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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 190

"Érick"

A primeira coisa que senti ao acordar, antes mesmo de abrir os olhos, foi o calor do corpo da Lorena contra o meu. Ela dormia profundamente, com a respiração calma de quem se sentia protegida e em paz. Eu passei a ponta dos dedos pelo rosto dela, admirando a beleza da mulher que havia iluminado a minha vida. Ela era o meu único ponto de calmaria no meio do mar agitado que a minha empresa estava atravessando. Elas era a minha Fada que realizava desejos.

Eu me afastei com cuidado para não acordá-la, ainda era muito cedo. Eu tomei um banho e troquei de roupa, mas antes de sair do quarto eu parei ao lado da cama e a observei, deitada de bruços, seus cabelos castanhos espalhados pelos travesseiros e as suas costas expostas. A pele clara, sem nenhuma marca, em constraste com os fios castanhos. Era uma imagem sexy e parecia me convidar a voltar para a cama.

Eu estiquei a mão para tocá-la, mas recuei para não acordá-la. Com um sorriso eu me virei em direção à porta e quando segurei a maçaneta, uma estranha sensação de deja vu me atingiu. Meus pensamentos me jogaram para uma lembrança de meses atrás, algo que havia acontecido antes da minha Fada. Eu respirei fundo e balancei a cabeça, tentando me livrar daquele fantasma.

Eu não entendia porque a lembrança daquela mulher me assombrava tanto. Eu estava feliz, eu amava a Lorena, mas eu não conseguia apagar da minha lembvrança aquela capetinha que me fazia atravessar o inferno por ela e desapareceu como fumaça.

Eu saí do quarto me recriminando por pensar em outra mulher, pior ainda, por me lembrar dela através da Lorena. Eu precisava transformar isso em esquecimento. A Lorena merecia mais, não merecia que eu pensasse em outra, ainda que fosse uma lembrança invountária. O corredor estava mergulhado no silêncio, só os meus pensamentos faziam barulho. Mas a calmaria terminou assim que cheguei ao topo da escada e vi quem me esperava no final dela.

A Adelaide estava parada ali. Parada como uma sentinela. Ela não usava o uniforme de governanta. Vestia roupas comuns e segurava uma bolsa contra o corpo como se protegesse um tesouro. Mas o que me fez parar e chamou a minha atenção foi a postura dela. Os tiques nervosos tinham sumido. O olhar baixo e submisso foi substituído por uma expressão sádica, fria e desafiadora. Uma expressão que não pertencia a uma funcionária da minha mãe. Eu desci as escadas intrigado.

- Bom dia, Menino Érick. - Ela disse, a voz saindo limpa, sem gaguejar. Um sorriso no rosto que me fez arrepiar.

- Eu não sou um menino, Adelaide. - Eu falei em tom de repreensão.

- Oraz, eu te conheci ainda menino. - Ela ampliou o sorriso e eu lancei a ela um olha frio e reprovador. Mas ela não se abalou, limpou a garganta e continuou. - O senhor acordou cedo. Que bom. Vai ter mais tempo para arrumar as malas daquela vagabunda que o senhor colocou dentro desta casa.

Meus olhos se estreitaram imediatamente. Eu dei um passo à frente, uma raiva assassina transbordando do meu corpo, o maxilar tão travado que meus dentes rangeram.

- Meça as suas palavras dentro da minha casa, Adelaide, ou eu faço você engolir cada uma delas antes que você consiga se desculpar. - Eu rosnei, a voz descendo para um tom mais sombrio.

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