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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 158

"Érick"

A Lorena ergueu o rosto, me olhando com uma intensidade tão profunda, tão dolorosa, que deu um nó na minha garganta. Ela estendeu as mãos e tocou o meu rosto.

- Érick... me escuta. - Ela pediu, a voz firme apesar do choro, os olhos cravados nos meus com uma entrega absoluta. - Não importa o que aconteça daqui para frente, não importa o que as pessoas digam, não importa o quanto você estiver bravo... mas nunca, em toda a sua vida, nunca duvide do que eu sinto por você. E nunca duvide do amor que eu tenho pela Alice. Vocês dois são a minha vida. Eu faria qualquer coisa por vocês. Promete que não vai esquecer disso? Promete que vai sempre se lembrar que eu te amo?

- Eu prometo, Fada. Eu sei disso. E eu também te amo, mas agora se acalma, eu estou aqui com você. - Eu respondi, tocado pela força daquela declaração, inclinando para selar nossos lábios em um beijo terno, lento, que carregava todas as minhas promessas de futuro, um futuro feliz.

Eu a tirei do chão e a levei para a cama, tirei os meus sapatos, o paletó e joguei o celular sobre a mesinha de cabeceira. Eu me deitei com ela, a puxando para o meu peito e a abraçando com força.

- Vai ficar tudo bem, Fada. Daqui a pouco esse inferno acaba e nós seremos muito felizes com a nossa menina. - Eu ia falando baixinho com ela e traçando círculos em suas costas, tentando acalmá-la.

Demorou alguns minutos para que ela parasse de chorar. Ela suspirava junto ao meu peito e a sua respiração foi ficando regular. Ela estava quase dormindo. Ela precisava, parecia exausta.

O momento era perfeito, doce e íntimo, como se estivéssemos exorcizando os problemas, os mantendo do lado de fora. Mas a trégua parecia nunca durar por muito tempo.

O celular começou a vibrar sobre a mesinha ao meu lado. Eu queria ignorar, mas nós estávamos no meio de uma guerra. Eu afrouxei o abraço na Lorena, deixando um beijo na sua testa antes de pegar o aparelho e atender.

- Julian. Espero que seja importante, eu acabei de chegar em casa para o almoço e...

Eu olhei para a Lorena, no segundo em que a palavra "Julian" saiu da minha boca, ela estremeceu e o rosto dela perdeu a pouca cor que tinha.

- Érick, eu estou na sua casa, aqui embaixo. Eu preciso conversar com você imediatamente. É sobre a Lorena. - O Julian me cortou, parecendo ter uma urgência vital.

- Tudo bem, Julian. Eu estou descendo. - Eu respondi devagar, desligando o telefone enquanto pressentia que algo estava acontecendo sem que eu soubesse.

- Eu preciso ir buscar a Alice. - A Lorena tentou se levantar, mas eu a segurei e a fiz se deitar outra vez.

- Não, você vai ficar quietinha aqui. Eu já mandei o Alberto buscar a Alice e sei que ela vai chegar muito feliz por ganhar chocolates dele escondido de mim. Então você vai ficar deitada e descansar. - Eu ordenei e ela piscou algumas vezes.

- Você sabe dos chocolates?

- Eu sei de tudo, Lô. - Eu dei mais um beijo na testa dela. - Não saia dessa cama até eu voltar.

- Entendo. Então talvez a Lorena precise de uma amiga nesta casa, ao lado dela. - O Julian sugeriu.

- Parece que você já sabe do que a minha Fada precisa e me parece que a sua sugestão te beneficia bastante. - Eu dei um sorriso para ele.

- É, não vou negar que vai ser bom pra mim, principalmente se você proibir o Andrey de vir aqui. - O Julian deu um sorriso meio torto. - Érick, a Lorena vai começar a enfrentar os membros do Conselho. E no momento em que ela aparecer naquele jantar, ela vai começar a ter convites para eventos e todas aquelas coisas que as madames inventam. Eu acho que você poderia contratar a Marcelina como secretária da Lorena. A Marcelina pode ser um apoio para ela aqui, pode manter a Adelaide sob controle e pode ir com a Lorena enfrentar o Conselho.

- Olha, Julian, eu tenho que admitir, você tem seu interesse bem colocado nessa questão, mas essa ideia não é nada ruim. No meio de tanta pressão, vai ser bom para a minha Fada ter uma amiga por perto. Além do mais, a ideia de ter alguém com a Lorena quando ela encarar os membros do Conselho me tranquiliza. - Eu concordei com a sugestão do meu amigo. - Está decidido, eu vou contratar a Marcelina. Você já conseguiu o telefone dela?

- Ah, cara, aquela mulher nunca vai me dar uma chance de verdade. - O Julian lamentou, parecia realmente frustrado com aquilo e não era engraçado.

- Você pode se mudar pra cá por uns tempos. Sei lá, fala que o seu apartamento está em obras. - Eu sugeri, ele apenas me olhou enigmaticamente, mas não disse que sim. - Aliás, a Marcelina te fez esquecer a Pandora de vez?

O Julian travou com a minha pergunta e fechou os olhos.

- A Pandora não existe mais. - Ele respondeu com a voz tensa e sem humor. Me fazendo pensar sobre o que aquilo significava.

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