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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 147

"Érick"

A sala de reuniões do Grupo Albelini exalava cinismo e frieza disfarçados de solenidade e bons modos. Totalmente o oposto do clima em minha casa no dia anterior, caloroso, feliz, agradável, apesar da visita desagradável do Simão e do azedume da Adelaide. Mas ali, naquela sala de reunião, eu não era o Érick que sorria, ali eu era o Albelini que conduzia os negócios com punhos de ferro.

Os membros do Conselho já estavam todos posicionados ao redor da imensa mesa. Na cabeceira, o Simão exibia um sorriso vitorioso e quase condescendente, a personificação da soberba de quem acreditava ter um poder que lhe permitia tudo e que não poderia ser tirado dele. Eu me sentei na ponta oposta, com o Julian à minha direita e o Andrey à esquerda. Eu estava apenas esperando o circo começar.

- Albelini, eu agradeço por ter comparecido a esta convocação de urgência antes do nosso jantar anual. - O Simão começou, limpando a garganta e assumindo o tom de sobriedade para manter as aperências, afinal, ele era o "todo poderoso magnânimo".

- Você disse que era urgente, eu não ignoraria uma emergência na minha empresa. - Eu respondi sem manifestar nenhuma emoção.

- Sim, é urgente. O Conselho recebeu denúncias e documentos preliminares alarmantes sobre a sua conduta pessoal e a gestão financeira da holding. Assuntos que tornam a sua permanência na presidência insustentável.

- Ora, Simão, não seja tímido. Compartilhe com todos nós que tipo de fofoca você anda ouvindo. - Eu respondi, apoiando os cotovelos na mesa com total desdém.

- Esse seu comportamento é um grande problema, Albelini. Você deveria levar as coisas a sério. - O Simão inflou o peito, abrindo uma pasta cinza e olhando ao redor para garantir o apoio dos outros conselheiros. - Nos tempos do seu pai...

- Os tempos do meu pai já passaram, Simão. Não seja saudosista ou vão pensar que você está perdendo o jeito e que você não está mais em condições de estar à frente do Conselho. - Eu ergui os cantos da boca, com uma leve diversão em ver o Simão quase engasgar com a minha insinuação.

- Minha conduta não está sendo questionada, Érick. Já a sua, com os fatos que chegaram a nós, nos preocupa muito. - O Simão sugeriu.

- Simão, nós temos mais o que fazer, vá logo ao que interessa. - O julian se antecipou.

- Nós descobrimos que a sua candidata a noiva, a Srta. Lorena Valente, é legalmente casada com um golpista chamado Carlos Eduardo. O mesmo que supostamente deu um golpe financeiro e a deixou com as dívidas. Ao que parece isso foi uma armação dos dois para confundir os credores e as autoridades e conseguirem fugir primeiro um, depois a outra. Mais do que isso: temos os registros de que você vem utilizando contas reservas do Grupo Albelini para desviar milhões de dólares em subornos para comprar o silêncio desse homem. Isso é fraude, desvio de fundos e crime federal, Érick. Mas nós estamos dispostosd a abafar o caso, desde que você... e os seus dois homens de confiança aí... se afaste da empresa. O Conselho vai assumir daqui.

Murmúrios chocados correram entre os lobos do Conselho. Alguns balançavam a cabeça em negação, olhando para mim como se eu já estivesse condenado. O devaneio do Simão tinha ido muito mais longe do que eu imaginei, ele já tinha tomado todas as decisões e aquela reunião era apenas para me comunicar que eles estvam me colocando para fora.

- Pense pelo lado bom, Érick, você vai poder aproveitar muito aquela linda piscina que você tem em casa. - O Simão não conseguiu disfarçar o sorriso de triunfo.

Mas o Julian, ao meu lado, também não. Ele soltou uma risada contida, o som ecoando de forma irônica na sala silenciosa. Ele se inclinou para a frente, abrindo a nossa própria pasta.

- Aquela piscina é realmente o ponto alto da casa, mas não estamos aqui para falar das maravilhas que um fim de tarde em família pode nos proporcionar como seres humanos. Então vamos falar das suas acusações, que aliás são gravíssimas. Conselheiro Simão, com todo o respeito ao seu papel de fiscal dos bons costumes... de onde exatamente o senhor tirou esse emaranhado de absurdos? - O Julian perguntou.

- Garoto, absurdo é o seu amigo achar que pode nos enganar. Quando vocês três ainda usavam fraldas, eu já era um homem de negócios respeitado. - O Simão respondeu.

Capítulo 147: Morderam a isca 1

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