Clarice seguiu Rafael por caminhos tortuosos, até que finalmente pararam diante de um pequeno anexo.
— É aqui, mas não tenho a chave. Não podemos entrar — Rafael ergueu levemente o queixo.
Ninguém além de sua mãe tinha permissão para entrar ali.
Clarice observou a estrutura à sua frente com cuidado, tocando a porta de ferro enferrujada e as correntes espessas.
Era uma construção de dois andares com oito janelas e duas portas, e tudo estava completamente lacrado.
— Não podemos ficar muito tempo. Tem sempre gente patrulhando por aqui. Se formos descobertos, eu serei punido e nem mesmo você conseguirá sair ilesa — alertou Rafael.
Ele conhecia em primeira mão a crueldade implacável de sua mãe.
— Então vá vigiar. Se acontecer alguma coisa, me chame — Clarice lançou-lhe um olhar de esguelha.
— ... — murmurou Rafael em silêncio.
Ela estava claramente o tratando como um mero subordinado.
— Fazer um favorzinho desses não é tão difícil, não é? — Clarice agitou o celular no ar.
— Então ande logo com isso — Rafael revirou os olhos.
Clarice só se aproximou do anexo quando Rafael já estava a uma distância segura.
— Vanessa Faria, eu sou uma grande amiga da Kátia. Ela me pediu para lhe dar um recado. Se puder me ouvir, responda — ela bateu de leve na porta.
Não houve resposta.
Ela chamou três vezes seguidas, mas não se ouviu o menor ruído lá de dentro.
Clarice franziu a testa, confusa. O que estaria acontecendo?
Ao longe, Rafael olhou para trás e estreitou os olhos ao observar Clarice.
Ela estava com o ouvido colado na porta, batendo com a palma da mão e murmurando palavras inaudíveis.
Pelo visto, a pessoa do lado de dentro não tinha a menor intenção de responder.
Fazia sentido. Durante os últimos dois anos, a mãe dele aparecia ali de tempos em tempos para testá-la.
Vanessa já havia apanhado muitas vezes por causa disso, e nem mesmo Kátia escapava das perseguições cruéis da mulher.

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