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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 162

"Lorena"

Eu ainda estava tentando entender a reviravolta que a cabeça do Julian havia dado e porque ele não me denunciaria para o Érick, quando a Marcelina cruzou a porta com o chiclete estalando e fazendo a Adelaide derrubar a prataria no chão. Aquele foi o momento mais libertador do meu dia. O peso que estava esmagando o meu peito desde o bistrô evaporou em uma gargalhada que eu não consegui conter.

O Érick abraçou a Marcelina de lado, rindo alto da cara de tacho que a governanta tinha deixado para trás antes de se trancar na cozinha, enquanto o Julian colocava a mala da minha amiga no chão, ostentando aquele sorriso de satisfação de quem tinha executado o plano perfeito.

- Tá, agora solta, você já tem sua Fada, a Baby é minha. - O Julian se meteu entre o Érick e a Marcelina, afastando o amigo da garota.

- Não sei se o Andrey concorda com você. - O Érick provocou. - Alberto! - O Érick chamou e o motorista apareceu no hall segundos depois, com um semblante tranquilo que quase me fez esquecer que ele tinha me guardado na escada mais cedo. Eu precisava agradecê-lo. - Leve a mala da Srta. Marcelina para o quarto de hóspedes, o mesmo que ela ocupou antes. Agora será o quarto dela.

- Sim, Sr. Albelini. Seja bem-vinda, senhorita. - O Alberto respondeu, pegando a bagagem e trocando um olhar sutil com a Marcelina, um cumprimento silencioso de quem sabia exatamente o tamanho do incêndio que ela tinha vindo apagar.

- Obrigada, Beto! Vê se não erra o quarto, hein? Quero a vista para a piscina. - Ela piscou para ele e depois se virou para mim, me puxando pelos braços em direção à escadaria. - Albelini, vou roubar a sua Fada por dez minutos para reconhecer o meu novo território de trabalho. Licença.

- Toda, Tsunami. - O Érick riu, nos observando subir as escadas.

Olhei para trás por cima do ombro e vi o Julian caminhar com o Érick em direção ao escritório, conversando em voz baixa.

- Cadê a Lili, Lô? Adoro aquela pestinha! - A Marcelina perguntou.

- Ela foi com a avó tomar um sorvete, daqui a pouco as duas voltam. - Eu respondi, sentindo o alívio inundando as minhas veias.

- Nossa, a mãe do seu gostosão é classuda, né?! Bonitona!

- Ela é. E é uma pessoa muito boa, Lina. E ela ficou bem entusiasmada com a sua contratação, disse que você é muito autêntica. - Eu sorri, pensando naquela mulher que gratuitamente me tratava tão bem desde a primeira vez que me viu.

Mas no segundo em que entramos no quarto e a porta se fechou, o clima mudou. A pose de senhora do caos da Marcelina desmoronou. Ela jogou a bolsa na poltrona, me puxou para o closet, respirou fundo e me agarrou pelos ombros, os olhos espertos me revirando de cima a baixo.

- Lô, pelo amor de Deus, me conta tudo! - Ela sussurrou, a agonia estalando na voz. - O que o engomadinho de rostinho bonito fez com você? Como ele aceitou essa palhaçada de me contratar em vez de cuspir a verdade para o Albelini? Eu passei o caminho no carro tentando entender o que está acontecendo na cabeça daquele homem!

Eu me sentei na cadeira em frente a penteadeira, sentindo o resto do nervosismo das últimas horas se dissipar.

- No brinquedinho dele. - Eu comecei a rir, imaginando a cena.

- E ainda teve a cara de pau de perguntar se eu tinha goratado! - Ela respondeu indignada.

- E gostou, Lina? - Eu perguntei rindo.

- Até você, Lô?! Poxa! - Ela mordeu o lábio inferior. - Na verdade, não é nada mal, Lô, eu diria até que é bem acima da média. Mas não importa, nós dois, mundos diferentes, água e óleo, cão e gato. Ah, você entendeu. - Ela balançou a cabeça. - O fato é que ele jogou o nosso segredo como vantagem para vir pra cima de mim.

- E você aceitou só por minha causa? Não foi assim nem um pouquinho porque o engomadinho de rostinho bonito mexe com você? - Eu perguntei, segurando as mãos dela.

A Marcelina desviou o olhar por um segundo, o rosto ganhando um tom sutil de vermelho que ela tentou disfarçar limpando a garganta.

- Claro que foi por você, né? Alguém precisa segurar a barra com a bruxa irritante e te ajudar a chutar a bunda daqueles velhos do Conselho. Mas... - Ela se virou para o espelho, ajeitando o short desfiado com um sorriso maquiavélico. - Se o Sr. Beaumont acha que me tem nas mãos só porque descobriu a Pandora, ele vai descobrir que a Marcelina de terno e crachá j**a muito mais sujo. Ele quer guerra? Pois ele vai ter o inferno inteiro queimando aqui dentro.

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