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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 16

"Lorena"

Enquanto eu tentava me desvencilhar dos braços do meu predador e sair do colo dele, o Julian ria do outro lado. E os mesmos três homens que os acompanhavam da primeira vez entraram no camarote.

- Ah, Érick, assim não tem graça, você não deixa a gente nem tentar se aproximar dessa capetinha. - Um dos homens reclamou em tom de brincadeira.

- Nem nos seus melhores sonhos, Andrey! - O Érick rosnou para o amigo recém chegado.

Com certa dificuldade eu consegui empurrá-lo e me levantar. Bufando enquanto passava a mão sobre aquela saia que já era pequena demais para ficar embolada.

- Contenha-se, cavalheiro, ou não me terá servindo a sua bebida outra vez! - Eu o alertei e ele sorriu, se recostando e me encarando como se me desafiasse a tentar.

Eu servi mais uma dose para o Julian e servi na sequência os três homens que haviam chegado por último, sorrindo e repetindo que eles "conheciam as regras". Cada um deixou sua nota no cós da minha saia. Eu deixei a garrafa sobre a mesa, coloquei a bandeja sob o braço e me virei para sair, mas dei de cara com a parede de músculos que era Érick Albelini.

- Você não me serviu, Scarlat. - Ele apontou com um tom ameaçador.

- Você pode se virar, cavalheiro! - Eu sutentei o seu olhar, mas foi uma péssima ideia.

Ele se curvou sobre mim, seu hálito quente soprando no meu ouvido, seu corpo colado ao meu.

- Continue me desafiando, assim você só me faz ansiar mais pelo fim da noite. - A voz dele era baixa e rouca entrando pelo meu ouvido, deixando a minha pele arrepiada, fazendo tudo dentro de mim se contorcer e me deixando quase implorando pelo fim da noite com ele.

Eu precisava me concentrar, me lembrar que na manhã seguinte eu seria a babá, me lembrar que ir para a cama com aquele homem era o pior erro que eu poderia cometer, mas também era um erro gostoso demais para que eu não quisesse cometê-lo.

E como ele parecia achar pouco tudo o que já tinha feito, ele mordeu suavemente o lóbulo da minha orelha, enviando todas aquelas sensações vertiginosas pelo meu corpo. Eu o empurrei e saí do camarote a passos rápidos. Eu precisava respirar antes de voltar para a segunda rodada.

- Morgana, me vê um balde de gelo e seis garrafas daquele champanhe vintage caríssimo. - Eu pedi ao apoiar a bandeja no balcão.

- Mulher, você esteve lá em cima por quinze minutos e já vendeu seis dessas? - Ela me encarou com os olhos arregalados e eu sorri.

- Eles ainda não sabem que as compraram, mas aqueles idiotas vão pagar qualquer coisa que eu colocar sobre a mesa deles hoje, pode apostar. - Eu respondi com uma confiança acesa pela raiva de ter permitido que o meu predador controlasse a primeira rodada.

Enquanto eu esvaziei uma garrafa de água ela encheu a minha bandeja com o balde de gelo, as garrafas e taças de um cristal finíssimo.

- Tire as taças. E me empresta aquela faca de açougueiro que você deixa aí debaixo do balcão. - Eu pedi e ela arregalou os olhos. - Relaxa, eu não vou degolá-los, embora um deles mereça.

Eu voltei para o camarote no exato momento em que eles riam e o Julian começava um assunto perigoso.

- Érick, eu vi a nova babá no escritório. De onde você tirou aquela mulher? - O Julian quis saber e eu estremeci na porta do camarote.

Eu me virei calmamente, peguei a minha bandeja vazia, enquanto ele se sentava. Antes de sair do camarote eu parei em frente ao Érick, tirei as notas do meu decote e joguei sobre o colo dele.

- Você não pode comprar o meu tempo. - Sem dar tempo de reação a ele eu me virei e saí dali.

Eu corri até o camarim e peguei o envelope com o dinheiro no meu armário, da próxima vez que eu voltasse àquele camarote, além das bebidas eu levaria o dinheiro do Érick Albelini e jogaria no colo dele. Ele entenderia de um jeito ou de outro que eu não me vendia.

- Scarlat, você está liberada por hoje! - O Barão passou por mim assim que eu saí do camarim. - Te espero amanhã.

Eu olhei para ele atordoada, com uma sensação de "déjà vu" que disparou todos os alarmes dentro de mim. O sorriso do Barão era ganancioso demais. Eu já tinha visto aquele olhar antes. Ele não estava me liberando por bondade, ele estava me entregando.

Mas eu não tive tempo de correr, antes que eu pudesse voltar a raciocinar eu fui puxada para trás de uma pilastra em um canto escuro e prensada contra ela. O cheiro da colônia cara do Érick dominou o ar em minha volta e antes que eu conectasse a minha boca com o cérebro ele estava me beijando outra vez. Foi um beijo tão pecaminoso que ele parecia querer arrancar a minha roupa ali mesmo.

- Não adianta fingir que não quer. Você queima como eu. - Ele sussurrou para mim, fazendo com que eu quase cedesse sobre minhas pernas.

- Me deixa, cavalheiro. - Eu supliquei.

- Não posso! Você me viciou e você sabe que é minha. Pra quê resistir? Vem comigo, Scarlat, só mais uma vez. - A voz dele era uma mistura de comando e insistência que me deixava zonza.

Antes que eu conseguisse reunir meus pensamentos e recusar aquela oferta que me levaria a decadência total, ele me tirou da boate e me levou outra vez para o mesmo hotel. A mesma suíte. A mesma eletricidade e desejo entre nós. Em minha mente a Lorena Valente, babá da filha daquele homem lindo, era uma lembrança distante. Ceder a ele não era só um risco muito grande, era descer completamente ao inferno e não conseguir sair de lá. Mas não ceder era impossível também!

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