"Lorena"
O som do trinco da porta da suíte ecoou como um veredito. Ali, naquele silêncio luxuoso e abafado, as batidas domeu coração pareciam ser controladas pela respiração pesada de Érick Albelini contra a minha nuca, enquanto sua mão afastava os fios da peruca do meu pescoço e ele beijava cada centímetro de pele que conseguia revelar no meu corpo.
Ele não esperou por convite ou aceitação. As suas mãos, as mesmas que me prenderam contra a pilastra da boate, agora me prendiam contra a madeira fria da porta com uma urgência que me tirava o juízo.
- Você achou mesmo que me devolver o dinheiro com um bilhetinho impresso seria a última palavra entre nós, Scarlat? Ou que me faria desistir jogando as notas em mim? - A voz dele era um rosnado baixo, vibrando contra a minha pele, enquanto seus lábios buscavam o ponto sensível logo abaixo da minha orelha. - Péssima notícia pra você, anfitriã, eu não desisto do que eu quero!
Eu arfei, tentando desesperadamente buscar uma resposta coerente em minha mente, mas era impossível com aqueles beijos provocantes, a voz sedutora e o calor do corpo dele atravessando o couro do meu corselet como se ele nem existisse.
- Eu não aceito devoluções. - Ele sussurrou, repetindo a frase do guardanapo enquanto suas mãos desciam possessivamente pelos meus quadris, apertando-me contra a evidência da sua excitação. - Você diz que o seu tempo nao está a venda, Scarlat, pois então, agora que me viciou no seu veneno, não pode negar sustentar o meu vício.
Ele me virou de frente com um movimento brusco, e o azul dos seus olhos, iluminados por um fraca luz indireta no quarto, estava obscurecido por um desejo intenso e selvagem que me fez tremer. Aquele homem não queria apenas prazer, ele queria rendição. Ele queria provar que, por baixo daquela peruca colorida e do cheiro amargo de absinto, eu queimava na mesma intensidade que ele.
- Pare de falar, cavalheiro, você me arrastou até aqui, então faça o meu tempo valer a pena, cada segundo. Cumpra a sua promessa de me queimar no seu fogo. - Eu o desafiei, minha voz saindo mais rouca do que eu pretendia, meus dedos cravando-se nos ombros largos da sua camisa branca.
O sorriso que surgiu nos lábios dele foi puramente diabólico. Com um baque seco ele bateu uma garrafa de champanhe vintage na porta onde ele me mantinha cativa dos seus beijos, bem ao lado da minha cabeça.
- Você não abriu todas as garrafas! - Ele me encarou com o sorriso de quem sabia exatamente o que estava fazendo. - O que significa que você não tomou a sua dose.
Ele estava exibindo para mim a sexta garrafa que eu abrira com o golpe da faca no camarote e que ele fizera questão de carregar consigo como um troféu. Ele me tirou da porta e, enquanto me beijava como se pretendesse roubar o ar dos meus pulmões, ele me levou pela suíte luxuosa até a cama e me empurrou contra o colchão, o olhar azul intenso, carregado de uma intenção que me fez prender a respiração.
- Não se preocupe, hoje o nosso pacto será selado de outra forma.
Aquilo soou como uma promessa pela qual meu corpo imploraria. Ele jogou a garrafa ao meu lado na cama e com uma lentidão desesperadora, ele desfez os laços do meu corselet, como se tivesse todo o tempo do mundo enquanto o meu corpo parecia ser consumido por chamas.
- A Infernal pode até ser o seu domínio, Scarlat. - Ele sussurrou, a voz vibrando contra o meu abdômen enquanto ele se posicionava sobre mim e circulava o meu umbigo com a língua. - Mas aqui, quem dita as regras sou eu!
Ele ergueu a garrafa. O cristal verde escuro refletia a meia luz do quarto, enquanto ele lentamente ia abrindo a garrafa.
- O que você vai fazer, cavalheiro? - Eu arfei. A antecipação, a promessa, a tensão entre nós, tudo deixava o meu corpo como se estivesse em combustão.
- Vou matar a minha sede com o que o dinheiro não pode comprar! - Ele respondeu.
Inclinando a garrafa, ele deixou o líquido dourado e borbulhante escorrer em um fio gelado sobre o meu peito, traçando um caminho de gelo na minha pele aquecida. Era um choque de gelo que me fez arquear as costas, um contraste violento com o calor que emanava do corpo dele sobre o meu. O champanhe escorria, borbulhando entre meus seios, e a boca de Érick vinha logo atrás, resgatando cada gota com uma urgência que me fazia perder a coerência.
Nós estávamos além do desejo, era uma necessidade espelhada. O prazer que ele construiu no meu corpo desabou como uma avalanche que sai arrastando tudo o que encontra pela frente sem deixar pedra sobre pedra. E quando ele encontrou o próprio orgasmo eu senti seus dentes se cravando no meu ombro deliciosamente.
Por um momento nós ficamos imóveis, somente nossas respirações ofegantes sendo ouvidas, nossos corpos suados grudados e o sorriso dele crescendo no meu pescoço. Eu senti a língua dele deslizar, lenta e provocante, desde a minha clavícula até o meu ouvido ao mesmo tempo que o senti se retirar de dentro de mim, me deixando com aquele vazio que somente ele conseguia preencher e essa sensação de que era apenas ele me pegou de surpresa e me fez estremecer.
- Te machuquei? - A pergunta cuidadosa e gentil dele era um contraste com o homem dominante que tinha acabado de exaurir o meu corpo.
Minha resposta foi uma negativa com a cabeça, porque eu não conseguiria usar a voz naquele momento soando como Scarlat.
- Tem algo doce na sua pele hoje, misturado com o amargor do absinto que você usa... isso não estava na sua pele antes. - O sussurro dele foi como um lembrete e eu quase entrei em pânico.
O pânico gelou o calor que ainda restava no meu sangue. Aquele homem era inteligente demais e ele precisava esquecer a Scarlat. O problema é que eu não sabia como fazer isso trabalhando no Infernal. Manter aquela vida dupla não seria tão simples quanto eu imaginei.
- Ou talvez seja só coisa da minha cabeça. - Ele respirou fundo, como se quisesse sentir cada nota olfativa presente em minha pele.
A resposta dele a própria observação não me fez sentir mais confiante, apenas acalmou temporariamente o alarme que começava a despertar em mim. Ele me puxou para os seus braços, como se não quisesse nenhuma distância entre nós.

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