"Érick"
Eu olhei para a Lorena. Ela estava sorrindo de lado, completamente segura. O Simão apertou a mão dela, um olhar avaliativo em seu rosto.
- Realmente você é muito bonita. Uma mulher capaz de fazer um homem perder a cabeça. - O Simão comentou e eu queria arrancar a cabeça dele por olhar para ela daquela forma.
- Se é um elogio, senhor, não foi muito educado. - A Lorena continuou sorrindo. - Mas eu garanto que não tem ninguém aqui perdendo a cabeça.
- Ah, minha cara, não é isso que os boatos que circulam na empresa dizem. - O Simão aproveitou a deixa. Ele estava muito seguro, as mentiras que plantamos para a Adelaide o estavam enchendo de confiança.
- Boatos, Simão? Eu administro uma Holding multibilionária, não um clube de fofocas. - Eu respondi sem conseguir conter a minha irritação.
- Não brinque com isso, Albelini. - O Simão subiu o tom, a arrogância de quem achava que tinha a nossa cabeça em uma bandeja transbordando em sua voz. - O Conselho está preocupado com o seu futuro. E com o futuro da holding. O que chegou a nós é muito sério.
- Sério, Simão, é você achar que pode me controlar e que pode invadir a minha casa para intimidar a minha mulher. - Eu me aproximei dele. - Quer esclarecer boatos? Marque uma reunião. No escritório. E se não tem mais nada a dizer, saia da minha casa e só ouse voltar a pisar aqui se for convidado, o que eu duvido que eu faça.
- Albelini, você precisa realmente colocar a cabeça no lugar. - O Simão se virou para a minha mãe e fez um aceno de cabeça antes de se virar. - Nos vemos no escritório pela manhã, Albelini.
O Simão se retirou, escoltado pelo Julian, que trocou um olhar comigo como quem dissesse "vou ficar de olho até vê-lo pelas costas".
- Adelaide! - Eu chamei assim que ela se virou para sair. Ela voltou e parou em minha frente. Eu me aproximei e falei baixo: - Da próxima vez que alguém que não seja da família ou um amigo que frequenta esta casa passar do hall de entrada sem a minha autorização ou da Lorena, eu vou te colocar na rua e pode ter certeza de que ninguém mais vai contratá-la. Entendeu? - Eu perguntei, a voz como um sussurro gélido.
Ela empalideceu e nem teve voz para me responder. Virou-se depois de uma concordância trêmula e desapareceu pelas portas francesas da varanda. Eu me virei para a minha mãe, sabendo que a Adelaide estava se tornando perigosa demais, mas agora eu teria que mantê-la sob rédea curta e me preparar para enfrentar o Simão no dia seguinte.
O silêncio que se instalou na área da piscina era pesado. O Andrey se aproximou da Marcelina que se afastou com a Alice e estava brincando com ela na borda da piscina, mantendo a minha filha protegida da maldade do Simão.
- O velho cruzou a linha. - O Julian comentou, retornando ao pátio com os punhos cerrados ao lado do corpo. - Invadir a mansão? Ele está confiante demais, Érick. O que será que ele realmente queria aqui?
- O que você faria no lugar dele, Julian? Qual seria o jeito mais rápido de se livrar de uma "golpista" sem me confrontar diretamente? - Eu encarei o meu amigo.
- Você acha que ele ia chantagear a Lorena? - O Julian estava começando a entender.
- Eu tenho certeza que ele ia oferecer dinheiro para ela desaparecer, propondo não me atacar. - Eu respondi.



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