Clarice deu um sorriso gélido. Que imaginação fértil.
Ignorando a presença dos dois à sua frente, ela se virou para Evelise.
— Você já viu a situação atual. Estaria disposta a vir comigo? O único detalhe é que o salário pode não ser tão alto quanto o que ganha agora, e o trabalho será bem exaustivo.
Seu trabalho como diretora também exigia uma assistente. Evelise era quem a acompanhava há mais tempo e as duas já se conheciam muito bem.
Evelise não hesitou. Chorando lágrimas de alegria, respondeu:
— Eu vou com você, Clarice.
Se houvesse outra saída, quem em sã consciência gostaria de ficar ali servindo a Melissa?
Clarice curvou os lábios em um sorriso leve.
— Ótimo, vamos embora. O ferimento na sua cabeça ainda precisa de cuidados.
As duas se viraram e se prepararam para sair.
— Clarice, o que você acha que é este lugar?
Orlando gritou severamente, levantando-se de forma brusca e caminhando em direção a Clarice.
Ele agarrou o pulso dela com força, com o olhar furioso.
Clarice puxou a mão com firmeza para se soltar.
— Já que você não sabe tratar bem a minha funcionária, eu mesma a levo embora.
Orlando soltou uma risada fria.
— Sua funcionária? Ela tem um contrato assinado com a Família Carneiro. Se o contrato não terminou, a quebra exige o pagamento de uma multa rescisória.
— Mas não foi você quem disse que iria demiti-la?
— Se vou demiti-la ou não, tudo depende do meu humor.
Clarice deu um passo para trás, criando distância de Orlando, enquanto um novo sorriso se desenhava em seu rosto.
— O seu humor... Perfeito. Então vamos fazer as contas.
Clarice fez uma ligação e, logo em seguida, segurou a mão de Evelise, sentando-se no sofá ao lado.
Orlando observou a atitude dela, transparecendo certa confusão.
— Que contas?
— Já que o Sr. Carneiro não está disposto a resolver isso de forma amigável, não me importo de levar a situação até as últimas consequências.
Em menos de dez minutos, Renata apareceu no escritório.
Clarice curvou os lábios.
— Tem certas coisas que, depois de feitas, não adianta se arrepender.
Ela se levantou, puxou Evelise e caminhou em direção à porta. Orlando tentou se colocar à frente para impedir.
— Eu não autorizei a saída, vocês acham mesmo que podem ir embora?
Evelise, amedrontada, puxou levemente a roupa de Clarice e sussurrou:
— Clarice, deixa para lá. Não quero te arrastar para os meus problemas.
Clarice sorriu, dando tapinhas tranquilizadores na mão da jovem, e ergueu o olhar frio para Orlando.
— Você acha que, só por tentar nos prender aqui, eu viria sem estar preparada?
Clarice tirou o celular do bolso e o balançou na frente do rosto de Orlando.
— Tudo o que aconteceu aqui já foi enviado. Você pode até me impedir de sair, mas será que consegue impedir as pessoas lá fora?
Orlando bufou com desdém.
— Em toda a Cidade H, não existe ninguém que eu, Orlando, não possa impedir.
— É mesmo? Então que tal dar uma olhada em quem está lá embaixo?

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