"Érick"
O Julian fez um silêncio dramático, daqueles que ele usa nos tribunais antes de aniquilar uma testemunha.
- O filho da Verônica... a data de nascimento, as viagens "de negócios" do Simão... e a grande quantidade de dinheiro que o Simão transfere para a Verônica desde que ela ficou grávida. Ah, claro, o fato dele ter estado na maternidade quando o garoto nasceu e ter feito um teste de DNA. Érick, há uma probabilidade de noventa por cento de que o primogênito dos Albuquerque seja, na verdade, um bastardo do líder do Conselho. Eu não vou dizer cem por cento porque o detetive ainda não conseguiu o resultado do exame.
- Aquele menino que estudava na mesma escola da Alice? - A Lorena perguntou confusa.
- Não, Lô, os Albuquerque têm um filho mais velho, um adolescente de uns dezessete anos. - Eu respondi.
- Na verdade ele acabou de fazer dezoito. - O Andrey me corrigiu.
- O Simão não tem apenas uma amante. Ele tem uma sucessão oculta. - O Julian inclinou-se para frente. - A Verônica Albuquerque engravidou dele. O filho que ela exibe por aí como um "prodígio" de futuro brilhante não é um Albuquerque. É um bastardo do Simão.
Lorena soltou um fôlego curto, os dedos apertando o meu braço. Eu mesmo estava chocado.
- O filho da Verônica... é filho do Simão? - Ela sussurrou, processando a escala do desastre. - Por isso ela tem tanto acesso ao Conselho. Por isso ele a defende com unhas e dentes.
- Exatamente. - Confirmou o Andrey, com um sorriso radiante. - O detetive conseguiu uma amostra de DNA do garoto em um clube de elite e mandou para o laboratório com o que "coletamos" do copo de whisky do Simão. Eu acho que será um "match" perfeito. Isso dá uma manchete e tanto: o puritano da cidade tem um filho bastardo e o esposo traído sabe de tudo. - O Andrey completou.
- Como assim sabe de tudo? - Eu estranhei, o Albuquerque era orgulhoso não aceitaria criar o filho de outro homem, muito menos aceitaria ser traído.
- É, eu também achei estranho e mandei investigar, mas ainda não sei sobre isso. - O Julian deu de ombros. - O que eu me lembro é que o Albuquerque se casou com a Verônica depois de um namoro relâmpago e meses depois o filho nasceu. Na época correu a fofoca de que eles se casaram tão rápido porque ela estava grávida. Mas se ele sabia que não era o pai, por que ele se casou?
- Essa é uma fofoca que eu vou querer saber o final. - Eu respondi.
A Lorena sorriu. Não era o sorriso da babá doce, era o sorriso da jogadora que estava no campo de batalha. Ela olhou para os rapazes e depois para mim.
- Então a Verônica não quer apenas vingança. - A Lorena comentou com um brilho de compreensão no olhar. - Ela quer garantir o poder para ela ou para o filho do amante usando a "moralidade" do Conselho para te expulsar. Porque se te derrubarem, quem assume é o Simão, certo?!
- Esse é o plano do Conselho, pelo que eu fiquei sabendo. - O Andrey concordou. - E o filho legítimo do Simão é um imprestável. É, Lolô, você não é só um rostinho bonito.
Eu senti uma onda de poder genuíno percorrer meu corpo. Olhei para as fotos do Simão sobre a mesa, aquele homem que passava as manhãs na igreja e as tardes tentando me dar lições de ética, e o vi pelo que ele realmente era: um castelo de cartas prestes a desmoronar.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite