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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 141

"Érick"

Lorena não tinha a menor intenção de sair do meu colo e eu estava mais do que satisfeito com aquilo. A Adelaide tentava, sem sucesso, manter o rosto impassível, mas seu choque era palpável. Para ela, ver Lorena de biquíni no meu colo, exibindo uma autoconfiança quase mundana, era o sinal do fim dos tempos. Para mim, era o início da minha era favorita.

O café da manhã não tinha cheiro de café e torradas, tinha cheiro de pólvora e satisfação. Eu não podia negar que toda aquela agitação estava me divertindo e receber notícias que poderiam desarmar o Conselho me deixava ainda mais bem humorado.

- Minha fada, vamos deixar o relatório do Baby para depois do café. Eu quero continuar saboreando esse momento com você. - Eu sugeri, com os olhos presos na Lorena, que levava um pedaço de fruta à boca com uma lentidão torturante.

O Julian, que parecia estar à beira de um colapso nervoso enquanto Marcelina ria de alguma bobagem que o Andrey falou em seu ouvido, jogou a pasta sobre a mesa. Seus olhos encontraram os meus, e havia um brilho de triunfo sombrio ali.

Entre provocar descaradamente a Adelaide e tomar o café da manhã, o clima ali era de férias em um paraíso ensolarado. Mas assim que terminamos o café, eu tirei a Lorena do meu colo e convidei os outros para o escritório.

- Você não vem, tentação? - O Andrey perguntou para a Marcelina, que desenrolava um chiclete sorridente e colocava na boca.

- Não, Tigrão. Eu vou ficar aqui e dar umas dicas de maquiagem para a Adê. - A Marcelina respondeu.

- Adê? - O Julian perguntou confuso.

- Sim, a Adê, a minha mais nova amiga simpática aqui. - A Marcelina respondeu, se levantando e passando o braço pelos ombros da Adelaide. - Esses olhos de panda, Adê, não ficam bem em você!

Eu saí da sala de jantar rindo, eu nunca tinha conhecido alguém como a Marcelina, e eu tinha certeza que ela levaria a Adelaide a um ataque de nervos. Mas uma coisa eu tinha certeza, a Marcelina não ficou colada na Adelaide para dar dicas de maquiagem, mas sim para que nós pudéssemos conversar.

- Você e a Marcelina formam uma grande dupla, Lolô. - O Andrey comentou assim que entramos no escritório. - Vocês se conhecem há muito tempo?

- Um tempo. Desde que a minha vida virou de pernas para o ar. Mas é como se eu a conhecesse a vida toda. - A Lorena sorriu.

- É, vocês duas juntas podem fazer um bocado de estrago. - O Andrey riu e perguntou ansioso: - E aí, quem você acha que tem mais chance, o bebê chorão ali ou eu?

- Eu espero que nenhum dos dois para o bem dela. - A Lorena deu um passo para se sentar, mas eu a segurei e puxei para o meu colo.

- Vem cá, Fada, gostei desse novo lugar que você encontrou para se sentar. - Eu falei para ela que ficou vermelha.

- Érick... os seus amigos! - Ela apontou como se me chamasse a atenção. - Isso foi só para irritar a Adelaide.

- Eu tenho medo que a Adelaide não sobreviva até o fim do dia para ver o nosso plano dar certo. - Eu ri, mas a mantive no meu colo. - O que diz o seu relatório, Julian?

- Lolô, você me disse que queria o submundo, uma amante é só arranhar a superfície. - O Julian se recostou muito satisfeito. - Claro, é uma amante que vai deixar o Conselho e a família do Simão completamente perturbados, mas no final do dia seria só uma amante.

- E ele convenceria a todos que foi seduzido, o coitadinho. - O Andrey tinha um sorriso enorme e não escondia a ansiedade de contar o que haviam descoberto.

- O que é, então? Ele tem duas amantes? - A Lorena perguntou.

- Não, esse é o caso do outro conselheiro. - O Julian suspirou.

- Não vai me dizer que ele tem uma amante e é gay, Julian. - A Lorena piscou confusa.

- Não, o gay é o outro... quarenta anos de casado e por fora sustentanta rapazotes para o seu bel prazer. - O Julian balançou a cabeça. - Cara, eu pensava que os libertinos da empresa éramos nós três, mas parece que nós somos os mais sérios.

A Loreana e eu nos entreolhamos, eu estava tão chocado quanto ela. Eu nunca imaginaria que aqueles homens do Conselho, todos com mais de sessenta anos, casados com senhoras respeitáveis, tivessem tanta sujeira debaixo do tapete.

- Ah, claro, nós temos o suggar daddy e o mais enfadonho de todos, o que desvia pequenas quantidades de dinheiro da empresa e sonega impostos. - O Andrey contou.

- Certo, pelo que vejo vocês já classificaram de acordo com o potencial lesivo. - Eu comentei. - E pelo jeito o Simãozinho é quem guarda o mais sórdido dos segredos. Vai, qual é o maior podre desse Conselho de merda?

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