"Érick"
Eu acordei sentindo cada músculo do meu corpo cobrar o preço da noite anterior. A Lorena não tinha apenas me possuído de um jeito primitivo, ela tinha me marcado como território conquistado. Ao passar a mão pelo pescoço, eu senti o relevo das marcas que ela deixou, marcas que estavam espalhadas por todo o meu corpo e um sorriso involuntário surgiu no meu rosto. Eu era um homem devastado, e nunca me senti tão poderoso. Aquela mulher podia me dar o céu e o inferno.
A Lorena já havia se levantado e como ela conseguiu sair da cama tão cedo depois de foder o meu juízo e o meu corpo de muitas maneiras diferentes e em vários cantos daquele escritório, eu não sabia.
Eu desci para o café da manhã ainda abotoando os punhos da camisa, mas decidi deixar o colarinho aberto para ostentar as minhas marcas de posse. Se a Adelaide queria um escândalo, eu daria um banquete a ela.
Ao entrar na sala de jantar, eu parei no portal. O cenário era digno de uma pintura surrealista. A Lorena estava sentada à cabeceira da mesa, no meu lugar, usando apenas um biquíni minúsculo turquesa e uma canga de seda amarrada frouxamente na cintura. À sua esquerda a Marcelina ria, não mais vestida do que a minha mulher, mas o seu biquini era de um verde lima extravagante. Os óculos escuros estavam sobre a mesa e elas conversavam como se estivessem em uma praia em Ibiza, e não no meio da disputa pelo império Albelini.
- Meu amor, você acordou! - A Lorena se levantou e veio até mim, passando os braços no meu pescoço e ficando na ponta dos pés para me beijar.
- Fada... como você quer que eu vá trabalhar e deixe você aqui vestida assim? - Eu perguntei a segurando pela cintura. - Se bem que você nem está vestida.
- Não seja bobo! Você vai trabalhar normalmente, só vai ficar pensando no meu corpo naquela piscina e depois estendida na espreguiçadeira... - Ela estava me provocando descaradamente.
- Continua e a única coisa que você vai aproveitar é o meu corpo sobre o seu na nossa cama. - Eu grunhi no seu ouvido.
- Não é má ideia. - A Lorena me respondeu com um beijo no meu pescoço.
- Ei, vocês dois, eu estou aqui! - A Marcelina chamou a nossa atenção com um sorriso de quem estava se divertindo com a cena.
- Bom dia, Marcelina. Dormiu bem? - Eu perguntei com um sorriso.
Eu dei um beijo na cabeça da Lorena e a soltei para me sentar no lugar que ela geralmente ocupava, mas ela me puxou, me fez sentar no meu lugar de sempre e se sentou no meu colo com uma naturalidade que me impressionou.
- Vou alimentar você, Albelini. Você gastou muita energia na noite passada. - A Lorena avisou, enchendo a taça de suco de laranja e levando a minha boca.
- Ah, tão fofinhos! - A Marcelina riu, mas então estreitou os olhos como se quisesse ver melhor, se levantou e ergueu o meu queixo com um dedo. - Albelini, olha esse pescoço! Lô, minha amiga, você deu um chá nesse homem daqueles que não se esquece!
E nesse momento a Adelaide entrou, carregando uma bandeja de prata com frutas. O som do metal batendo no aparador foi o sinal de que o choque dela tinha atingido o nível crítico. Ela alternava o olhar entre as coxas expostas da Marcelina, a Lorena sentada no meu colo e o meu pescoço, onde as manchas roxas eram impossíveis de ignorar.
- É, Marcelina, sua amiga me pegou de jeito. Sorte sua que foi no escritório ou você não teria dormido e estaria com olheiras como a Adelaide. - Eu comentei com um meio sorriso e a Marcelina deu aquela gargalhada alta e contagiante.
- Tem razão, amor... você não dormiu bem, Adelaide? Deveria ter tomado um leite morno com canela, sempre ajuda. - A Lorena falou com a voz doce e um sorriso meigo, mas ela sabia exatamente o que tinha tirado o sono da Adelaide.


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