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A Tentação do Segundo Casamento romance Capítulo 36

A simples menção de que Clarice havia chegado fez Orlando engolir as palavras de repreensão que estava prestes a proferir.

Ele não pôde evitar de voltar o olhar para Evelise novamente.

— Você ligou para Clarice?

Evelise assentiu, com os olhos assustadoramente vermelhos.

Orlando conteve suas emoções, embora um turbilhão se agitasse em seu íntimo. O fato de Clarice estar disposta a vir até ali indicava, talvez, que ela aceitava voltar para a empresa.

E a exigência dela de que ele pedisse desculpas publicamente à mídia devia ser apenas da boca para fora.

Ao pensar nessa possibilidade, a expressão de Orlando suavizou consideravelmente.

No fundo, Clarice ainda nutria sentimentos por ele.

Nesse exato momento, a silhueta de Clarice surgiu na porta do escritório.

Assim que chegou à entrada, ela viu Evelise ajoelhada no chão, de cabeça baixa, chorando.

Clarice avançou a passos largos e, sem hesitar, ajudou a jovem a se levantar.

Ao ver que Clarice havia chegado, toda a frustração de Evelise transbordou instantaneamente.

As lágrimas caíam de forma incontrolável, e ela se aninhou no abraço de Clarice, com os ombros tremendo.

— Clarice.

Clarice deu tapinhas nas costas de Evelise e depois afagou sua cabeça.

Evelise arfou de dor, fazendo Clarice recuar a mão rapidamente, apenas para notar manchas de sangue em seus próprios dedos.

Era o sangue de Evelise.

As pupilas de Clarice se contraíram, e ela puxou o braço de Evelise com delicadeza para baixo.

Ela queria ver onde a jovem estava machucada, mas Evelise se recusou a mostrar.

Os olhos da garota já estavam inchados de tanto chorar.

A raiva de Clarice subiu à cabeça de imediato. Ela apontou na direção de Melissa, com um olhar afiado.

— Foi você quem fez isso?

Melissa instintivamente se encolheu atrás de Orlando, mas não recuou nas palavras.

— Fui eu, e daí? Uma ingrata que morde a mão que a alimenta não merece ser ensinada?

Clarice caminhou passo a passo na direção de Melissa, com os punhos cerrados, mas Evelise a segurou firmemente.

Ela balançou a cabeça para Clarice.

Evelise levantou a cabeça, incrédula, com o rosto subitamente pálido.

— Sr. Carneiro, eu não posso perder este emprego, tenho uma família para sustentar.

Evelise estava apavorada. Afinal, havia feito exatamente o que o Sr. Carneiro instruíra!

Clarice franziu a testa, compreendendo que Orlando estava disposto a sacrificar Evelise apenas para manter as aparências.

E, atrás de Orlando, Melissa exibia um sorriso arrogante e vitorioso.

— Você tem certeza de que vai demitir Evelise? — perguntou Clarice.

Orlando a observou com uma expressão fria e sombria, como se estivesse calculando seus próximos passos.

Logo em seguida, soltou um suspiro.

— Não é que ela precise ser demitida. A capacidade profissional dela é, de fato, muito boa.

— Só que é difícil manter uma funcionária assim sob controle, a menos que alguém esteja disposto a assumir a responsabilidade pelos erros dela.

Orlando foi direto ao ponto, e Clarice entendeu a insinuação.

Ele estava esperando que ela própria tomasse a iniciativa de voltar à empresa.

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