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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 176

"Lorena"

O Simão olhava de mim para a Marcelina. Ele estava pronto para chamar a segurança, ou pelo menos tentar. Mas ele também estava curioso, ele precisava saber o que tinha feito a Marcelina e eu invadirmos a sala dele com tamanha audácia.

- O que vocês pensam que... - Os olhos do Simão pareciam injetados de tanta raiva.

- Nós sabemos sobre a conta no exterior que você usa para desviar os bônus que deveriam ir para as ações da sua mulher. Que feio, Simão! - Eu me sentei na cadeira em frente a mesa.

- E sabemos daquele apartamentinho discreto pago com o fundo de previdência privado do Grupo Albelini que você usa para encontrar a sua "respeitável amante". - A Marcelina soltou. - O pai dela é seu amigo, não é?! Cara, isso não foi legal.

- Ah, claro, nós sabemos da sua "respeitável amante" também. Esse mês vocês vão comemorar o quê?! Lina, você sabe qual boda se comemora com vinte anos de casamento? - Eu perguntei cinicamente, vendo o Simão compreender que estava lidando com um ataque nuclear.

- Não tenho ideia, Lô. Mas amante comemora bodas? - A Marcelina me perguntrou com aquele tom debochado.

- Ah, Lina, com vinte anos de união feliz e um filho pra criar, ela tem direito até a passar o natal com o garanhão aí. - Eu respondi vendo o Simão perder a cor. - Quer que eu continue ou o seu coração de sessenta e poucos anos não vai aguentar o tranco, Simãozinho?

- Isso é mentira! Vocês não têm provas de nada! - Ele esbravejou, mas a mão que segurava o telefone começou a tremer de forma patética. O homem se achava corajoso o suficiente para enfrentar o Érick, mas se tremia inteiro quando a amante era mencionada.

- Tem razão, Simão, é mentira. Vocês não têm um filho para criar. - Eu sorri e o Simão pareceu voltar a respirar. - O filho já está criado e prontinho para assumir os negócios do papai, coisa que o mais velho não vai fazer porque está em alguma festinha rave em outro país se acabando com sexo, drogas e música eletrônica.

- É, Simãozinho, o caçula é um prodígio. - A Marcelina sorriu.

- O-o q-qu-que vo... - Ele passou a mão pelo rosto e limpou a garganta. - Vocês estão loucas. Não têm prova de nada desses absurdos que dizem.

- Simãozinho, eu não preciso de provas. - Eu me inclinei sonbre a mesa de um jeito que o fez recuar. - Eu só preciso de cinco minutos com a sua esposa no telefone. Ela gostou de mim, não gostou? Eu sei que ela gostou. Nós tivemos uma conversa tão agradável no toalete. Sabia que ela está apenas esperando um motivo para te tirar tudo? Nerm ela te suporta.

- Isso é mentira! - Ele esbravejou e eu sorri, voltando a me recostar na cadeira.

- Pode ser que sim, pode ser que não... disso eu não tenho provas, mas de todo o resto... - Eu abri a pasta que estava na minha mão e comecei a jogar sobre a mesa: fotos, extratos bancários, escritura do apartamento e por último o teste de DNA.

- Como vocês conseguiram isso? - Ele falou baixo, afrouxando a gravata, a respiração irregular.

- O Érick vai me pagar por isso... - Ele sussurrou com a voz embargada de fúria, olhando para o papel de cessão de direitos e venda das ações.

- Deixa o meu Albelini fora disso, Simão. Ele não sabe de nada. Isso é um negócio entre nós. - Eu menti com total frieza. - Assina o contrato. Finge que ainda está no comando até a reunião de quarta-feira. Depois disso, pegue o seu dinheiro de tabela e diga para a sua esposa que você decidiu aproveitar a vida com ela. Acredite, ela vai apreciar o seu gesto. E nunca mais respire perto da minha família. Entendeu, Simão?

Com os dedos trêmulos e o maxilar travado de puro ódio, o Simão abriu a caneta e pousou sobre o papel, hesitando por um segundo. O som da assinatura dele no papel foi o golpe final. A serpente tinha sido oficialmente decapitada.

Eu peguei a prancheta de volta, conferindo a assinatura com um aceno satisfeito para a Marcelina, que se levantou da cadeira dele ajeitando o terninho.

- Foi um prazer fazer negócios com você, Simãozinho. - Marcelina debochou. - Ah, quase esqueci. - Ela abriu a bolsa enorme que estava usando e tirou de dentro duas garrafas de champanhe, pousando ambas sobre a mesinha em frente ao Simão. - Trouxe duas para você, assim você toma uma com cada mulher para comemorar a aposentaria. - A Marcelina disparou e mandou um beijo no ar.

Nós batemos a porta de madeira maciça atrás de nós. O corredor da diretoria continuava deserto. Eu olhei para a Marcelina e nós duas soltamos o ar ao mesmo tempo, sentindo a descarga de adrenalina diminuir. O único problema no Conselho agora era o novo socio. Mas o Érick tinha o controle quase total de volta.

Ao olhar para o final do corredor, eu vi o Julian parado perto do elevador com os braços cruzados e um sorriso convencido. Um calafrio estranho subiu pela minha espinha. O Simão tinha assinado. O perigo imediato tinha passado. Mas as palavras do Simão ficaram na minha cabeça: "Eu vou revirar o seu passado até encontrar o esgoto de onde você saiu!" Eu ainda tinha uma batalha para enfrentar: contar ao Érick a verdade.

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