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A Tentação do Segundo Casamento romance Capítulo 63

Aquele olhar profundo e sedutor era mais do que suficiente para levar qualquer mulher à loucura.

Na verdade, aquela aparência não transmitia nenhuma agressividade; pelo contrário, despertava um intenso desejo de conquista.

Contudo, a pressão esmagadora, típica de quem habitava o topo da hierarquia de poder, impedia que qualquer pessoa ousasse subestimá-lo.

Erasmo parou a cerca de dois metros de Kátia. Seus olhos escuros varreram o ambiente, mas não encontraram nenhum sinal de Clarice.

Ao notar os olhos marejados de Kátia, ele não conseguiu evitar que um ligeiro vinco se formasse entre as suas sobrancelhas.

— Onde está a Clarice? — indagou Erasmo.

O timbre grave e opressivo de sua voz reverberou pela sala de estar, arrancando Ximena de seus devaneios.

— Ela foi dar uma volta no jardim com o Rafael — Kátia respondeu, fungando discretamente.

Erasmo baixou os olhos, deslizando os dedos pelas contas negras de seu bracelete. O que aquela garota estava aprontando dessa vez?

Ximena lançou um olhar para a figura intimidada de Kátia e fez suas próprias deduções mentais.

Pelo visto, Kátia não desfrutava de nenhum favoritismo. O fato de Erasmo perguntar sobre o paradeiro de Clarice assim que entrou na sala era a prova cabal disso.

— O que aconteceu aqui? — perguntou Erasmo, notando o estado da jovem.

A pergunta de Erasmo surgiu no momento exato em que Ximena concluiu seus pensamentos.

Ximena apressou-se em tomar a frente da conversa.

— Ah, essa menina estava com saudade da mãe. Conversamos um pouco e, de repente, ela começou a chorar.

— E você é... — Erasmo levantou o olhar para ela.

O tom de sua voz soou surpreendentemente cordial.

— Eu sou a tia da Kátia. Por favor, Sr. Alves, sente-se — respondeu Ximena com um sorriso.

Erasmo curvou os lábios em um aceno afirmativo e acomodou-se em uma poltrona individual, redirecionando o foco de volta para Kátia.

— Você não veio ver a sua mãe? Onde está a Vanessa? — questionou ele.

— A Vanessa estava muito deprimida ultimamente, então decidi mandá-la para o exterior para descansar um pouco — Ximena adiantou-se novamente, não dando chance para Kátia responder.

— Oh, é mesmo? Para qual país? E quando ela retorna? — Erasmo virou o rosto com leve curiosidade.

— Ela mencionou que só voltaria a tempo para o casamento da Kátia — respondeu Ximena.

Kátia cerrou as palmas das mãos, angustiada.

Eles deram volta após volta pelas imediações, e a escassa paciência de Erasmo já estava por um fio.

— Ué, o que vocês estão fazendo aqui?

A voz de Clarice surgiu repentinamente atrás deles. Erasmo virou-se em um solavanco brusco.

Ao constatar que ela estava perfeitamente a salvo, ele se adiantou com passos largos até ela.

— O que diabos aconteceu? Por que você não atendeu o celular? — perguntou Erasmo, preocupado.

— Eu estava apenas passeando pelo jardim e, acidentalmente, deixei o telefone no modo silencioso — Clarice curvou os lábios, balançando o aparelho em sua mão.

— Fique tranquila, eu estou bem — disse ela, passando direto por Erasmo e indo até Kátia.

— Você me matou de susto.

Kátia a envolveu em um abraço esmagador, com o corpo ainda tremendo de tensão.

— Pode relaxar, eu saí ilesa. Consegui fazer o que te prometi — Clarice riu baixinho, dando leves tapinhas nas costas da amiga e sussurrando num tom que apenas as duas pudessem ouvir.

O corpo de Kátia enrijeceu por uma fração de segundo, e então ela a abraçou ainda mais apertado.

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