No fim das contas, Orlando não conseguiu entrar no quarto, e ainda teve que ouvir Clarice cobrando novamente a oficialização do divórcio.
Orlando ficou tão furioso que chutou a lixeira mais próxima, quase levando uma surra dos seguranças na porta.
Melissa, por sua vez, seguia atrás de Orlando, um tanto alheia e desconcentrada.
Os dois desapareceram no fim do corredor, deixando para trás os presentes que Orlando havia largado na porta.
Clarice observou a cena por um momento antes de voltar para o quarto, instruindo os seguranças a levarem tudo para o posto de enfermagem.
Erasmo já havia saído da cama e se movia com dificuldade, pequenas gotas de suor brilhando em sua testa.
— Por que você levantou? Me diga o que precisa, eu ajudo você — disse Clarice, correndo para ampará-lo.
Ela segurou o braço de Erasmo. Ele havia se ferido na perna e, embora não houvesse fratura, seus movimentos estavam bastante limitados.
Sem cerimônia, Erasmo apoiou todo o peso do corpo sobre ela.
— Bebi muita água, preciso ir ao banheiro — explicou ele.
— Ah! Então vou chamar o enfermeiro — deixou escapar Clarice.
— Estou apertado — retrucou Erasmo.
Isso fez Clarice desistir da ideia de chamar ajuda. Erasmo era realmente pesado, e ela teve que cerrar os dentes para conseguir levá-lo com muito custo até o banheiro.
— Segure-se na barra, me chame quando terminar — instruiu Clarice.
Ela estava prestes a se virar e sair, quando Erasmo falou, com um tom sutilmente manhoso.
— Clarice, você quer que eu faça nas calças?
— Então... eu seguro você, e você abaixa a calça — gaguejou ela.
Erasmo assentiu, e Clarice voltou para segurá-lo com as duas mãos sob as axilas.
O ar ficou subitamente silencioso, aguçando ainda mais a audição.
O som do cinto sendo desabotoado pareceu ecoar com clareza demais no silêncio, como se cada movimento estivesse acontecendo dentro da mente de Clarice.
O coração de Clarice deu um salto inexplicável. O que estava acontecendo com ela? Como poderia sentir algum tipo de desejo pelo corpo daquele homem?
Estava perdida. Só podia ser um problema hormonal. Quando foi ao ginecologista buscar o atestado, deveria ter perguntado ao médico sobre isso.
O tempo parecia ter parado.


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