"Érick"
Eu permaneci recostado no sofá, observando o espetáculo com um prazer que beirava o êxtase. Era hipnotizante ver a Lorena desafiar o Julian. Ela não recuou um milímetro. A mulher que entrou na minha casa tentando ser invisível agora exalava uma ferocidade que fazia o meu sangue ferver... e não era de raiva.
Foi aquilo que eu senti nela desde o primeiro momento, foi o fogo que eu vi nos olhos dela na escola da Alice, foi essa ferocidade e o jeito como ela se entrega para quem ama que me fascinou. E o Julian, que costuma intimidar homens de negócios experientes apenas com o olhar, parecia genuinamente fascinado pela resistência dela.
- Ela realmente tem garras! - O Julian comentou e eu pude ver o brilho de respeito genuíno em seus olhos quando ele suavizou o tom para garantir que não pretendia humilhar a tal Marcelina.
- Eu avisei, Julian. - Eu respondi, com um sorriso de puro orgulho escancarado no rosto. - Minha fada é perfeita. Ou como diria a Alice, ela é mágica.
O Julian deu um passo atrás, suavizando a postura agressiva. O tom dele mudou de um desafio lúdico para uma seriedade profissional que raramente ele exibia fora da empresa.
- Lorena, eu nunca permitiria que a Marcelina fosse humilhada. No entanto, pelo que eu vi naquela vila hoje, todos ali estão dispostos a proteger você. E pelo que eu estou vendo aqui agora, você se dispõem a se atirar aos leões pelos seus. Eu respeito isso. E sei que você se sacrificaria pelo Érick. - O Julian apontou.
A Lorena relaxou os ombros, mas o fogo nos olhos ainda não tinha apagado totalmente. Ela cruzou os braços, analisando Julian como se estivesse decidindo se ele merecia sua confiança.
- Sim, Julian, eu faria qualquer coisa pelo Érick, até abrir mão dele para não prejudicá-lo...
- Isso não é uma possibilidade, Lorena! - Eu decretei e ela me encarou, o fogo brilhando nos seus olhos.
Naquele momento eu queria colocar o Julian pra fora, jogar a minha fada sobre a mesa do escritório e mostrar a ela que não havia maneira nenhuma de sobrevivermos um sem o outro.
- E qual é o plano, exatamente? - Ela perguntou, a voz mais suave, mas não tanto. - Sem humilhações, Julian. Estou falando sério.
- Lorena, nós não vamos atirar a Marcelina nisso às cegas. Não vamos atraí-la para uma armadilha. - O Julian continuou e a Lorena tirou os olhos de mim com certa relutância. - Nós vamos propor a ela que nos ajude com esse plano. Ela decide se ela quer nos ajudar ou não.
- Eu não gosto disso, Julian! - A Lorena bufou e cruzou os braços. - Mas vai, tenta me convencer.
- O plano é o seguintem nós convidamos a Marcelina para um jantar "íntimo". A Adelaide estará servindo. Durante a refeição, vamos tratar a Marcelina como se ela fosse a pessoa mais importante da sala. Vamos deixar a Adelaide em choque com a liberdade dela. E aí, no auge do desconforto da governanta, nós plantamos a semente. - O Julian falou empolgado.
- Não sei não, Julian. Isso parece só uma exibição da Marcelina para irritar a Adelaide. Eu não quero expor a Lina a isso. - A Lorena ainda não estava convencida.
- Lô, a Marcelina vai deixar a Adelaide no limite do desespero, imagina a Adelaide, com toda a sua arrogância, servindo a Marcelina e com a iminência da Marcelina ser uma convidada constante nesta casa. - O Julian sugeriu.
- Se ela é amiga da minha fada, ela será uma convidada constante nessa casa, Julian. - Eu avisei displicentemente e recebi um olhar da Lorena com um misto de surpresa, gratidão e amor que me colocaria de joelhos.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite