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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 18

"Lorena"

Eu não dormi, apenas flutuei em um estado de exaustão vigilante, sentindo o peso do braço possessivo do Érick sobre o meu corpo, como se, mesmo inconsciente, quisesse garantir que eu não escapasse. O silêncio na suíte era denso, quebrado apenas pela respiração pesada de Erick ao meu lado.

A escuridão da noite começava a esmaecer, meus olhos se arregalaram e eu olhei para o relógio digital sobre a mesinha de cabeceira. Eram cinco e doze da manhã. Eu não precisava correr, eu precisava sair dali o quanto antes e voar. Eu tinha menos de duas horas para atravessar a cidade, chegar a casa da Dalva, me livrar da Scarlat, virar a Lorena e estar na residência Albelini às 07:00 em ponto como a babá perfeita e sem graça. O pânico tomou conta de mim e fez a adrenalina correr nas minhas veias.

Eu me levantei com a cautela de uma ladra, catando as minhas peças de roupa pelo carpete me vestindo de qualquer jeito enquanto o coração martelava na garganta, enquanto o champanhe seco na minha pele me lembrava que o corpo dele tinha marcado o meu.

Eu tirei do bolso interno da saia aquele envelope com o dinheiro, esse eu devolveria em grande estilo agora. Peguei o bloco de notas e a caneta do hotel e escrevi em uma letra que eu tentava desenhar diferente da minha: "Você continua não comprando o meu tempo. Mas foi uma grande última vez."

Eu coloquei a roupa dele sobre a cama e deixei o envelope sobre ela, observei o perfil dele na penumbra mais uma vez, o homem que me fez queimar de prazer era o mesmo que em poucas horas me encontraria cuidando da filha dele e tentando não me lembrar da boca dele no meu corpo... e de todo o resto também. Esse pensamento me fez morder o lábio inferior, mas eu não tinha tempo para apreciar a vista.

Com um clique suave da porta e uma corrida silenciosa pelo corredor do hotel. Eu alcancei a rua e parei o primeiro táxi que passou. O táxi voava pelas ruas desertas naquele horário, a cidade ainda estava começando a despertar.

Quando eu entrei no pátio do conjunto onde eu estava morando com a Dalva, eu dei de cara com a Marcelina.

- Já sei que você está com pressa. Eu vi o que aconteceu e trouxe as suas coisas da boate. - A Marcelina saiu me puxando pela escada.

- Eu preciso correr, o táxi está me esperando. - Eu falei baixinho e ao entrar na casa da Dalva com a minha cópia da chave.

Eu fui tirando o figurino da Scarlat, enquanto a Marcelina puxou a minha mala de debaixo do sofá e começou a me ajudar a tirar a maquiagem já toda borrada do rosto. O processo era brutal. Arrancar a maquiagem pesada da Scarlat era trabalhoso, era preciso esfregar o óleo de limpeza até a pele arder. Joguei a peruca colorida dentro da mala e corri para o chuveiro frio para despertar os sentidos e, principalmente, para tirar o cheiro de absinto, fumaça, champanhe e Erick Albelini da minha pele.

Saí de lá e mergulhei no hidratante de coco e açúcar, borrifando ao final o perfume com notas de coco pelo corpo. Vesti a calça de alfaiataria cinza e a camisa preta que a Marcelina havia separado para mim e finalizei prendendo o cabelo em um coque tão firme que repuxava minhas têmporas.

Olhei no espelho: a Scarlat tinha sumido. Mas a posse de Érick Albelini aparecia numa mancha vermelha logo abaixo a orelha, do mesmo jeito que os meus lábios ainda estavam inchados e meus olhos carregavam o brilho do inferno daquele homem.

Graças a ajuda Marcelina, eu cheguei ao meu novo trabalho às 06:52, entrando pelos fundos como uma sombra, mas dando de cara com a Adelaide me esperando na porta do meu quarto.

- É, pontual. - Ela expirou com certa decepção ao olhar o relógio. - Seu uniforme ainda não chegou, deixe suas coisas e vá para a cozinha, o motorista já deve estar chegando com a menina da casa da avó, conforme as recomendações do Sr. Albelini.

Eu apenas concordei com a cabeça e entrei no quarto, respirei fundo e me olhei mais uma vez no espelho de corpo inteiro. A maquiagem que eu fiz no táxi estava boa e tinha escondido a marca que o meu predador deixou no meu pescoço. Às 07:05, eu estava na cozinha, ouvindo a Alice contar da noite com a avó quando ouvi o som de um carro entrando na garagem.

Meus dedos tremeram ao redor da xícara de café. Instantes depois o Erick entrou na cozinha, ele ainda usava a camisa branca da noite anterior, que agora amassada e com uma notável mancha de maquiagem preta e vermelha no ombro, a prova do crime estampada nele diante de mim, um lembrete da minha mentira. Os primeiros botões estavam abertos e os cabelos levemente desalinhados. Ele exalava a noite que tínhamos dividido na suíte daquele hotel.

Capítulo 18: A fuga 1

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