Ao chegar no Parque das Acácias, Adelina já havia recomposto suas emoções, mas o olhar afiado de Clarice logo notou o leve inchaço ao redor dos olhos da amiga.
— Adelina, você estava chorando? O que aconteceu?
Adelina abanou a mão, fingindo indiferença:
— Caiu poeira no meu olho e eu esfreguei. Se não acredita, dá uma olhada para ver se já saiu.
Ela se aproximou de propósito, encostando a cabeça no ombro de Clarice de forma manhosa.
Clarice suspirou, segurando a cabeça inquieta da amiga. As duas se conheciam desde a infância e sabiam perfeitamente as manhas uma da outra.
Estava claro que ela havia sofrido alguma injustiça, mas de um tipo que não queria compartilhar.
Deixa para lá. Ela não ia forçar a barra; quando Adelina quisesse falar, ela falaria naturalmente.
— Tudo bem, pare de grude. Preciso te contar uma coisa.
Clarice ficou séria, fazendo Adelina parar de brincar e encará-la.
— O que foi? Para que tanta seriedade?
Clarice pegou um roteiro sobre a mesa e o estendeu para Adelina:
— Esta será a primeira obra que vou dirigir pessoalmente. E então, vai dar uma força para a sua amiga?
Surpresa, Adelina pegou o roteiro:
— Caramba, Clarice! Você não perde tempo, hein?
Ao ler o título na capa, ela perguntou:
— Não é aquele roteiro que você escreveu na época da faculdade?
— Sim. É o meu sonho, e agora eu vou transformá-lo em realidade.
Clarice sorriu para a amiga:
— Está a fim de entrar no projeto? O perfil da protagonista é a sua cara, você tiraria de letra.
Adelina deu um sorriso de canto e passou o braço pelo pescoço de Clarice:
— Mas é claro! Se a oportunidade está na mesa, por que eu recusaria?

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