"Lorena"
O Julian soltou um gemido baixo, a respiração ficou pesada. Os nós dos dedos dele ficaram brancos fechados em punhos sobre as pernas. Ele claramente estava lutando para não perder a compostura e agarrar a Marcelina ali mesmo, na frente de todos.
- Acho que a sua gravata estava torta, Baby. - A Marcelina sussurrou contra a pele dele, a voz carregada de um deboche sensual.
Ela se ergueu com um sorriso tão convencido quanto o que o Julian tinha quando entramos, deixando o Julian estático, com o maxilar travado e uma marca vermelha e pulsante bem visível no pescoço, destruindo completamente a pose de seriedade corporativa dele.
O maxilar do Julian travou na mesma hora. O sorrisinho de vitória sumiu, substituído por uma expressão de choque e fúria contida. Mas o Julian também não deixava barato. Ele agarrou o pulso dela e a puxou para o seu colo. Os olhos dela se arregalaram quando ela caiu sentada sobre ele.
- Faz outra gracinha dessa e eu te arrasto para o meu quarto e rasgo o resto desse uniformezinho. - O Julian a encarou por um segundo. - E você vai gostar!
O Érick soltou uma gargalhada alta e estrondosa que ecoou por todo o escritório.
- É, Beaumont, parece que o seu investimento vem com juros altos! - O Érick zombou, cruzando os braços.
- Você escolheu o cara errado, Tentação. - O Andrey largou o tablet. - Esse aí vai latir até te deixar com dor de cabeça e depois vai dormir.
- Pode chorar, Felino. Mas a Baby é minha! - O Julian se vangloriou. - E você, Baby, nosso contrato acabou de ganhar uma cláusula de prevenção de danos.
- O contrato já está assinado, Baby, você não pode acrescentar mais nenhuma cláusula. - A Marcelina piscou, vitoriosa, saiu do colo do Julian e foi se sentar ao lado do Andrey, deixando o Julian inquieto.
A comédia, porém, durou pouco. O Érick me puxou para a cadeira ao seu lado e o trabalho começou. Enquanto o Érick e o Andrey trabalhavam para manter o Grupo Albedlini em ordem, o Julian, a Marcelina e eu estávamos procurando um alfinete em meio a todos aqueles números para descobrir quem era o sócio que estava tirando o sono do Érick. Mas uma parte de mim continuava em pânico, pressentindo que o perigo ainda nos rondava.
No fim da manhã, o Érick e o Andrey foram para uma reunião na empresa com os auditores que estavam verificando o estrago que o Conselho destituído deixou para trás.
Assim que eles saíram, eu fui até o Julian. Ele estava no corredor do escritório perto da vidraça de uma janela, ajeitando o colarinho para tentar esconder a marca da mordida enquanto digitava furiosamente no celular. Eu caminhei até ele e o puxei pela manga do terno para o canto mais afastado.
- Julian. - Eu chamei em um sussurro urgente. - O que você conseguiu sobre o relatório telefônico da Adelaide?
O Julian guardou o aparelho no bolso. O rosto se tornou sério.
- Os meus contatos cruzaram as torres. Além da Verônica a Adelaide falou apenas com mais um número pré-pago registrado em um CPF falso. Ela fez duas ligações ontem. A localização da torre é próxima ao escritório do investigador do Simão. Ela ligou para ele, Lolô. E eu já neutralizei o investigador e mandei um recadinho para o Simão.
Eu paralisei, sentindo um arrepio gélido.
- Ela ligou para o detetive do Simão? - Eu perguntei, minha mente funcionando rápido. - Julian... isso é muito estranho.
- Claro que não, Lolô. O Simão quer vingança, mas ele sabe que não pode mover as engrenagens com as próprias mãos. Ele organizou tudo e entregou para a Adelaide a missão de acender o pavio da bomba. - O Julian tinha uma certeza que não me convenceu. - Mas o assunto está morto e enterrado. Eu interceptei o investigador antes que ele repassasse as informações.
- Não, você não está entendendo. - Eu contestei, estreitando os olhos. - Se o Simão arquitetou tudo, ele iria querer ver o resultado do serviço. Por que ele permitiria que uma funcionária passasse a sua frente? O esperado seria ele mandar entregar a ela as informações, através da Verônica. É muito estranho que a própria governanta, de dentro da casa, ligue direto para o celular do detetive do Simão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite