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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 186

"Lorena"

Quando o Érick e eu nos sentamos à mesa esta manhã a Marcelina já estava lá, de cabeça baixa, encarando a xícara de café como se a interrogasse, e totalmente silenciosa. Havia algo de errado com a minha amiga e eu entrei em alerta.

Ao meu lado, o Érick observava a rela do tablet como se estivesse completamente absorvido pelo que lia, alheio ao silêncio incomum ao redor da mesa desde que a Marcelina chegou nesta casa.

- Você está aérea, Fada. - O Érick se debruçou em minha direção, sua mão pousando sobre o meu joelho. - Ainda pensando em como encontrar o meu novo sócio ou em como me acalmar hoje mais tarde? - Um pequeno sorriso surgiu no canto da sua boca.

Mas antes que eu pudesse responder, o som de passos firmes se aproximando e um "bom dia" que contrastava com o clima de silêncio profundo daquela sala. O Julian entrou, exalando vivacidade.

Ele usava um terno cinza sob medida, a gravata verde esmeralda perfeitamente alinhada, mas seus olhos carregavam as olheiras discretas de quem passou a madrugada em claro. Ainda assim, a postura dele era de pura vitória. O Baby exalava a confiança perigosa de um homem que havia acabado de atingir o topo do mundo.

O Julian contornou a mesa, mas não se sentou na sua cadeira habitual. Ele caminhou direto até a lateral da cadeira de Marcelina.

Em um movimento rápido, atrevido e totalmente impositivo, ele espalmou a mão na cintura dela, puxando-a para cima com força, forçando o corpo dela contra o seu. Os olhos dele pareciam penetrá-la. A Marcelina soltou um suspiro curto de surpresa, mas não recuou. Não o afastou. Não virou o rosto.

- Bom dia, Baby! - O Julian tinha a voz carregada de segundas intenções. - Onde está o meu beijo de bom dia?

O silêncio desabou sobre a mesa. Eu paralisei com a xícara no ar. Os olhos do Érick se estreitaram imediatamente e ele soltou o tablet sobre a mesa para encarar o melhor amigo com uma curiosidade afiada. O Érick sabia ler Julian como ninguém. Assim como eu sabia ler a Marcelina. E nós dois percebemos a mudança de dinâmica ali. Até a Adelaide estreitou os olhos para a novidade.

O Julian inclinou o rosto e capturou os lábios de Marcelina em um beijo profundo o suficiente para deixar claro as novas regras entre eles. Quando eles se afastaram, os olhos do Julian brilhavam com uma satisfação vitoriosa. A Marcelina deu um pequeno sorriso, sustentando o olhar dele. Delicadamente ele a deslizou pelo corpo, a ajudando a se sentar, contrastando com a forma abrupta como ele a ergueu.

- O que foi isso, Beaumont? - A voz do Érick veio grave, cortando o silêncio. Um meio sorriso satisfeito se desenhava no seu rosto. - Finalmente entendeu que deveria parar de latir e morder de verdade?

Eu olhei entre do Julian para Marcelina, procurando uma resposta. Aquilo não parecia apenas sedução. A Marcelina não cederia assim, tão facilmente, ela estava determinada a mantê-lo a um braço de distância para evitar danos colaterais, como ela mesma dizia. E o que aconteceu ali me pareceu muito mais como um acordo do que ela desistindo de lutar contra o que sentia.

- Eu sempre mordo, Albelini. Mas diferente de você, eu escolho o momento certo. - O Julian respondeu, com aquela pitada de provocação. Ele se sentou na cadeira ao lado de Marcelina, servindo-se de café sem pressa, a postura de quem tinha o mundo sob controle. - Digamos que algumas negociações noturnas rendem cláusulas contratuais muito mais... satisfatórias.

A Marcelina soltou uma risada, curta e ácida, recuperando uma fração do seu habitual tom abusado.

Capítulo 186: A primeira fatura: o beijo de bom dia 1

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