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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 13

"Lorena"

Eu acompanhei a Alice até o quarto dela. Ela me mostrou onde deixava a mochila e me apresentou o seu closet. Aquele lugar era um santuário de seda e sapatos de grife que gritava a opulência do dinheiro que acompanhava o sobrenome Albelini.

A menina era falante e muito independente, talvez aquela secretária louca tivesse razão e cuidar dessa garotinha não fosse tão difícil, eu só precisava me manter longe do pai dela o máximo possível e como eu tinha mesmo que ser invisível, como a Adelaide recomendou, talvez desse certo. O meu problema agora era passar pela reunião no escritório dele depois do almoço.

Enquanto eu pensava em como sobreviver àquilo, a Alice saiu do closet usando um conjuntinho colorido de calça capri e camiseta e uma sapatilha creme delicada, ainda tentando pentear os cabelos. Eu me levantei e tirei a escova das mãozinhas dela, a colocando sentada na banqueta da penteadeira branca que tinha no quarto. Em frente a nós um grande espelho refletia aqueles olhinhos azuis desconfiados.

- O que você está fazendo? - Ela perguntou com as sobrancelhas franzidas.

- Ora, te ajudando a escovar o cabelo. Você não gosta? Eu adoro que escovem o meu. - Eu sorri passando a escova levemente pelos fios escuros e lisos.

- A outra babá dizia que eu tinha que me virar. - Ela respondeu sem fazer rodeios e com uma honestidade que parecia ser inerente a sua personalidade.

- Ah, sim, é bom saber se virar, mas também é bom quando alguém tem um gesto atencioso com a gente, você não acha? - Eu perguntei, me lembrando de como eu adorava que a minha mãe escovasse os meus cabelos quando eu tinha a idade daquela garotinha. - E então, mocinha, o que vai ser, preso, solto, trançado, meio a meio?

- Meio a meio? - Ela riu sem entender.

- Sim, meio preso, meio solto, assim. - Eu puxei um pouco dos cabelos para trás, ela observou bem o reflexo no espelho e ergueu a mão com um laço, dando a sua concordância para o meio a meio.

Eu prendi os cabelos, escovei mais um pouco e ela se olhou no espelho como uma mocinha no salão de beleza.

- Gostei! - Ela sorriu e se virou para mim. - Sua mãe escova os seus cabelos?

A pergunta dela fez o meu coração apertar.

- Quando eu tinha a sua idade ela escovava e prendia exatamente assim como eu prendi o seu. Mas agora ela já não pode, porque ela já é um anjo no céu. - Eu tentei explicar da forma mais simples e menos dura possível.

- Igual a minha mãe. - Ela olhou para baixo e pensou por um minuto. - Mas a minha mãe nunca escovou o meu cabelo, ela virou anjo quando eu nasci.

- A sua mamãe deve ser um anjo muito lindo, porque você é linda! - Eu me abaixei diante dela e ela deu um sorriso pequeno, apontando para um porta retrato na cabeceira da cama que eu não tinha olhado detidamente.

- É a minha mamãe. - Ela contou quando eu peguei a foto emoldurada. Uma mulher de longos cabelos pretos e olhos muito claros sorria na foto. A garotinha em minha frente era uma mistura perfeita entre o pai e a mãe.

- Muito linda a sua mamãe! - Eu comentei e coloquei a foto no lugar, sentindo o coração apertado de tristeza por aquela garotinha. Nenhuma criança deveria perder a mãe! - Agora vamos, mocinha, seu pai deve estar te esperando para almoçar.

Ela se virou mais uma vez para o espelho, me olhando com um sorrisinho astuto que me fez ficar alerta.

- O papai nunca chama as babás no escritório no primeiro dia. Ele só chama quando elas fazem alguma besteira. Geralmente ele só dá um "boa tarde" - ela engrossou a voz tentando imitar o pai - e vai trabalhar. Mas ainda não deu tempo de você fazer nada errado.

- É? E por que você acha que ele me chamou? - Eu perguntei, tentando manter a voz estável enquanto guardava a escova e tentava não demonstrar para a garotinha que ela tinha me deixado ainda mais preocupada.

- Acho que ele quer ver se você é de verdade. - Ela deu de ombros, levantando-se da banqueta. - Ou se você morde. Eu vi quando a última babá segurou a cabeça dele e tentou mordê-lo, ele conseguiu escapar. Mas eu não acho que você morde... você olha para ele como se estivesse vendo um fantasma. Ou o bicho-papão. - Ela deu uma risadinha. - Você tem medo do papai!

Capítulo 13: Ele pode te comer! 1

Capítulo 13: Ele pode te comer! 2

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