Erasmo também usava roupas confortáveis de ficar em casa, e o perfume agradável do seu sabonete líquido se aproximou gradativamente.
O assento do sofá afundou, e Clarice deslizou um pouco para o lado, abrindo espaço para ele.
— Dê uma olhada nisso.
Clarice esticou o pescoço para ver. Na tela do celular aparecia, de forma escancarada, a cena de quatro acompanhantes masculinos a servindo.
E ela, a protagonista da foto, ria de orelha a orelha.
Com os dentes cravados na maçã vermelha, Clarice ficou completamente petrificada.
Seus olhos começaram a correr de um lado para o outro.
Estava perdida. Como iria justificar aquilo?
Clarice pigarreou disfarçadamente, deu uma mordida ruidosa na maçã e mastigou lentamente, tentando ganhar tempo.
Erasmo não parecia ter pressa. Encostou-se confortavelmente e ficou observando-a com uma paciência inabalável, aguardando uma explicação.
O som da maçã sendo engolida ecoou no silêncio. Ela havia mastigado umas cinquenta vezes, no mínimo.
— Eu errei. Não deveria ter usado esse método para fazer a Melissa coletar provas.
Erasmo continuou em silêncio, apenas a encarando.
— Eu não deveria ter contratado acompanhantes.
Erasmo ainda não disse uma palavra.
Derrotada, Clarice fechou os olhos com força e confessou em voz alta:
— Fui eu que quis ver homens bonitos! Abdômen trincado, linha em V... e no fim nem cheguei a ver nada, joguei meu dinheiro no lixo!
Assim que despejou as palavras, abaixou a cabeça.
Que viesse a bronca. Ela aguentaria firme.
No entanto, esperou por um longo tempo e as esperadas palavras ríspidas de Erasmo nunca vieram.
Em vez disso, seu queixo foi erguido. Duas mãos grandes e firmes seguraram seu rosto, levantando-o lentamente.
A primeira coisa que seus olhos capturaram, de baixo para cima, foi a famosa marca em V, seguida de um abdômen perfeitamente definido.
Depois, as belas clavículas e um pomo de Adão incrivelmente atraente.
A mente de Clarice deu um branco instantâneo, e ela engoliu em seco duas vezes sem perceber.
Erasmo curvou os lábios em um sorriso de canto.
— Conseguiu ver?
Clarice assentiu com a cabeça.
Clarice voltou à realidade e resmungou um murmúrio baixinho, empurrando aquela sensação estranha para o fundo da mente.
No dia seguinte.
O barulho insistente do telefone a arrancou do sono. Atendeu ainda meio desnorteada.
A voz aflita e suplicante de Fátima ecoou pelo alto-falante.
— Clarice, por favor, você pode vir ao hospital? O Orlando foi internado.
No quarto VIP do hospital.
— Clarice, o Orlando já reconheceu o erro e aprendeu a lição. Contanto que você não peça o divórcio, nós aceitaremos qualquer condição que impuser.
Fátima segurou as mãos da nora, quase implorando.
Clarice puxou as mãos de volta, as feições delicadas transbordando indiferença.
— Por que vocês não fazem uma proposta? Desde que o Orlando esteja disposto a assinar, farei o possível para atender.
Apenas com a conclusão do divórcio e do acordo patrimonial aqueles cinquenta por cento das ações do Grupo Carneiro poderiam passar legalmente para o nome dela.
Fátima passou um bom tempo tentando dissuadi-la, mas Clarice continuou irredutível. Sem alternativa, a mulher trocou um olhar significativo com Orlando e inventou uma desculpa para sair do quarto.
Orlando e Clarice ficaram a sós no ambiente.

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