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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 157

"Érick"

Eu olhei para as paredes sem graça do meu escritório na empresa e verifiquei a minha agenda, a holding estava sob controle, a humilhação do Simão no dia anterior ainda ecoava pelos corredores e ele ainda estava dando explicações para o restante do Conselho.

E foi por isso que eu decidi voltar para casa um pouco mais cedo. Talvez ir com a minha fada buscar a Alice, um tempo com as minhas meninas seria bom, estava tudo tão tenso nos últimos dias e ficava cada vez pior à medida que o jantar do Conselho se aproximava. E eu estava cada vez mais impaciente.

Além do mais, passar a manhã inteira longe da Lorena parecia um castigo desnecessário. Eu precisava do cheiro dela, do olhar doce que ele me dava e me desarmava e da certeza de que, apesar de toda a sujeira do Conselho, ela estava segura dentro dos meus domínios, que ninguém iria tocá-la.

Eu estacionei o carro no pátio e cruzei a porta assobiando baixo, relaxando o nó da gravata. Mas o meu bom humor evaporou no segundo em que pisei no hall e olhei em direção às escadas.

Meu motorista estava plantado no primeiro degrau, a postura rígida e os braços cruzados atrás das costas, agindo exatamente como um cão de guarda na porta de um cofre. E isso era uma grande novidade para mim.

- Alberto? - Eu dei um passo à frente, estreitando os olhos. - O que você está fazendo aí? Onde está a Lorena?

- Sr. Albelini - Ele me cumprimentou com um aceno de cabeça, descruzando as mãos com uma polidez impecável, mas sem sair do lugar. - A Srta. Lorena subiu. Ela me pediu para garantir que ninguém a incomodasse no andar de cima. Ela parecia um pouco... indisposta, senhor.

- Indisposta? - Eu franzi o cenho, sentindo uma pontada incômoda de preocupação no peito. - Aconteceu alguma coisa na escola?

- Não, patrão. Acredito que seja apenas o estresse por conta do jantar do Conselho que está se aproximando. Ela tem demonstrado muita preocupação com isso. Ela quis deitar um pouco. Eu me comprometi a garantir o sossego dela contra a Adelaide. Acho que o senhor entende.

Eu assenti, mesmo achando muito estranho que a Lorena fosse para a cama no meio da manhã.

- Se ela não está bem, Alberto, busque a Alice no colégio hoje sozinho. - Eu ordenei e ele fez que sim. - Vou ver como ela está.

Eu subi os degraus de dois em dois, o som dos meus sapatos ecoando pelo corredor silencioso. Parei diante da porta do meu quarto e segurei a maçaneta. Ela não girou. Estava trancada por dentro.

O meu alerta disparou na mesma hora. O que antes era só uma estranhesa se tornou uma preocupação monumemtal. A Lorena nunca trancava aquela porta. Uma onda de ansiedade subiu pela minha espinha. Bati na madeira com firmeza.

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