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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 21

"Lorena"

Entrei no meu quarto e fechei a porta, encostando as costas na madeira enquanto tentava recuperar o fôlego. Joguei as caixas sobre a cama como se fossem bombas prestes a explodir. Depois de andar de um lado para o outro por um minuto, com as mãos trêmulas, tirei a blusa de gola alta e encarei o espelho. A marca no meu pescoço já estava arroxeada, a marca inconteste de que Érick Albelini possuiu o meu corpo na noite anterior. Era uma confissão de culpa. E quanto mais eu olhava, mais aquela marca brilhava, como se uma seta neon a apontasse ali.

Onde aquele homem estava com a cabeça quando resolveu que isso seria o meu uniforme? Era um completo absurdo! Com aquele vestido azul, eu não seria mais uma babá invisível. Eu estaria praticamente em uma vitrine. Ele não estava apenas mudando o meu uniforme, ele estava me despindo de todos os meus escudos.

No entanto, era o que eu tinha para o momento, eu não tinha escolha. Abri a caixa e tirei o vestido azul marinho. O toque do algodão egípcio era um insulto à minha situação financeira, mas a beleza do corte era inegável, a delicadeza dos botões de madrepérola eram um toque sofisticado e discreto.

- Droga, Erick! - Eu sussurrei, sentindo as lágrimas de frustração pinicarem os meus olhos.

Eu sequei os olhos, não podia me derreter em desespero e corretivo. Abri a minha mala e comecei a tirar as coisas de lá e guardar no armário o mais rápido e organizado que consegui. Depois, peguei a bolsa de maquiagem e tirei de lá o meu novo melhor amigo, o corretivo de alta cobertura que eu usava para esconder olheiras, e comecei a batucar sobre a mancha. Camada sobre camada, até que o roxo sumisse sob uma perfeição artificial.

Depois de reafazer toda a maquiagem era hora de colocar o vestido azul. O vestido abraçava minha cintura com uma precisão que me fazia sentir exposta, mesmo sendo extremamente elegante com um comprimento sóbrio na altura dos joelhos, aquele vestido parecia uma peça para seduzir. Um alarme dentro de mim soava alto, isso não ia funcionar.

Me lembrei da ordem dele para prender o cabelo de um jeito que eu não parecesse uma torturadora. Logo hoje que eu ainda não tinha tido tempo para lavar os cabelos e ainda havia neles um resquício de absinto. Mas Érick Albelini não aceitaria que sua ordem fosse descumprida.

Soltei o coque. Meus cabelos castanhos caíram em ondas pelos ombros, aliviando a pressão nas têmporas, mas aumentando o meu pânico. Decidi por um semipreso, puxando apenas as laterais para trás com um prendedor discreto, deixando o restante livre para cair sobre o meu ombro esquerdo, o lado da marca. Até que não era ruim, era um disfarce, complementava a maquiagem. Eu só não sabia o que a Adelaide ia dizer disso.

Uma batida leve na porta me tirou dos meus devaneios com um sobressalto. Então uma voz doce flutuou do outro lado.

- Lorena? Posso entrar? - A voz da Alice soprou como uma brisa no meu rosto e me fez sorrir. Aquela garotinha apareceu no momento certo, ela era esperta e apontaria qualquer coisa fora do lugar.

Abri um sorriso e destravei o trinco. A menina entrou saltitante, mas parou no meio do quarto, boquiaberta.

- Nooossaaaa! Você parece... uma princesa de filme, Lorena! O papai que deu? - Ela se aproximou, os olhinhos azuis brilhando de curiosidade. Ela esticou a mãozinha curiosa e passou os dedos sobre o tecido.

- Sim, esse é o meu uniforme. É com ele que eu vou te acompanhar para todos os lugares. O que você acha? - Eu perguntei e me movi para que ela observasse e seus olhinhos brilharam.

- Esse vestido não parece uniforme. - Ela sorriu. - As outras babás usavam um conjunto cinza feio de calça e paletó de gola alta.

Eu senti inveja das outras babás. Eu queria um conjunto cinza feio de calça e paletó de gola alta. Por que aquele homem estava fazendo isso comigo?

- Não dá para jogar futebol de vestido. - Ela concluiu decepcionada.

- Ah, não se preocupe! Eu trouxe calças e camisetas. Quando o seu pai não estiver em casa a gente pode jogar escondido da Adelaide, porque você sabe, ela exige o uniforme. - Eu falei em tom conspiratório e a pequena riu concordando.

- Eu gosto mais do seu cabelo assim. Aquele coque que você estava usando é coisa de avó e você não é avó. - Ela me fez rir com a sua onservação infantil. - E o seu rosto está diferente. O que é esse brilhinho aqui no seu pescoço?

Capítulo 21: Você não colocou cor 1

Capítulo 21: Você não colocou cor 2

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