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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 137

"Adelaide"

Meu coração batia tão forte contra as costelas que eu tinha medo de que o som denunciasse minha posição atrás daquelas portas duplas. Minhas mãos, ainda enluvadas com o branco que agora me parecia um símbolo de martírio, apertavam a bandeja vazia.

Eu havia passado a tarde tendo que aguentar a Lorena nos meus ouvidos, exigindo tudo do bom e do melhor, dizendo como eu tinha que fazer o meu trabalho. Ela andava atrás de mim dando ordens e rearrumando pequenos detalhes com uma elegância irritante. Como se realmente fosse uma dama.

Mas eu estava sendo ultrajada! Imagina, eu, que era a governanta desta casa há anos, agora recebia instruções de hotelaria de uma menina que mal sabia segurar um garfo de peixe e fingia ser da nobreza. Eu estava no meu limite, a ponto de torcer o pescoço daquela mulher. O pior de tudo era que eu sabia que o pior estava por vir. E o desastre chegou em um táxi amarelo e barulhento.

Eu estava no hall quando a porta se abriu. O que vi queimou os meus olhos, era uma afronta a classe e elegância. Aquela mulher entrou como se fosse a dona do quarteirão. E o seu vestido era tão justo que eu me perguntava como ela conseguia respirar. E ainda tinha o decote e aquela fenda que parecia que era o vestido se descosturando inteiro, prestes a cair do corpo dela.

E ainda teve a chegada do Sr. Beaumont e depois do Sr. D'Ávila e aquela mulher mundana enfeitiçou os dois. Sem contar aquele maldito chiclete, eu terei pesadelos com chicletes para todo o sempre! Eu sentia o meu estômago revirar. O circo tinha chegado à Mansão Albelini e eu era a única que parecia perceber o perigo.

Eu já sentia o peso da humilhação e a noite mal tinha começado. Mas nem tudo estava perdido. Aquela coisa barulhenta que a impertinente da Lorena chamava de amiga era como toda mulher sem classe, totalmente indiscreta. Não demorou para que começasse a falar e eu percebi que ela seria quem me daria o que eu estava procurando para acabar com essa palhaçada da Lorena Valente.

E quando o Sr. Albelini me mandou buscar mais vinho, eu sabia que ele me queria fora da sala, para que eu não ouvisse o que aquela mulher tinha a dizer. Mas para o bem dele, eu precisava saber.

E de uma coisa eu sabia, no fundo do meu âmago, eu sempre soube que aquela Lorena era uma praga enviada para destruir a linhagem Albelini.

Eu encostei o ouvido na fresta da porta, prendendo a respiração e ouvindo atentamente cada palavra. A voz do Sr. Julian soava grave, desprovida de qualquer vestígio do flerte nojento que ele estava trocando com aquela... aquela mulher roxa de fenda infinita.

Mas o que eu acabara de ouvir superava os meus piores pesadelos. Cinco milhões. Certidão de casamento. Não era possível.

- Cinco milhões? - A rainha da vulgaridade embalada a vácuo sussurrou em pânico. - Lô, o Albelini não pode tirar tanto dinheiro da Holding sem que o Conselho perceba! Isso é crime, não é? Desvio de verba?

- Se for para salvar a Lorena de um escândalo de bigamia e manter esse canalha longe, eu desvio a Holding inteira se for preciso. - O Sr. Albelini sentenciou, batendo a mão na mesa tão forte que eu ouvi os cristais tilintarem. - Agora vamos deixar esse assunto de lado, Marcelina, o jantar não é o melhor momento para discutí-lo.

Capítulo 137: Enquanto isso, atrás da porta... 1

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