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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 17

"Lorena"

O som do trinco da porta da suíte ecoou como um veredito. Ali, naquele silêncio luxuoso e abafado, as batidas domeu coração pareciam ser controladas pela respiração pesada de Érick Albelini contra a minha nuca, enquanto sua mão afastava os fios da peruca do meu pescoço e ele beijava cada centímetro de pele que conseguia revelar no meu corpo.

Ele não esperou por convite ou aceitação. As suas mãos, as mesmas que me prenderam contra a pilastra da boate, agora me prendiam contra a madeira fria da porta com uma urgência que me tirava o juízo.

- Você achou mesmo que me devolver o dinheiro com um bilhetinho impresso seria a última palavra entre nós, Scarlat? Ou que me faria desistir jogando as notas em mim? - A voz dele era um rosnado baixo, vibrando contra a minha pele, enquanto seus lábios buscavam o ponto sensível logo abaixo da minha orelha. - Péssima notícia pra você, anfitriã, eu não desisto do que eu quero!

Eu arfei, tentando desesperadamente buscar uma resposta coerente em minha mente, mas era impossível com aqueles beijos provocantes, a voz sedutora e o calor do corpo dele atravessando o couro do meu corselet como se ele nem existisse.

- Eu não aceito devoluções. - Ele sussurrou, repetindo a frase do guardanapo enquanto suas mãos desciam possessivamente pelos meus quadris, apertando-me contra a evidência da sua excitação. - Você diz que o seu tempo nao está a venda, Scarlat, pois então, agora que me viciou no seu veneno, não pode negar sustentar o meu vício.

Ele me virou de frente com um movimento brusco, e o azul dos seus olhos, iluminados por um fraca luz indireta no quarto, estava obscurecido por um desejo intenso e selvagem que me fez tremer. Aquele homem não queria apenas prazer, ele queria rendição. Ele queria provar que, por baixo daquela peruca colorida e do cheiro amargo de absinto, eu queimava na mesma intensidade que ele.

- Pare de falar, cavalheiro, você me arrastou até aqui, então faça o meu tempo valer a pena, cada segundo. Cumpra a sua promessa de me queimar no seu fogo. - Eu o desafiei, minha voz saindo mais rouca do que eu pretendia, meus dedos cravando-se nos ombros largos da sua camisa branca.

O sorriso que surgiu nos lábios dele foi puramente diabólico. Com um baque seco ele bateu uma garrafa de champanhe vintage na porta onde ele me mantinha cativa dos seus beijos, bem ao lado da minha cabeça.

- Você não abriu todas as garrafas! - Ele me encarou com o sorriso de quem sabia exatamente o que estava fazendo. - O que significa que você não tomou a sua dose.

Ele estava exibindo para mim a sexta garrafa que eu abrira com o golpe da faca no camarote e que ele fizera questão de carregar consigo como um troféu. Ele me tirou da porta e, enquanto me beijava como se pretendesse roubar o ar dos meus pulmões, ele me levou pela suíte luxuosa até a cama e me empurrou contra o colchão, o olhar azul intenso, carregado de uma intenção que me fez prender a respiração.

- Não se preocupe, hoje o nosso pacto será selado de outra forma.

Aquilo soou como uma promessa pela qual meu corpo imploraria. Ele jogou a garrafa ao meu lado na cama e com uma lentidão desesperadora, ele desfez os laços do meu corselet, como se tivesse todo o tempo do mundo enquanto o meu corpo parecia ser consumido por chamas.

- A Infernal pode até ser o seu domínio, Scarlat. - Ele sussurrou, a voz vibrando contra o meu abdômen enquanto ele se posicionava sobre mim e circulava o meu umbigo com a língua. - Mas aqui, quem dita as regras sou eu!

Ele ergueu a garrafa. O cristal verde escuro refletia a meia luz do quarto, enquanto ele lentamente ia abrindo a garrafa.

- O que você vai fazer, cavalheiro? - Eu arfei. A antecipação, a promessa, a tensão entre nós, tudo deixava o meu corpo como se estivesse em combustão.

- Vou matar a minha sede com o que o dinheiro não pode comprar! - Ele respondeu.

Inclinando a garrafa, ele deixou o líquido dourado e borbulhante escorrer em um fio gelado sobre o meu peito, traçando um caminho de gelo na minha pele aquecida. Era um choque de gelo que me fez arquear as costas, um contraste violento com o calor que emanava do corpo dele sobre o meu. O champanhe escorria, borbulhando entre meus seios, e a boca de Érick vinha logo atrás, resgatando cada gota com uma urgência que me fazia perder a coerência.

Capítulo 17: O gosto da perdição 1

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