"Lorena"
O som da gargalhada do Érick ainda ecoava pelas estantes de madeira do escritório quando o Julian se jogou no sofá de braços cruzados, bufando em uma mistura de indignação e divertimento.
- Ria mesmo, Albelini. Ria da infelicidade do seu melhor amigo. - O Julian resmungou, embora o brilho em seus olhos o traísse. - Aquela mulher não é uma "tempestade", Lorena. Ela é um evento apocalíptico. Eu sinto isso. Ela não teve a menor piedade em me dar um corte.
- O que posso dizer, Julian? - Eu o provoquei, sentindo um alívio genuíno ao ver o clima tenso se dissipar. - A Lina tem um radar para homens que se acham irresistíveis demais. Ela mesma te disse, ela não se impressiona com ternos caros e rostinhos bonitos.
- Ela disse isso? - O Érick perguntou com um largo sorriso e eu fiz que sim. Ele deu outra risada. - Só podia ser sua amiga mesmo. Julian, não desanime, essas mulheres gostam de nos ver suando um pouco antes de dar qualquer abertura. Minha fada fez pior comigo.
- Suando, Albelini? Eu estou quase desidratado! - O Julian rebateu, arrancando mais um riso do Érick.
O Érick me puxou para mais perto, o braço envolvendo meus ombros.
- Eu já gosto dela. - O Érick declarou e eu o encarei surpresa. - Ela é o tipo de caos que vai dar uma bagunçada na vidinha organizada do Julian e vai fazê-lo parar de achar que a vida é um contrato de fusão e aquisição. Agora, fada... pegue o celular. Vamos ver se você tem mais sorte que esse pobre coitado. Ligue para a sua amiga, eu quero convidá-la para esse jantar.
- Vo-você? - Eu estremeci. Era tudo o que me faltava o Érick conversar com a Marcelina antes que eu pudesse prepará-la.
- Eu mesmo. Faço questão. Algum problema? - Ele estudou o meu rosto por um momento.
- Não... nenhum. - Eu respondi sem alternativa e peguei o telefone.
Eu segurava o celular como se ele fosse uma granada prestes a explodir. Olhei para o Érick e para o Julian, que estavam sentados à minha frente com expressões de expectativa quase infantis.
- Vocês têm certeza disso? - Eu perguntei, o dedo pairando sobre o nome da Marcelina. - A Lina não tem filtro, Érick. Ela pode dizer qualquer coisa.
- É exatamente por isso que ela é perfeita, Lolô. - O Julian respondeu, ajeitando-se no sofá com um sorriso ansioso. Parecia um filhotinho animado. - Coloca no viva-voz.
Eu respirei fundo e disquei. No terceiro toque, a voz estridente e alegre da Marcelina preencheu o escritório.
- Lô! Já está com saudades da sua "best"? Ou o gostosão aprontou alguma, tipo aquele dia que ele te pegou no balcão da cozinha e te deixou de pernas bambinhas? Ou... não vai me dizer que o boy gato que veio aqui hoje falou pro gostosão que eu sou péssima influência pra você e ele te trancou na gaiolinha de ouro?
- No balcão da cozinha, Albelini? - O Julian perguntou quase em tom de reverência.
- Ficou de pernas bambas, minha fada? Você não me disse isso. - O Érick estava sorrindo como um bobo.
Eu fechei os olhos, sentindo meu rosto esquentar. O Érick soltou uma risada abafada ao meu lado e o Julian parecia que ia explodir de tanto rir.
- Lina, você está no viva voz. - Eu avisei rapidamente, tentando conter o estrago. - O Érick e o Julian estão aqui comigo.
Houve um segundo de silêncio do outro lado e então uma gargalhada deliciosa, daquelas que dão na gente vontade de rir junto.
- Ah, que maravilha! Oi, Albelini! Você tem todo direito de ser convencido, ela sempre fica de pernas bambas. - A Marcelina deu uma risada. - Já o seu amiguinho... oi, baby, não me diga que foi pedir ajuda ao seu amiguinho pra conseguir o meu número? - A Marcelina perguntou toda espivitada.


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