Leandro Neves sorriu e, no exato momento em que ia retribuir o aperto de mão, Erasmo puxou Clarice pelo braço e a fez sentar-se no sofá ao lado.
— ...
Leandro arqueou uma sobrancelha. Tanta proteção assim... certamente havia algo rolando entre eles!
A sua relação com Erasmo era um tanto complexa: para o mundo exterior, eram inimigos ferrenhos; entre quatro paredes, eram amigos.
Ninguém além dos dois tinha conhecimento daquela aliança, mas, surpreendentemente, ele abrira uma exceção hoje e trouxera uma pessoa de fora.
Era evidente que Erasmo não tinha a intenção de manter segredos diante dela, especialmente considerando que se tratava de uma mulher.
Um estalo repentino cruzou a sua mente.
Espera aí... Clarice?
Ela acabou de dizer esse nome, não foi?
— Vamos direto aos negócios, não quero tomar muito do seu tempo.
Ao ouvir a menção a negócios, Leandro Neves deixou de lado, por ora, a vontade de entender melhor aquela história.
Ele virou-se e sentou-se de frente para os dois, cruzando as pernas e exibindo um sorriso excessivamente formal.
— Muito bem, não tomarei o tempo do Sr. Alves. Diga-me, você não viria até aqui à toa. O que você precisa de mim?
Sem rodeios, Erasmo explicou diretamente o motivo da visita. Leandro Neves voltou a focar os seus olhos em Clarice.
No íntimo, ele já havia chegado à conclusão: era ela mesma.
O sorriso em seus lábios ampliou-se ainda mais.
A aparência de Leandro e a de Erasmo eram ambas formidáveis, beirando a perfeição absoluta; a única diferença estava na aura que cada um transmitia.
Um exalava uma gentileza suave, enquanto o outro era profundo e reservado.
Um possuía um temperamento equilibrado e parecia sempre disposto a conversar; o outro era imprevisível, e em um piscar de olhos, poderia acabar com a sua vida.
— Embora a fama da Amanhecer Entretenimento no meio artístico não seja das maiores, isso não quer dizer que qualquer novata como a Srta. Adriel possa simplesmente firmar uma parceria conosco quando bem entender.
— Se não me apresentarem um argumento forte o suficiente para me convencer, nem mesmo a recomendação do Sr. Alves fará com que eu aceite.
Ao terminar a sua fala, Leandro Neves deitou um olhar calculista sobre Erasmo.
Erasmo não pronunciou uma única palavra. Ele apenas manteve-se recostado no encosto do sofá, exibindo uma postura elegante e uma expressão inabalável.
Assim que atendeu, a voz agitada de Evelise irrompeu pelo aparelho.
— Clarice, você vai voltar para a empresa? Quando você volta?
— Eu já limpei todo o seu escritório, e joguei fora todas as coisas daquela mulher!
Clarice franziu as sobrancelhas. Voltar para a empresa? Que tipo de armação Orlando estava preparando agora?
— Eu não disse que iria voltar para a empresa. Quem te contou isso?
— Hã? O Sr. Carneiro anunciou isso na reunião de hoje! — Evelise exclamou. — Ele disse que você já concordou em voltar, me pediu para te ligar e ainda falou que vai haver um banquete de boas-vindas hoje à noite. Ele até mandou eu ir te buscar.
Ao ouvir essas palavras, Clarice só conseguiu pensar que Orlando havia perdido completamente o juízo. Pelo visto, ele pretendia forçá-la a retornar a todo custo.
— Eu nunca sequer mencionei a possibilidade de voltar para a empresa, e não tenho a menor intenção de fazê-lo. — O tom de Clarice tornou-se ainda mais gélido.
— Evelise, você é uma ótima pessoa, e justamente para evitar que você seja usada por Orlando no futuro, é melhor que nos comuniquemos menos.
— Se você enfrentar alguma dificuldade que não consiga resolver, aí sim, entre em contato comigo.
Assim que concluiu a frase, Clarice preparou-se para desligar. Como Evelise havia salvo sua vida indiretamente no passado, as duas mantinham uma relação que beirava a amizade.

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