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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 187

"Lorena"

As peças se encaixaram com uma clareza dolorosa na minha mente. O beijo na mesa. O sorriso vitorioso do Julian. A rendição da Marcelina.

- Você se entregou por mim? - A minha voz embargou, a culpa me sufocando. - Marcelina, não! Você não podia ter feito um acordo com aquele idiota por minha causa! O Julian vai... ele vai cobrar.

- E eu vou pagar. - A Marcelina respondeu com um meio sorriso. - Ah, qual é, Lô? Você sabe melhor do que eu que resistir pra sempre a esse tipo de homem é impossível. Você tentou resistir ao Albelini e não deu muito certo. Como vc acha que eu vou resistir estando debaixo do mesmo teto que ele?

- Não deu nada certo. - Eu dei um pequeno sorriso. - Olha como eu estou agora.

- Tudo isso vai se resolver, Lô. Já o Baby, ele não vai desistir e eu cansei de fugir dele de qualquer forma. Ele achou que estava me cobrando uma tarifa cara, mas ele só me deu o empurrão que faltava para eu cair na rede dele. Isso ia acontecer de qualquer jeito. Você sabe...

- Você gosta dele. - Eu completei.

- É... não devia. E eu sei que isso não vai terminar bem. Mas o que importa é que o seu segredo está protegido por mais alguns dias até você poder contar para o Érick. E a partir de hoje à noite... a minha porta está aberta para o Baby. - Ela deu de ombros. - Se eu vou me ferrar, pelo menos eu vou provar aquele engomadinho gostoso.

- Fácil assim, Lina? - Eu a encarei preocupada.

- Claro que não! - Ela riu. - Se o meu engomadinho acha que vai se divertir comigo por um tempo e depois seguir em frente... ele está enganado. Ele pode até me deixar pra trás toda quebrada, mas ele também não vai sair ileso disso. Se ele me quer agora, eu vou deixá-lo completamente viciado em mim. - O sorriso dela ficou maior. - E vou me divertir no meio disso. Enquanto ele tem o que quer a noite, eu testo a paciência dele durante o dia.

- Lina, vê lá o que você vai aprontar. - Eu avisei, sabendo que a minha amiga tinha uma estratégia que deixaria o Julian entre arrancar os cabelos de nervoso e se ajoelhar para ela.

- Não se preocupa, Lô. Eu sei exatamente até onde puxar a corda. - Ela deu um sorrisinho atrevido.

- Obrigada, Lina. Por me proteger e me ajudar desde que entrou na minha vida.

Eu a abracei com força. A lealdade da Marcelina era um oceano profundo, mas eu não podia ignorar que o preço que o Julian cobrou tinha mudado o destino dela para sempre. Ela pensava que seria temporário, mas o que eu vi nos olhos do Julian era algo permanente. Nossos braços se soltaram devagar. A Marcelina estava pronta para enlouquecer o Julian.

Duas batidas firmes na porta do quarto cortaram o silêncio entre nós.

- Lorena? - A voz grave do Érick atravessou a madeira e chegou aos meus ouvidos. - Precisamos dos seus olhos de águia, Fada. O Andrey trouxe mais papéis. Venha, Fada. Você tem trabalho de contadora hoje.

Eu engoli em seco. Enquanto o Érick e a Marcelina estavam levando aquilo como piada, eu estava preocupada com o que ainda estava por vir.

Nós entramos no escritório e a atmosfera mudou no mesmo instante. O cômodo estava inundado pela luz da manhã, com pastas e relatórios espalhados em todo canto. O Andrey estava em um canto, muito concentrado, revisando arquivos no tablet, enquanto o Julian estava sentado à mesa com um notebook aberto.

Assim que entramos, os olhos do Julian se voltaram para a Marcelina e um sorrisinho convencido surgiu no rosto dele. Ele afastou a cadeira da mesa e se recostou como um rei, esperando que a Marcelina fosse até ele. A Marcelina não se intimidou. Ela deu início à sua estratégia de guerra. Ela não ia mesmo facilitar a vida dele.

Ela parou exatamente ao lado da cadeira onde o Julian estava sentado. Fingindo olhar um dos relatórios, ela se inclinou sobre a mesa ao lado dele. O movimento fez a saia curta do seu uniforme customizado subir o limite exato do perigo, beirando a indecência.

O Julian tinha a visão perfeita das pernas dela. Ele travou na mesma hora, os olhos descendo como brasas pelo corpo da minha amiga. Ele estava pronto para se aproximar dela e dizer uma provocação possessiva e arrogante em seu ouvido. Mas ele foi lento.

A Marcelina se virou de frente para ele, mantendo o corpo inclinado, ficando cara a cara com ele, mas lhe dando uma bela visão do seu decote. O Julian engoliu em seco como um garoto inexperiente. Sem tirar os olhos dos dele, ela levou a mão até a gravata. Para quem olhava de longe, parecia um gesto íntimo de carinho. Mas, com a ponta dos dedos como se fossem garras, ela puxou o nó da gravata para cima com força, sufocando o Julian por um segundo e forçando o rostinho bonito dele até ficar a milímetros do dela.

Antes que ele pudesse esboçar qualquer reação ou segurar a sua cintura, ela inclinou a cabeça e colou os lábios no pescoço dele, logo abaixo da linha do maxilar. Não foi um beijo. Foi uma mordida. Uma mordida firme e intencional. Ela simplesmente o marcou.

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