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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 200

"Érick"

O whisky se tornou o meu melhor amigo nos últimos dias. Ele não conseguia matar o amor que eu sentia por aquela traidora, mas anestesiava o resto de humanidade que ainda restava em mim. Quando eu consegui juntar os cacos do meu coração no chão da minha casa no riacho e voltar para a mansão, eu já não era mais o mesmo homem. Por fora, eu era uma pedra de gelo. Indestrutível. Inalcançável. Inabalável. Mas por dentro... por dentro o meu coração ainda estava estraçalhado, sangrando e eu sentia uma dor que parecia ser humanamente impossível de suportar.

Eu passava as noites trancado no quarto de hóspedes e os dias no meu escritório na empresa ou nas salas de reunião, vestido como se estivesse de luto. E eu estava, um luto permanente. O luto da minha alma havia virado o meu uniforme corporativo. Eu gerenciava relatórios, assinava contratos e ignorava a existência do mundo fora do corporativo. Eu tinha uma empresa para proteger e uma filha para criar e era nisso que eu estava focado nos últimos dias. O resto era barulho, um barulho ensurdecedor dentro de mim que eu tentava ignorar.

Na manhã de sexta feira, eu estava em frente ao espelho dando o nó na gravata, quando uma batida na porta desviou a minha atenção.

- Entra. - Eu respondi e o Alberto abriu a porta.

- Sr. Albelini, eu mudei para este quarto as suas coisas como o senhor pediu. - A voz do Alberto parecia cautelosa. Ele segurava uma prancheta de relatórios domésticos. - Mas... as coisas da Senhorita Lorena continuam intactas no closet. Ela também deixou o cartão de crédito, as joias, enfim... tudo o que o senhor comprou para ela ficou para trás. Acho que o senhor deveria guardar o cartão de crédito, senhor. E eu gostaria de saber o que devo fazer com todo o resto, se eu devo...

- Eu não quero saber daquelas porcarias, Alberto. - Eu interrompi, a minha voz descendo para um tom gélido e cortante. Dei um passo na direção dele, como um cão raivoso. - Não cite o nome daquela mulher na minha frente. Se você tocar no assunto do que ela deixou ou deixou de deixar aqui dentro mais uma vez, eu coloco você no olho da rua antes do anoitecer. Fui claro?

O motorista me encarou em silêncio. Seus olhos carregavam uma profunda tristeza e decepção, mas ele apenas abaixou a cabeça, engolindo a minha ameaça.

- Sim, senhor. Não se fala mais nisso.

Eu peguei o cartão das mãos dele e virei as costas, ignorando o peso na consciência. Ameaçar o Alberto, o homem mais leal da casa, mostrava o quanto eu estava no meu limite. Eu estava quebrando as minhas próprias estruturas para não desabar. Ela tinha deixado tudo... mas ela não ia me comover com esse teatro. Eu me virei de volta para o Alberto que estava no meu encalço.

- Faça melhor, Alberto, junte todo o resto, inclusive as jóias e leve para aquela mulher. Você sabe onde encontrá-la, não sabe?

- Sim, senhor.

- Ótimo! Suma até com o menor fio de cabelo dela da minha casa. Leve tudo e entregue a ela. Diga que é tudo o quer ela conseguiu de mim. - Cada uma das minhas palavras estava carregada de raiva e de dor. Eu mandava ele sumir com tudo, mas essa decisão tornou o meu sofrimento ainda maior, como se tornasse tudo ainda mais real. Eu me virei em direção a porta outra vez.

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