— O que você disse? Kátia realmente conseguiu um casamento com a Família Alves?
Rafael não conseguia acreditar naquilo. Estavam falando da Família Alves, a dinastia mais poderosa e proeminente da capital.
Ximena Faria assentiu.
— Eu também não imaginava que a Família Alves colocaria os olhos na Família Miranda, muito menos que Erasmo pudesse se interessar por Kátia. É incrível que a filha de uma mulher de origem tão baixa possa ter tanta sorte.
Suas palavras transbordavam veneno e amargura, carregadas também por um fio de ressentimento inegável.
Rafael lançou um olhar rápido ao redor e se aproximou de Ximena, sussurrando:
— Mãe, já que Kátia subiu na vida agarrando-se à Família Alves, isso não quer dizer que chegou a grande chance da nossa Família Faria?
Ximena lançou-lhe um olhar severo.
— Não seja tão cego. Por que Kátia aceitaria nos ajudar? O que eu quero é aproveitar essa chance para fazer a sua irmã tomar o lugar dela. Quando a sua irmã se tornar a nora principal da Família Alves, o prestígio da Família Faria também subirá às alturas. Mesmo na capital, ninguém ousaria tocar na Família Faria.
Rafael abriu um sorriso malicioso.
— Que maravilha. Quando isso acontecer, eu também poderei me divertir com as socialites da capital.
— Não tem jeito mesmo. Enfim, Kátia já chegou. Não abra muito a boca daqui a pouco.
Ximena, suspirando de frustração, olhou torto mais uma vez para o filho, que só sabia de festas e bebedeiras.
Sentia raiva por ele não ter ambição. Ele era igualzinho ao falecido pai.
Rafael cruzou as pernas, sem se importar com a bronca.
— Fica tranquila.
— Senhora, a Srta. Miranda chegou.
O mordomo conduziu as duas para dentro. Ximena lançou-lhes um olhar e franziu a testa.
Ficou profundamente insatisfeita com a audácia de Kátia trazer uma estranha qualquer para dentro de casa, mas ela era ótima em observar os detalhes. As roupas que Clarice usava não eram do tipo que uma pessoa comum pudesse comprar.
Tudo nela transmitia luxo: marcas caríssimas e peças feitas sob medida.
Por isso, ela engoliu momentaneamente a sua irritação.
— Hum. Já que vieram, sentem-se primeiro!
Clarice puxou Kátia gentilmente pelo braço. Ela podia sentir com clareza o corpo da jovem tremendo de leve.
— Vamos até lá.
Quando Clarice abriu a boca para falar, Rafael finalmente se virou para olhar e ficou paralisado de surpresa.
Imediatamente, descruzou as pernas.
— Clarice? O que está fazendo na minha casa?
Rafael exclamou, assustado, sentindo o estômago se revirar de culpa. Afinal, tinha sido ele quem colocara as drogas na bebida dela na noite anterior.

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