A simples menção de que Clarice havia chegado fez Orlando engolir as palavras de repreensão que estava prestes a proferir.
Ele não pôde evitar de voltar o olhar para Evelise novamente.
— Você ligou para Clarice?
Evelise assentiu, com os olhos assustadoramente vermelhos.
Orlando conteve suas emoções, embora um turbilhão se agitasse em seu íntimo. O fato de Clarice estar disposta a vir até ali indicava, talvez, que ela aceitava voltar para a empresa.
E a exigência dela de que ele pedisse desculpas publicamente à mídia devia ser apenas da boca para fora.
Ao pensar nessa possibilidade, a expressão de Orlando suavizou consideravelmente.
No fundo, Clarice ainda nutria sentimentos por ele.
Nesse exato momento, a silhueta de Clarice surgiu na porta do escritório.
Assim que chegou à entrada, ela viu Evelise ajoelhada no chão, de cabeça baixa, chorando.
Clarice avançou a passos largos e, sem hesitar, ajudou a jovem a se levantar.
Ao ver que Clarice havia chegado, toda a frustração de Evelise transbordou instantaneamente.
As lágrimas caíam de forma incontrolável, e ela se aninhou no abraço de Clarice, com os ombros tremendo.
— Clarice.
Clarice deu tapinhas nas costas de Evelise e depois afagou sua cabeça.
Evelise arfou de dor, fazendo Clarice recuar a mão rapidamente, apenas para notar manchas de sangue em seus próprios dedos.
Era o sangue de Evelise.
As pupilas de Clarice se contraíram, e ela puxou o braço de Evelise com delicadeza para baixo.
Ela queria ver onde a jovem estava machucada, mas Evelise se recusou a mostrar.
Os olhos da garota já estavam inchados de tanto chorar.
A raiva de Clarice subiu à cabeça de imediato. Ela apontou na direção de Melissa, com um olhar afiado.
— Foi você quem fez isso?
Melissa instintivamente se encolheu atrás de Orlando, mas não recuou nas palavras.
— Fui eu, e daí? Uma ingrata que morde a mão que a alimenta não merece ser ensinada?
Clarice caminhou passo a passo na direção de Melissa, com os punhos cerrados, mas Evelise a segurou firmemente.
Ela balançou a cabeça para Clarice.
Evelise levantou a cabeça, incrédula, com o rosto subitamente pálido.
— Sr. Carneiro, eu não posso perder este emprego, tenho uma família para sustentar.
Evelise estava apavorada. Afinal, havia feito exatamente o que o Sr. Carneiro instruíra!
Clarice franziu a testa, compreendendo que Orlando estava disposto a sacrificar Evelise apenas para manter as aparências.
E, atrás de Orlando, Melissa exibia um sorriso arrogante e vitorioso.
— Você tem certeza de que vai demitir Evelise? — perguntou Clarice.
Orlando a observou com uma expressão fria e sombria, como se estivesse calculando seus próximos passos.
Logo em seguida, soltou um suspiro.
— Não é que ela precise ser demitida. A capacidade profissional dela é, de fato, muito boa.
— Só que é difícil manter uma funcionária assim sob controle, a menos que alguém esteja disposto a assumir a responsabilidade pelos erros dela.
Orlando foi direto ao ponto, e Clarice entendeu a insinuação.
Ele estava esperando que ela própria tomasse a iniciativa de voltar à empresa.

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