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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 144

"Marcelina"

Um pequeno furacão de cabelos escuros passou correndo pela porta de vidro vindo de dentro da casa e se atirou sobre a Lorena na espreguiçadeira, quase derrubando os seus óculos escuros.

- Ai, minha menina linda, eu também senti mutia saudade! - A Lorena a abraçou apertado e a segurou no colo como algo muito precioso.

- Olá, garotas! - A voz suave e aristocrática ecoou pela varanda. A senhora se aproximou com um sorriso aberto. - Quando o Érick me contou que vocês aproveitariam a piscina eu quase não acreditei que finalmente ela seria inaugurada. Espero que vocês não se importem se a Alice e eu nos juntarmos a vocês.

Eu voltei os meus olhos para a casa e no segundo em que vi a senhora elegante saindo da casa, o meu corpo tensionou, eu não esperava por aquela espectadora. Ela se aproximou, um sorriso aberto inabalável, nós nos entreolhamos por um milésimo de segundo e, entre o seu sutil erguer de queixo, respondido pelo meu aceno quase imperceptível, eu olhei de canto de olho para a Lorena que estava sorrindo para a senhora.

- D. Heloísa, claro que não! Eu fico muito feliz. - A Lorena se levantou e abraçou a senhora, enquanto a Alice olhou para mim com olhos espertos e uma risadinha traquina. - D. Heloísa, Alice, essa é a minha amiga Marcelina.

- Senhora, é um prazer conhecê-la. Desculpe o traje, talvez não seja apropriado... - Eu me levantei e cumprimentei a D. Heloísa formalmente.

- Querida, se eu tivesse o seu corpo, eu usaria algo ainda menor! - A D. Heloísa confessou com uma risada. - Eu não quero atrapalhar, o Érick me ligou e contou o que está acontecendo, disse que o jantar e o café da manhã foram divertidíssimos e eu tinha que ver isso de perto. Risos nessa casa, o meu filho dando gargalhadas ao telefone... como vocês fizeram isso?

- Ah, D. Heloísa, a Lina é muito criativa. - A Lorena riu.

- Imagino as coisas que o Albelini contou. - Eu sorri um tanto sem graça. - Senhora, eu me comporto muito melhor do que estou me comportando, mas digamos que eu exagerei um pouco nos trejeitos.

- Ora, Marcelina, pois continue como está indo, pelo forma como a Adelaide me recebeu, está dando muito certo. - A D. Heloísa riu. - É um prazer conhecê-la. Eu gosto de pessoas com... personalidade. E você claramente tem muita. Além do mais o Albelini mal humorado é o meu filho.

- O prazer é meu, senhora Albelini. - Eu respondi respeitosamente, enquanto a Lorena me olhava como se estranhasse algo.

A D. Heloísa Albelini puxou uma espreguiçadeira para mais perto e se sentou com a elegância de uma rainha. Ela usava um vestido de linho claro, chapéu de abas largas e óculos escuros. E mesmo vestida tão casualmente, ela não parecia só mais uma madame, ela exalava a postura de quem comandava a família com punho de ferro.

- Lolô, eu quero nadar! Quero colocar o maiô de sereia! - A Alice começou a pular, chamando a atenção da minha amiga.

- Tudo bem, mocinha. Vamos lá dentro trocar de roupa. - A Lorena se virou para a D. Heloísa antes de sair. - A senhora aceita uma limonada? A Adelaide acabou de trazer.

- Aceito sim, querida. Vá lá. Eu faço companhia para a sua amiga. - A senhora respondeu com um sorriso.

- Já que a senhora quer a diversão... - Eu sorri e me virei para a Alice. - Lili, é o seguinte, nada que você me vir fazendo pode repetir, tá? É tudo só de brincadeira. - A mesnina fez que sim e eu me ergui, coloquei os dois dedos na boca e dei um assobio alto. Não demorou para a Adelaide aparecer na porta bufando e antes que ela se aproximasse eu gritei: - Adê, traz margaritas sem álcool pra a minha nova amiga super chique aqui e uma limonada com canudinho pra Lili, por favor.

A Adelaide voltou para dentro batendo os saltos no piso e a D. Heloísa deu uma gargalhada tão genuína que me fez relaxar.

- Lina, me ensina a fazer isso? - A Alice pediu e eu dei de ombros.

- Um ótimo rapaz. - Foi tudo o que ela disse antes que as portas de vidro da varanda se abrissem.

O Érick vinha na frente, com o paletó pendurado no ombro e o colarinho da camisa aberto, exibindo sem pudor as marcas avermelhadas que a Lorena tinha deixado no pescoço dele na noite anterior. Mas o meu estômago deu um solavanco de verdade quando vi quem vinha logo atrás. Julian.

O terno dele estava impecável, o nó da gravata perfeito, e aquela cara de homem de negócios arrogante que me dava uma vontade absurda de cometer um pecado. Ele travou os passos na hora em que me viu estirada na espreguiçadeira de biquíni. Seus olhos desceram pelas minhas pernas com uma lentidão que fez minha pele arrepiar inteira, antes dele tentar disfarçar e recuperar a pose de bom menino.

Eu não consegui evitar. Um sorriso lento e totalmente sem vergonha se espalhou pelo meu rosto.

- Olha só quem voltou da labuta... - Eu brinquei, me derretendo inteira na cadeira enquanto olhava fixamente para o Julian. - Sentiu saudade de mim, Baby?

O Julian limpou a garganta, a mandíbula travando visivelmente, enquanto tentava manter a postura diante da D. Heloísa, completamente desestabilizado pela minha audácia.

- Mãe? - O Érick parou, surpreso ao ver a mãe ali. - Não esperava a senhora aqui hoje.

A D. Heloísa colocou os óculos escuros de volta, com aquele sorriso encantador.

- Você me ligou, querido. Eu não perderia essa diversão por nada! - A D. Heloísa respondeu alegremente.

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