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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 162

"Marcelina"

Eu olhei para o envelope no meu decote. Eu estava furiosa, magoada, mas por trás de todo o ódio, havia um alívio imenso por saber que a Lorena estava salva. Eu peguei o envelope sentindo um frio na barriga por perceber que o Julian Beaumont tinha acabado de me puxar para o inferno dele e eu não tinha como recusar o convite.

- É, já que você não vai ser o dedo duro, vai ser bom estar perto da Lô. - Eu respondi.

Eu enfiei a mão no bolso interno do paletó dele, eu sabia que ele sempre tinha uma caneta ali, descobri isso na boate. Eu tirei a caneta muito lentamente, vendo as pupilas dele dilatarem. Tirei o contrato do envelope, abri as folhas e pressionei contra o peito dele. Tirando a tampa da caneta de ouro com a boca e assinando aqueles papéis sobre ele.

- Prontinho! Vou fazer a minha mala. - Eu respondi colocando os papéis no envelope e devolvendo a caneta ao lugar onde ele a guardava.

- Você nem leu. - Ele riu. - Poderia ser o nosso contrato de casamento.

- Você não chegaria a tanto!

Eu empurrei o envelope no peito dele e tentei afastá-lo, mas ele riu e segurou a minha nuca, pressionando os lábios nos meus pela primeira vez. Foi breve o suficiente para que eu não tivesse tempo de pensar, mas demorado o suficiente para que meus lábios ficassem formigando.

- Eu faria coisa pior, Baby! - Ele ameaçou ao afastar os lábios dos meus. - Agora arruma as suas coisas. Eu vou te esperar na casa da Dalva. Eu já sei que você não vai fugir. Só não demora e... coloca esse shortinho na mala. - Ele passou os dedos levemente pela minha perna.

Ele me soltou e se afastou, me deixando em choque no meio da sala. Abriu a porta, mas antes de sair se virou mais uma vez pra mim.

- E, Baby, chega de confraternizar com os felinos. Eu sou mais territorialista que o Albelini. - Ele avisou e deu as costas, deixando a porta aberta ao sair.

Eu fiquei parada no meio da sala por dois minutos inteiros, olhando para a porta aberta, com os dedos tocando os meus lábios que ainda formigavam. Aquele homem era um perigo para a minha sanidade. Ele me levaria ao paraíso e depois me atiraria no inferno.

Eu entrei no quarto pisando duro e joguei a mala em cima da cama, murmurando toda a minha irritação, enquanto socava os meus vestidos curtos, os shorts mais indecentes e biquínis minúsculos lá dentro. A minha mente era um turbilhão de confusão. Eu estava furiosa por ser encurralada, mas o alívio de saber que a Lorena estava segura me dava forças. E, lá no fundo, aquele frio na barriga que insistia em não ir embora, me lembrava de que eu esbarraria com o Julian Beaumont todos os dias.

Eu fechei o zíper da mala com força, respirei fundo e arrastei as minhas coisas para fora. Atravessei o corredor em direção à casa da Dalvinha, abri a porta e quase caí para trás.

O Julian estava sentado à mesa de madeira, completamente relaxado, com o paletó jogado no encosto da cadeira e as mangas da camisa branca dobradas. Ele comia um pedaço de bolo e ria de alguma fofoca que a Dalva contava enquanto passava mais café. Parecia um nativo da vila, e não o engomadinho que vivia em um castelinho.

- Ah, aí está a nossa secretária! - A Dalva exclamou com uma animação que parecia que eu tinha ganhado um prêmio, abrindo um sorriso largo. - O Julian estava me contando da oportunidade, Lina! Estou tão orgulhosa de você. Cuida bem da Lorena! Eu vou morrer de saudade de vocês duas.

Eu olhei para o Julian, que ergueu a xícara de café na minha direção, com um brilho de pura zombaria e vitória nos olhos.

- Pode deixar, Dalvinha. Eu vou cuidar muito bem da minha Baby também. - Ele garantiu.

- Quanta intimidade. - Eu estreitei os olhos e ele piscou para a Dalva. Aqueles dois estavam aprontando, eu tinha certeza.

- Vamos, Baby? O trânsito vai começar a ficar ruim. - Ele se levantou com aquela elegância irritante e pegou a minha mala antes que eu pudesse protestar.

Capítulo 161: Caos oficialmente instalado 1

Capítulo 161: Caos oficialmente instalado 2

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