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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 142

"Érick"

O Julian fez um silêncio dramático, daqueles que ele usa nos tribunais antes de aniquilar uma testemunha.

- O filho da Verônica... a data de nascimento, as viagens "de negócios" do Simão... e a grande quantidade de dinheiro que o Simão transfere para a Verônica desde que ela ficou grávida. Ah, claro, o fato dele ter estado na maternidade quando o garoto nasceu e ter feito um teste de DNA. Érick, há uma probabilidade de noventa por cento de que o primogênito dos Albuquerque seja, na verdade, um bastardo do líder do Conselho. Eu não vou dizer cem por cento porque o detetive ainda não conseguiu o resultado do exame.

- Aquele menino que estudava na mesma escola da Alice? - A Lorena perguntou confusa.

- Não, Lô, os Albuquerque têm um filho mais velho, um adolescente de uns dezessete anos. - Eu respondi.

- Na verdade ele acabou de fazer dezoito. - O Andrey me corrigiu.

- O Simão não tem apenas uma amante. Ele tem uma sucessão oculta. - O Julian inclinou-se para frente. - A Verônica Albuquerque engravidou dele. O filho que ela exibe por aí como um "prodígio" de futuro brilhante não é um Albuquerque. É um bastardo do Simão.

Lorena soltou um fôlego curto, os dedos apertando o meu braço. Eu mesmo estava chocado.

- O filho da Verônica... é filho do Simão? - Ela sussurrou, processando a escala do desastre. - Por isso ela tem tanto acesso ao Conselho. Por isso ele a defende com unhas e dentes.

- Exatamente. - Confirmou o Andrey, com um sorriso radiante. - O detetive conseguiu uma amostra de DNA do garoto em um clube de elite e mandou para o laboratório com o que "coletamos" do copo de whisky do Simão. Eu acho que será um "match" perfeito. Isso dá uma manchete e tanto: o puritano da cidade tem um filho bastardo e o esposo traído sabe de tudo. - O Andrey completou.

- Como assim sabe de tudo? - Eu estranhei, o Albuquerque era orgulhoso não aceitaria criar o filho de outro homem, muito menos aceitaria ser traído.

- É, eu também achei estranho e mandei investigar, mas ainda não sei sobre isso. - O Julian deu de ombros. - O que eu me lembro é que o Albuquerque se casou com a Verônica depois de um namoro relâmpago e meses depois o filho nasceu. Na época correu a fofoca de que eles se casaram tão rápido porque ela estava grávida. Mas se ele sabia que não era o pai, por que ele se casou?

- Essa é uma fofoca que eu vou querer saber o final. - Eu respondi.

A Lorena sorriu. Não era o sorriso da babá doce, era o sorriso da jogadora que estava no campo de batalha. Ela olhou para os rapazes e depois para mim.

- Então a Verônica não quer apenas vingança. - A Lorena comentou com um brilho de compreensão no olhar. - Ela quer garantir o poder para ela ou para o filho do amante usando a "moralidade" do Conselho para te expulsar. Porque se te derrubarem, quem assume é o Simão, certo?!

- Esse é o plano do Conselho, pelo que eu fiquei sabendo. - O Andrey concordou. - E o filho legítimo do Simão é um imprestável. É, Lolô, você não é só um rostinho bonito.

Eu senti uma onda de poder genuíno percorrer meu corpo. Olhei para as fotos do Simão sobre a mesa, aquele homem que passava as manhãs na igreja e as tardes tentando me dar lições de ética, e o vi pelo que ele realmente era: um castelo de cartas prestes a desmoronar.

- Espera, Lolô, eu vou com você. - O Andrey se levantou apressado, quase pisando nos pés do Julian, que revirou os olhos, mas se levantou e antes de sair parou na minha frente.

- Devemos parar com as aquisições das ações, Érick? - O Julian perguntou muito seriamente. - É um plano muito arriscado... uma flutuação do mercado e nós estaremos acabados.

- Não, Julian, continue. Eu quero o controle da empresa de volta, só você, o Andrey e eu, sem conselhos que acham que podem dar um golpe. Nós estamos indo para o tudo ou nada... e eu quero tudo! - Eu cravei a minha decisão e não voltaria atrás.

O Julian me encarou por um longo segundo. Ele conhecia o peso daquela ordem. Estávamos jogando com o patrimônio de gerações, usando o mercado como um tabuleiro de roleta russa. Mas ele apenas assentiu, um sorriso de lado surgindo em seu rosto.

- Tudo ou nada. Entendido, Albelini. Mas vou fazer isso amanhã, porque hoje, eu vou passar o dia na piscina. - Ele sorriu cheio de intenções. - E você deveria fazer o mesmo.

- Nós precisamos aparecer na empresa pelo menos agora de manhã. - Eu o lembrei e ele bufou, revirando os olhos como um adolescente.

Ele saiu, fechando a porta com um clique seco. Eu fiquei sozinho no escritório, o silêncio sendo preenchido apenas pelo som da minha própria respiração. O plano era perigoso. O escândalo do Simão era a nossa espada, mas o mercado de ações era o campo minado.

Eu sorri, ajustando o relógio no pulso. O jantar anual do Conselho não seria uma reunião de negócios. Seria o velório deles. E eu mal podia esperar para ver a Lorena dar o primeiro golpe na tampa do caixão. Eu jogaria a última pá de terra com a notícia de que o Conselho nao existia mais no Grupo Albelini.

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