"Marcelina"
Um pequeno furacão de cabelos escuros passou correndo pela porta de vidro vindo de dentro da casa e se atirou sobre a Lorena na espreguiçadeira, quase derrubando os seus óculos escuros.
- Ai, minha menina linda, eu também senti mutia saudade! - A Lorena a abraçou apertado e a segurou no colo como algo muito precioso.
- Olá, garotas! - A voz suave e aristocrática ecoou pela varanda. A senhora se aproximou com um sorriso aberto. - Quando o Érick me contou que vocês aproveitariam a piscina eu quase não acreditei que finalmente ela seria inaugurada. Espero que vocês não se importem se a Alice e eu nos juntarmos a vocês.
Eu voltei os meus olhos para a casa e no segundo em que vi a senhora elegante saindo da casa, o meu corpo tensionou, eu não esperava por aquela espectadora. Ela se aproximou, um sorriso aberto inabalável, nós nos entreolhamos por um milésimo de segundo e, entre o seu sutil erguer de queixo, respondido pelo meu aceno quase imperceptível, eu olhei de canto de olho para a Lorena que estava sorrindo para a senhora.
- D. Heloísa, claro que não! Eu fico muito feliz. - A Lorena se levantou e abraçou a senhora, enquanto a Alice olhou para mim com olhos espertos e uma risadinha traquina. - D. Heloísa, Alice, essa é a minha amiga Marcelina.
- Senhora, é um prazer conhecê-la. Desculpe o traje, talvez não seja apropriado... - Eu me levantei e cumprimentei a D. Heloísa formalmente.
- Querida, se eu tivesse o seu corpo, eu usaria algo ainda menor! - A D. Heloísa confessou com uma risada. - Eu não quero atrapalhar, o Érick me ligou e contou o que está acontecendo, disse que o jantar e o café da manhã foram divertidíssimos e eu tinha que ver isso de perto. Risos nessa casa, o meu filho dando gargalhadas ao telefone... como vocês fizeram isso?
- Ah, D. Heloísa, a Lina é muito criativa. - A Lorena riu.
- Imagino as coisas que o Albelini contou. - Eu sorri um tanto sem graça. - Senhora, eu me comporto muito melhor do que estou me comportando, mas digamos que eu exagerei um pouco nos trejeitos.
- Ora, Marcelina, pois continue como está indo, pelo forma como a Adelaide me recebeu, está dando muito certo. - A D. Heloísa riu. - É um prazer conhecê-la. Eu gosto de pessoas com... personalidade. E você claramente tem muita. Além do mais o Albelini mal humorado é o meu filho.
- O prazer é meu, senhora Albelini. - Eu respondi respeitosamente, enquanto a Lorena me olhava como se estranhasse algo.
A D. Heloísa Albelini puxou uma espreguiçadeira para mais perto e se sentou com a elegância de uma rainha. Ela usava um vestido de linho claro, chapéu de abas largas e óculos escuros. E mesmo vestida tão casualmente, ela não parecia só mais uma madame, ela exalava a postura de quem comandava a família com punho de ferro.
- Lolô, eu quero nadar! Quero colocar o maiô de sereia! - A Alice começou a pular, chamando a atenção da minha amiga.
- Tudo bem, mocinha. Vamos lá dentro trocar de roupa. - A Lorena se virou para a D. Heloísa antes de sair. - A senhora aceita uma limonada? A Adelaide acabou de trazer.
- Aceito sim, querida. Vá lá. Eu faço companhia para a sua amiga. - A senhora respondeu com um sorriso.
- Já que a senhora quer a diversão... - Eu sorri e me virei para a Alice. - Lili, é o seguinte, nada que você me vir fazendo pode repetir, tá? É tudo só de brincadeira. - A mesnina fez que sim e eu me ergui, coloquei os dois dedos na boca e dei um assobio alto. Não demorou para a Adelaide aparecer na porta bufando e antes que ela se aproximasse eu gritei: - Adê, traz margaritas sem álcool pra a minha nova amiga super chique aqui e uma limonada com canudinho pra Lili, por favor.
A Adelaide voltou para dentro batendo os saltos no piso e a D. Heloísa deu uma gargalhada tão genuína que me fez relaxar.
- Lina, me ensina a fazer isso? - A Alice pediu e eu dei de ombros.

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