
Com o grito de Vânia, a empregada se apressou para tentar barrar Clarice.
Clarice esquivou-se de lado, com um olhar gélido.
— Saiam da frente. Desde quando empregados ousam levantar a mão para a dona da casa?
A voz de Clarice soou assustadoramente fria, e a aura intimidadora ao seu redor tornava impossível desobedecê-la.
Entre eles havia uma funcionária antiga da Família Adriel, que, ao erguer os olhos e ver o rosto de Clarice, estremeceu de pavor.
— S... Senhora.
Vânia esbravejou:
— Que senhora o quê! Joguem ela para fora daqui!
Clarice estreitou os olhos.
— Quero ver quem de vocês tem coragem de encostar um dedo em mim.
O alvoroço lá fora chamou a atenção de Wilson e Talita.
Vânia havia dito a eles que Erasmo a acompanharia até em casa; seria possível que os empregados, por falta de tato, tivessem ofendido o ilustre convidado?
Os dois se levantaram apressadamente e foram para o lado de fora.
Vânia colocou as mãos na cintura.
— Clarice, eu já disse que não há lugar para você nesta casa. Se você já foi embora, por que voltou?
Clarice não deu a mínima importância.
— Não é você quem decide se há lugar ou não, mas sim...
— Você é a Clarice?
As palavras de Clarice nem haviam terminado quando a voz de Wilson ecoou pelo ambiente.
O coração de Clarice deu um sobressalto; fazia tantos anos que ela não ouvia aquela voz.


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