— Como é a sua primeira vez na nossa casa, deixe o Rafael acompanhar você um pouco. Somos todos da família, então fique à vontade — disse ela em seguida, sorrindo para Clarice.
Clarice percebeu logo de cara que aquilo era uma desculpa para tirá-la da sala e conversar a sós com Kátia.
— Então vou incomodar o Sr. Faria, mas até que isso veio bem a calhar, porque eu também tenho alguns assuntos para tratar a sós com ele — Clarice levantou-se com um sorriso.
Sem outra alternativa, Rafael foi obrigado a guiar Clarice em direção ao jardim dos fundos.
Assim que saíram do salão principal, Clarice foi a primeira a quebrar o silêncio.
— Sr. Faria, você não tem nada a dizer sobre o que aconteceu na noite passada? Você parece ter muita experiência em dopar mulheres, não é? Isso já é crime e pode te levar direto para a cadeia.
— Clarice, não fale absurdos. Eu jamais me rebaixaria a esse ponto. Além disso, você é a esposa de Orlando, eu não seria tão sujo a ponto de dopar a mulher de um amigo — Rafael parou de caminhar abruptamente.
Mesmo que Clarice soubesse da verdade, o que ela poderia fazer? Sem provas, não havia como atingi-lo.
— Você acha que eu não tenho provas, Rafael? Se eu não as tivesse, sequer teria tocado no assunto. Você viu o estado deplorável do Orlando ontem à noite, não viu? E as oscilações nas ações da Família Carneiro hoje, você também deve estar ciente. Sabe por quê? Porque Orlando e eu já nos divorciamos. Se eu tive coragem de arruinar o meu próprio ex-marido, você acha mesmo que eu teria pena de você? — Clarice curvou os lábios em um sorriso cínico.
— Divórcio? Clarice, não seria muito bom se o Orlando ouvisse você dizendo uma coisa dessas! — Rafael demonstrou ceticismo.
Rafael simplesmente não acreditava que Clarice se divorciaria de Orlando. Ele preferia morrer a acreditar que alguém tão submissa e devotada pudesse cair em si de repente.
— Está vendo isto? É o acordo de divórcio assinado por ambas as partes. Eu sou do tipo que, quando acorda para a realidade, não tolera mais ser feita de idiota. Sr. Faria, gostaria de testar os meus métodos? — Clarice baixou os olhos com um sorriso leve, virando a tela do celular para Rafael.
— As câmeras registraram tudo, e eu também tenho testemunhas. Com prova e gente para depor, quanto tempo você acha que passaria na cadeia? — Clarice balançou o celular mais uma vez.
O olhar de Rafael tornou-se gradualmente sombrio. Sua mãe não tinha apenas a ele como filho; se esse escândalo viesse à tona, com o temperamento que ela possuía, certamente o abandonaria à própria sorte.
Ele não podia jogar fora todos os anos de esforço. Era uma aposta que não podia se dar ao luxo de fazer.
— O que você quer?
— Se quer que eu esqueça o que aconteceu, leve-me para ver a mãe da Kátia. Eu prometo que o seu segredo estará seguro comigo — Clarice abriu um sorriso radiante, lançando um olhar furtivo para as duas pessoas dentro da casa.
— Ele sabe, foi a desculpa que usei para vir à Família Faria. No entanto, o Sr. Alves não se importa com aonde eu vou, foi apenas um pretexto qualquer que inventei — Kátia ergueu a cabeça, com os lábios delicadamente franzidos.
Kátia disse a verdade, deixando implícito para Ximena que ela não significava nada para Erasmo e que, consequentemente, não conseguiria tirar nenhum proveito dele.
Ximena estreitou os olhos e avaliou Kátia minuciosamente, tentando decifrar se ela estava mentindo.
Sem detectar nenhuma falsidade na expressão de Kátia, Ximena voltou a falar.
— Então isso significa que o Sr. Alves quase não a viu.
— Apenas duas vezes — Kátia assentiu.
Ximena finalmente respirou aliviada; se eles quase não haviam se encontrado, significava que ele não a conhecia intimamente.
Isso era perfeito, pois se alinhava maravilhosamente bem aos seus planos.

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