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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 11

"Lorena"

Aquele homem não tinha nada do homem simpático e sorridente que eu vi na boate. E não era só isso, ele estava me encarando. Ou ele tinha me reconhecido da boate ou ele sabia que eu era a Lorena Valente. Mas como ele saberia que eu era a Lorena Valente que ele estava mandando dispensar? Não era como se tivesse fotos minhas em cartazes de "procura-se" espalhados pela cidade. Eu estremeci. Ele tinha me reconhecido!

- Aquele é o motorista, ele está esperando por você. - A recepcionista apontou para um senhor meio calvo, usando um terno preto e sapatos que brilhavam de tão limpos, como se quisesse se livrar de mim rapidamente. O loiro olhou para onde ela apontou.

- É a nova babá? - O loiro me encarou estreitando os olhos e a recepcionista respondeu que sim. - A casa do Érick acabou de ficar mais interessante. - Ele sorriu para mim e eu respirei aliviada, ele não tinha me reconhecido. Ele voltou a sua atenção de novo para a recepcionista. - Resolve isso!

Assim que ele saiu da recepção uma mulher de uns cinquenta anos entrou apressada, usando um terninho preto sóbrio, cabelo preso em um coque formal e óculos de grau.

- Estou atrasada, mocinha. O trânsito dessa cidade é uma loucura. Eu tenho hora com o Sr. Albelini. Sou a nova babá. Anda, menina! - A mulher falou em tom arrogante e deu um tapa no balcão.

A recepcionista me encarou como se pedisse socorro, o desespero dela era nítido. Mas então, como se tivesse tomado fôlego e uma decisão, ela se virou para mim.

- Senhorita, o motorista a espera. - Ela me apontou mais uma vez o motorista e se virou para a mulher em sua frente. - Me desculpe, senhora, o Sr. Albelini não suporta atrasos, ele já contratou uma profissional que atende aos requisitos da vaga e não se atrasa. A senhora deveria ter saído mais cedo de casa.

- É o quê...?! - A mulher quase se engasgou. Mas a recepcionista a ignorou, se levantou e me puxou pelo braço em direção ao motorista.

- Você é a Lorena Valente, não é? - Ela sussurrou quando nos afastamos da mulher e eu fiz que sim. - Posso estar enganada, mas pelo que corre por aí você está muito ferrada e esse emprego de babá paga muito mais que o de contadora que você queria, então se ajuda e me ajuda, eu não posso ficar desempregada de novo.

- Você é louca? Eles vão perceber e isso vai explodir na nossa cara! - Eu parei e a encarei.

- Olha só, a garotinha tem oito anos, todas as informações estão nesta pasta, não pode ser tão difícil assim. O Sr. Albelini não se importa se você é uma golpista do sistema financeiro como andam dizendo, desde que você cuide bem da menina, mas ele se importa que uma golpista esteja na contabilidade dele e foi por isso que o Sr. Beaumont me mandou desmarcar a sua entrevista.

- Inferno! - Eu praguejei.

- Eu tenho quatro filhos para criar. O pai deles me abandonou há três meses e foi viver com a amante. Eu preciso do meu emprego. - Ela me encarou como se suplicasse. Aquilo eu podia entender.

- Está bem! Eu também preciso desse emprego. Mas vê se não comete nenhum erro mais! - Eu a avisei e ela riu.

- Senhorita?! - O motorista se aproximou com um sorriso simpático. - Podemos ir?

Capítulo 11: Isso não vai dar certo 1

Capítulo 11: Isso não vai dar certo 2

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