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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 145

"Érick"

Eu ainda tentava processar a visão da minha mãe, D. Heloísa Albelini, sentada confortavelmente em uma espreguiçadeira, rindo com a Marcelina, quando Julian deu um passo à frente, visivelmente tenso. Ele tentava manter a pose de seriedade e cavalheirismo que encantava a minha mãe, mas a forma como seus olhos devoravam as pernas da Marcelina e como ele travou o maxilar quando ela o chamou de "Baby" na frente da mulher que ele respeitava como se fosse a própria mãe foi cômica.

- D. Heloísa. - O Julian cumprimentou, curvando a cabeça com um respeito quase formal demais, tentando desesperadamente recuperar a dignidade. - Não sabia que a senhora estaria aqui.

- Eu vim trazer a minha neta, Julian. E ver de perto o "tsunami" que o meu filho me descreveu pelo telefone. - Ela respondeu, com um sorriso enigmático por trás dos óculos escuros.

A porta de vidro se abriu novamente e a Lorena surgiu, segurando a mão da Alice, que já vestia um maiô multicolorido que tinha uma sainha parecendo uma cauda de peixe. A Lorena congelou por um segundo ao me ver ali e um sorriso lento se desenrolou em seus lábios.

- Papai! Juju! Olha o meu maiô de seria! - A Alice correu e se atirou nos meus braços. - Nós vamos nadar papai. - Ela contou extasiada. - Você vai nadar com a gente?

Eu a levantei, rindo, mas meus olhos estavam fixos na Lorena que se aproximou devagar. Eu senti o calor invadir o meu peito, vendo a facilidade com que ela se integrava à minha família. Olhei para a minha mãe, que observava Lorena com uma aprovação silenciosa que não passou despercebida por mim.

- Claro, pequena, eu voltei mais cedo justamente para isso. - Eu dei um beijo na Alice e a coloquei no chão, no momento em que a Lorena se aproximou. - Oi, fada! - Eu segurei a sua cintura e dei um beijo leve e rápido nos seus lábios.

- Oi, amor. - Ela falou baixinho, só pra mim.

Nesse momento a Adelaide se aproximou, parecendo ainda mais emburrada que durante o café. Ela trazia uma bandeja com margueritas e uma jarra de suco de limão. Minha mãe pegou uma taça e sorveu um longo gole. A Adelaide deixou a bandeja sobre a mesa e se retirou. A Marcelina deu uma olhadinha para a Lorena e um sorrisinho de quem ia aprontar.

- Dispensou o chá da tarde, mãe? - Eu perguntei curioso, ela não era dada a tomar drinques tão cedo.

- São margueritas sem alcool, Albelini. - A Marcelina respondeu. - São refrescantes, vocês deveriam experimentar. Vou pedir para a Adê trazer mais.

- Não precisa se incomodar, Marcelina, eu vou até a cozinha. - Eu respondi, tentando não incomodá-la.

- Que nada, a Adê e eu temos um lance. - A Marcelina riu e sem que eu esperasse colocou dois dedos na boca e assobiou, me deixando estupefato. A Adelaide estava abrindo a porta e estremeceu, se virando devagar. - Adê, os rapazes também querem margueritas sem álcool, você pode trazer, por favor? - A Marcelina gritou e sorriu. Eu tinha certeza que a Adelaide estava resmungando qualquer xingamento.

- Lô, ela fez isso mesmo? - Eu me virei para a Lorena entre chocado e divertido.

- Passou o dia chamando a Adelaide desse jeito. - A Lorena riu.

Quando o Andrey atravessou as portas da varanda, eu ainda estava processando o assobio e a marguerita sem álcool que a Lorena colocou na minha mão antes de se sentar com a Alice. Mas agora também estava diante de um Andrey vestindo uma bermuda caqui e camisa de linho branca, prontinho para se jogar na espreguiçadeira mais próxima da Marcelina.

- O que eu perdi? - O Andrey se aproximou.

Capítulo 145: Visita indesajada 1

Capítulo 145: Visita indesajada 2

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