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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 161

"Marcelina"

Eu ainda conseguia sentir o nó na garganta do choro que engoli no apartamento do Julian ontem à noite. Aquele riquinho mimado. O que ele pensava? Que a vida era feita de brigadeiro? Ele esfregou na minha cara o motivo de eu nunca ter aceitado as investidas dele. Ele vivia naquele mundinho cheio de preconceito e que tratava pessoas como eu como seres inferiores.

Depois de falar com a Lorena, eu passei a manhã trancada no meu quarto na vila, encarando o teto, com o estômago revirado de medo de receber uma ligação da Lorena dizendo que o Albelini a havia escorraçado da vida dele por causa do fofoqueiro do Julian. Por mais que eu tivesse feito tudo para protegê-la, eu não sabia se o nosso anjo da guarda conseguiria enfiar na cabeça daquele engomadinho que o segredo era para o próprio bem do amigo dele.

Eu precisava saber notícias da Lorena e o silêncio do meu celular estava me matando lentamente. Para tentar não enlouquecer, decidi dar uma faxina na casa, eu precisava me ocupar ou iria parar naquela casa. Eu estava descalça, com um short jeans desfiado e uma camiseta velha amarrada na cintura, passando um pano úmido no chão da pequena sala, quando o som metálico de uma batida firme na porta me tirou dos meus pensamentos.

- Já vou, Dalvinha! - Eu joguei o pano no balde, caminhei até a porta e a puxei, esperando encontrar a Dalva do outro lado.

O ar faltou nos meus pulmões. O meu coração bateu no meu peito como a bateria de uma escola de samba.

Julian Beaumont estava parado na minha porta. Vestido com o seu terno impecável de alta costura, o cabelo perfeitamente alinhado e o relógio caro brilhando sob o sol da tarde da vila. Ele parecia um príncipe europeu que havia errado o caminho e caído direto no meio dos plebeus mais pobres. Mas os olhos dele não tinham nada de pacíficos como se esperava de um príncipe, eles exibiam a certeza de um carrasco prestes a executar a sentença de morte e me fez bater a porta na cara dele por puro instinto.

- É assim que você me recebe, Baby? Depois de todo o nosso lance? - O Julian abriu a porta, entrou e fechou a porta atrás de si, com uma ocnfiança irritante.

- Baby... - A minha voz falhou, mas recuperei o deboche para camuflar o pânico de que ele estivesse ali para dizer que havia acabado com a vida da Lorena. - O que é isso? Você estava entediado no seu castelinho e veio tentar humilhar os pobres de novo?

Ele deu um passo em minha direção, o maxilar travando.

- Eu nunca te humilhei, Marcelina. - Ele parou bem pertinho de mim, a voz baixa, firme, e com uma calmaria que me deixou em pânico.

- Nunca? - Eu dei um riso seco. - Esse é o seu ponto de vista. Sai da minha casa! Você não vai entrar na minha casa para fazer as suas ameaças, engomadinho! - Eu rebati, cruzando os braços, mantendo a cabeça erguida. - Se veio aqui para dizer que entregou a Lô para o Albelini, fala de uma vez e sai daqui. E não voltas mais.

- Você enlouqueceu, Julian? - Eu quase gritei, rindo de nervoso. - Eu? Secretária? Naquela mansão? Nem morta! Eu já te disse ontem, eu não pertenço ao mundo de vocês. Não vou me enfiar naquela casa para ser o brinquedo de luxo dosd amiguinhos do Albelini, enquanto você decide se vai ou não contar o nosso segredo para ele.

- Você não tem escolha, Marcelina. - O Julian apertou o braço na minha cintura e se inclinou ainda mais na minha direção, o rosto a centímetros do meu, a postura impositiva do homem que dita as regras me deixando completamente sem defesa. - Você vai aceitar esse emprego. Vai aceitar porque a Lorena precisa de você lá dentro para não desabar na frente do Érick. Vai aceitar porque quem está protegendo vocês te quer naquela casa. E vai aceitar porque eu quero você perto de mim.

- Você é um cretino arrogante... - Eu tringuei os dentes, o meu peito subindo e descendo, a química entre nós quase incendiando a minha sala de estar.

- Eu sou um homem prático, Baby. - Ele me corrigiu, com uma rouquidão na voz que fez a minha pele arrepiar inteira. Ele colocou o envelope no decote da minha camiseta, mordendo o lábio inferior, certamente se lembrando de quando eu era a Pandora, e tocou o meu queixo com o polegar, um toque rápido que me queimou como fogo. - Para de marra, Baby, você sente a química entre nós.

- Me solta, Julian. - A minha voz não saiu tão firme quanto eu gostaria, foi quase como se eu implorasse o contrário.

- Esquece essa baboseira de "mundos diferentes", Baby. Você vai trabalhar naquela mansão, vai apoiar a Lorena, e nós dois vamos terminar a conversa que começamos no meu apartamento. E não adianta fugir, porque eu conheço o segredo de vocês, eu tenho uma vantagem. Assina o papel, Marcelina. E faz a sua mala. Você vai sair daqui comigo hoje.

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