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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 22

"Érick"

Eu tinha percebido a Alice descer as escadas e caminhar em direção ao corredor que dava para os quartos dos funcionarios, com certeza estava indo atrás da babá, mas elas estavam demorando e eu estava bastante curioso para ver como a Srta. Valente tinha ficado com o novo "uniforme".

Eu chamei o Julian e nós caminhamos juntos pelo corredor, ouvindo a voz estridente da Adelaide ecoar pelas paredes. A governanta estava perdendo o controle, e o motivo estava parado bem à minha frente, encolhido contra a porta do quarto como um animalzinho assustado e encurralado. Lorena!

No momento em que meus olhos a encontraram, o ar pareceu fugir dos meus pulmões. O vestido azul marinho que eu escolhi moldava as curvas dela com uma precisão que me fez amaldiçoar a minha própria audácia. Eu nem tinha percebido que a babá tinha curvas até aquele momento. Ela não era mais uma sombra, ela era um raio de sol. O cabelo solto, caindo em ondas pelos ombros, dava a ela uma aura de vulnerabilidade que contrastava violentamente com a cor em seu rosto.

Enquanto a Adelaide faiscava de desaprovação, eu percorri a imagem daquela mulher em cada detalhe. Eu pude ver o leve tremor nos ombros da babá quando ouviu a minha voz e a forma como ela evitou o meu olhar, uma das mãos segurando a Alice protetoramente atrás de si. Ela parecia uma criança pega em flagrante ou uma espiã cujo disfarce acabara de ser rasgado.

- O que está acontecendo aqui, Adelaide? - Minha voz saiu alta, claramente reprovadora, e o efeito foi instantâneo.

- Uma desordem, senhor. Parece que a nova babá não segue as regras. Eu fui absolutamente clara sobre como ela deveria se portar, dei instruções precisas sobre o cabelo, a maquiagem... e essa roupa é... - A Adelaide se empertigou, arfava tentando recuperar a dignidade.

- Essa roupa é o novo uniforme, Adelaide. Foi escolha minha. E eu dei as ordens sobre o cabelo e sobre como ela deve se portar também. - Eu cortei a tentiva de explicação da Adelaide com a voz baixa e carregada da autoridade que ninguém naquela casa ousava questionar.

Eu dei um passo à frente, ficando entre as duas e conscientemente invadindo o espaço pessoal da Lorena. O cheiro de coco e açúcar mascavo da babá me atingiu em cheio, mas havia algo mais... o rastro de nervosismo que a deixava ainda mais magnética, aquela postura de quem está prestes a ser exposta.

Eu a observei meticulosamente. O blush nas bochechas dava um ar corado, como se ela tivesse corrido, era quase rosa demais, a boca exibia um tom de vermelho morango translúcido que brilhava com a menor incidência de luz... e então, meu olhar travou na curva do pescoço dela, onde o cabelo se movia levemente e era possível perceber a pulsação acelerada revelada com um pequeno brilho de maquiagem que parecia querer esconder algo.

- A Srta. Valente está exatamente como eu pedi. - Eu declarei, sem desviar os olhos dos dela. - Alice, leve o Tio Julian para a sala. Eu preciso dar as últimas instruções para a sua babá e a Adelaide.

Nenhum dos dois disse absolutamente nada, apenas seguiram a minha sugestão. Eu fiquei a sós com uma Srta. Valente assustada e uma Adelaide lívida.

- Adelaide, eu vou te dizer omesmo que disse a Srta. Valente. Eu não quero que as pessoas pensem que a babá da minha filha se parece uma torturadora, uma mulher inflexível. Ademais, a Srta. Valente é muito qualificada e assumirá as questões da escola da Alice comigo, ela precisa estar apresentável. Entendeu?

A governanta respondeu com um leve aceno de cabeça, mas com os olhos focados na babá demonstrando todo o seu descontentamento.

- Senhor, eu só tento fazer o meu trabalho e manter a ordem nesse casa. - A governante me respondeu firmemente.

- A Srta. Valente tem um status diferente dos demais funcionários, Adelaide. Ou você não percebeu como a minha filha se conectou com ela? - Com essa pergunta a Adelaide abaixou a cabeça, parecendo finalmente compreender algo. - Pode ir, Adelaide. Eu assumo daqui.

A governanta saiu bufando, ela tinha entendido o recado, mas odiava perder o controle de algo. O silêncio que restou no corredor era tão denso que eu quase podia ouvir o coração da Srta. Valente martelando. Essa mulher não ia se acalmar? Eu me inclinei, reduzindo a distância entre nós até que o calor do meu corpo a envolvesse.

- Você parece aterrorizada, Lorena. - Eu sussurrei, observando o brilho de pânico em seus olhos castanhos. - O que foi? Tem medo de que o bicho-papão finalmente tenha decidido morder?

Eu sorri com a minha própria piada, mas o alarme nos olhos dela me fez recuar um pouco, só o suficiente para observá-la. Ela engoliu em seco, a garganta dela se movendo delicadamente naquele pescoço que eu tinha vontade de tocar.

Capítulo 22: Eu dei as ordens 1

Capítulo 22: Eu dei as ordens 2

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