Clarice ficou surpresa. Chamá-la apenas de "Adelina" soava íntimo demais.
Ela olhou de Leandro Neves para Adelina, sentindo que havia algo de muito estranho entre os dois naquele dia.
— Que intimidade é essa? Mesmo sendo meu chefe, não pode tirar vantagem de mim falando assim! — protestou Adelina.
— Clarice, olha para ele. Um aproveitador desses! Você nem devia continuar trabalhando com ele.
— Deixe o Erasmo financiar você. Conseguirá fazer um excelente trabalho da mesma forma.
Adelina abraçou o braço de Clarice para instigá-la, mas Clarice a observava com genuíno interesse.
Ouvir que Leandro Neves era um aproveitador era uma novidade e tanto.
Mas aquela dinâmica entre os dois...
Clarice voltou os olhos para Leandro Neves. Ele tinha um brilho risonho no olhar e mantinha os olhos profundos fixos em Adelina o tempo todo.
De repente, Clarice sentiu no ar o cheiro de um romance não revelado.
Justo quando Clarice se preparava para investigar mais a fundo, a porta do banheiro se abriu.
Erasmo estava encostado na porta, e Clarice correu para apoiá-lo.
Leandro Neves finalmente desviou a atenção para Erasmo, que lhe lançou um olhar cortante, carregado de advertência.
Leandro Neves não se abalou com a ameaça implícita de Erasmo e manteve um sorriso zombeteiro nos lábios.
Clarice, totalmente focada em Erasmo, arquivou as perguntas que pretendia fazer e sequer percebeu a troca de olhares tensa entre os dois homens.
Adelina, ainda mais distraída, também não notou absolutamente nada.
Depois de ser acomodado de volta na cama, Erasmo ergueu o olhar para as visitas inesperadas e perguntou:
— Por que vieram aqui?
Sua expressão era impassível, mas o tom de voz denotava uma clara insatisfação.
Com a experiência que tinha, Adelina percebeu de imediato que não havia chegado em um bom momento.


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