Na manhã seguinte.
Clarice, mais uma vez, sentiu uma vontade enorme de bater em si mesma. Dessa vez, havia ido longe demais, muito mais do que na anterior.
Se não estivesse com as roupas intactas e sem nenhum desconforto físico, nem saberia como explicar a Erasmo o seu comportamento animalesco.
As bochechas de Clarice coraram levemente.
— Erasmo, eu não fiz nada de tão absurdo na noite passada, fiz?
Ela perguntou, sentada na cama, cheia de remorso, mas sua voz saiu tão rouca que, para quem não soubesse, pareceria que havia sido maltratada a noite inteira.
Erasmo já havia se levantado e se vestido perfeitamente. Ele serviu um copo de água para ela e ficou de pé ao lado da cama, observando-a de cima.
— Acho que não foi tão absurdo assim. Você só quis arrancar a minha roupa, me abraçou para eu não ir embora, disse que ia me bancar e que queria transar comigo. Clarice, onde você aprendeu esse tipo de truque?
Pfff, ela cuspiu toda a água que havia colocado na boca.
Os olhos de Clarice se arregalaram.
Isso não era absurdo? Era um absurdo completo!
— Você já é adulta e ainda se engasga até com água.
Erasmo pegou o copo dela e deu tapinhas suaves em suas costas.
— Erasmo, não é o que você está pensando... me deixa explicar.
Ela precisava desesperadamente recuperar a própria imagem.
Erasmo deu um leve sorriso e bagunçou os cabelos dela.
— Não tem problema, foi até bom. Mas lembre-se: nunca faça isso na frente de outros homens.
Vendo que Erasmo não iria insistir no assunto, ela assentiu vigorosamente com a cabeça, comportando-se de forma incrivelmente dócil.
Toc, toc, toc.
— Sr. Alves, o café da manhã já está pronto. E a Srta. Miranda está procurando pelo senhor.
A voz de Paula ecoou do lado de fora da porta.
— Certo, já entendi.
— Levante-se, vamos comer alguma coisa.
Clarice levantou-se num salto, mas quem seria essa Srta. Miranda?

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