— Sim, sente-se!
Erasmo puxou Clarice para se sentar do outro lado. Ele mesmo afastou a cadeira para ela e arrumou os talheres à sua frente.
Um cuidado meticuloso e atencioso.
Clarice observava Kátia e pensava que, como esperado de alguém que tinha chamado a atenção de Erasmo, sua beleza e elegância eram indiscutíveis.
Kátia sentiu-se um pouco desconfortável sob o olhar, achando que sua presença havia incomodado Clarice. Para evitar mal-entendidos, logo se apressou em explicar.
— Clarice, ontem à noite eu só fiquei de favor. Irei embora hoje mesmo, por favor, não interprete mal.
Sua mãe ainda esperava que o Sr. Alves a salvasse, então ela não podia deixar a mulher que o Sr. Alves amava ter uma ideia errada.
No entanto, essas palavras apenas aprofundaram o mal-entendido na mente de Clarice.
Clarice levantou-se abruptamente e foi a passos largos sentar-se ao lado de Kátia.
Ela segurou as mãos de Kátia e se apressou em explicar:
— Você não está entendendo errado? Ontem à noite fui vítima de uma armadilha, eu não costumo ser assim. Além disso, Erasmo e eu fomos criados juntos. Embora não tenhamos laços de sangue, crescemos juntos desde muito cedo, então temos uma ligação muito forte. Talvez você não consiga compreender isso agora, e certas coisas não se explicam de uma vez só. Enfim, com o tempo você vai perceber. Não fique pensando besteiras, está bem?
Clarice achava que Kátia havia entendido tudo errado sobre a sua relação com Erasmo e que, por isso, iria embora.
Afinal, Erasmo finalmente tinha gostado de alguém, e ela não podia ser o motivo de espantar a moça.
Kátia ficou ligeiramente atônita. Desviou o olhar para Erasmo, sem entender o motivo de Clarice lhe dizer aquelas coisas.
A mulher de quem o Sr. Alves gostava estava tentando explicar que os dois se viam como família.
Por que parecia que havia algo de muito errado ali?
Ela deu uma olhada rápida ao redor do cômodo, imaginando se também haveria câmeras de segurança naquela casa.
Erasmo não parecia ter a menor intenção de explicar nada. Continuou focado apenas em tomar o seu café da manhã.
Seus dedos longos, pálidos e bem delineados, descascavam um ovo de casca avermelhada.
O ovo girava em suas mãos enquanto a casca era retirada, até revelar a clara macia e escorregadia.
Todo o processo parecia o polimento minucioso de uma obra de arte requintada.

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