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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 12

"Lorena"

A figura de um metro e noventa, usando uma camisa branca imaculada com as mangas dobradas até os cotovelos e óculos escuros que se ergueu a minha frente fez o chão tremer sob meus pés. O sol batia nos seus cabelos escuros completando a aura de beleza e poder que ele emanava. Eu senti como se o meu sangue fosse drenado e eu fosse desfalecer, cada músculo do meu corpo enrijeceu e por um momento o mundo ficou mudo.

Eu parei de respirar, ali, sem a peruca vermelha de pontas azuis, sem a maquiagem que era como um escudo de proteção e sem a iluminação pulsante da boate eu me senti revelada. Eu era apenas a Lorena Valente, a contadora que ele queria longe da empresa dele tentando se passar por babá.

- Esta é a Srta. Valente, Sr. Albelini, a nova babá da Alice. - A voz rígida da Adelaide cortou o silêncio.

- Valente? - Ele tirou os óculos, franzindo as sobrancelhas e deu mais um passo em minha direção, ficando mais perto que o necessário, a sua colônia cara que ficou impregnada na minha memória emanava dele, invocando em minha mente imagens da noite que eu fui a presa dele.

- Srta. Lorena Valente. - A Adelaide respondeu firmemente, enquanto eu estava com as pernas bambas como gelatina.

O olhar dele desceu pelo meu rosto e parou nos meus lábios, olhando por um segundo a mais. Meus lábios formigaram com a lembrança dos beijos dele. O seu olhar subiu e encontrou os meus olhos. Aqueles olhos azuis pareciam querer perfurar os meus castanhos. Houve uma pausa longa demais. Uma tensão que fez o ar vibrar. Eu tive certeza de que ele ia me apontar o dedo e me expulsar dali aos gritos.

- Lorena Valente. - Ele repetiu meu nome como se o experimentasse, a voz grave e aveludada fazendo meu estômago dar voltas, o olhar penetrante como se buscasse algum sinal. - Você parece... familiar. Nós já nos conhecemos, Srta. Valente?

Minhas unhas cravaram na palma da mão. Ele estava prestes a me reconhecer, eu tinha ido para a cama com aquele homem e agora entrava na casa dele como uma espiã infiltrada. Como eu ia me livrar disso? Eu não sabia, mas nesse momento também não tinha escolha, já estava na boca do leão.

- Acredito que não, senhor. Eu apenas tenho um rosto comum. - Eu respondi, forçando uma voz que eu esperava soar profissional, baixa e monótona, e não como a de uma mulher que gemeu nos braços dele em uma suíte de luxo.

Um leve levantar dos cantos dos lábios, quase imperceptível e terrivelmente diabólico, surgiu no rosto perfeito dele. Rapidamente eu baixei os meus olhos para os meus próprios pés, assumindo a postura da funcionária perfeita e invisível. Nada de sorrisos gélidos, nada de desafios. Eu era apenas uma sombra.

- Comum não é exatamente a palavra que eu usaria. - Ele disse como se ainda me avaliasse, mas de repente balançou a cabeça como se descartasse uma ideia sem sentido.

Eu precisava de um lugar para sentar, eu precisava de um copo de água e um calmante, eu precisava fugir dali, pedir as contas na boate e desaparecer para sempre.

- Papai? - Uma garotinha de longos cabelos escuros, presos impecavelmente em um laço de fita branca, saiu detrás dele, puxando uma mochila de rodinhas em uma mão e com a outra segurou a dele.

- Alice, cumprimente a Lorena, sua nova babá. - Ele falou sem tirar os olhos de mim nem por um segundo.

A menina se aproximou me avaliando de cima abaixo, com os mesmos olhos azuis determinados do pai, mas com as bochechas rosadas que lhe davam a delicadeza de uma boneca de porcelana.

Capítulo 12: Bolo de coco, açúcar mascavo e algo mais 1

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