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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 218

"Érick"

Saí do banho batendo os dentes de frio, mas o meu corpo continuava queimando por dentro. Como uma febre violenta que nada parecia poder controlar. Eu me tranquei, fiquei debaixo do chuveiro gelado até o frio se infiltrar em meus ossos. Mas eu asinda não tinha congelado. Eu ainda não conseguia parar. A minha cabeça estava numa espiral de loucura, as palavras sendo repetidas dentro na minha mente: "o inferno certo para os seus demônios". E não era só isso, aquele quarto parecia estar exalando o cheiro doce dela. Eu estava intoxicado.

O relógio na cabeceira da cama marcou nove da noite. Faltava uma hora. E eu ainda teria que resistir a noite inteira. Eu precisava, mas eu não consegui evitar. A batalha contra o meu próprio orgulho foi perdida e eu soltei um gemido de puro desespero. Eu fui até o closet, vesti um paletó e calcei os sapatos, eu estava indo caçar, eu estava indo atrás da única coisa capaz de conter o meu desespero. Destranquei a porta do quarto e desci as escadas com passos estrondosos.

- Érick! Você não desceu para o jantar, quer que eu prepare algo para você... - Eu passei pela minha mãe na sala de estar e fui direto para o escritório, batendo a porta para que ela soubesse que era melhor não vir atrás de mim.

Assim que entrei eu fechei a porta e a passos largos eu alcancei o fundo falso da estante que escondia o cofre, coloquei o segredo e tirei de lá uma boa soma de dinheiro. Mas antes que eu fechasse, um envelope pardo que eu sequer me lembrava da existência chamou a minha atenção como se tivesse se acendido em neon. O envelope da disputa que eu travei com aquela mulher tantos meses antes. Claro que naquela época ela recusou tudo o que eu dei, ela estava de olho em algo bem maior. Mas esta noite, ela aceitaria. Ela já estava desmascarada e se estava precisando tanto quanto o Andrey disse, não recusaria nenhuma migalha que eu atirasse a ela.

Depois de pegar o envelope e fechar o cofre eu saí do escritório decidido. Eu tive que rir de mim mesmo. Decidido não era a palavra. Decisões são tomadas quando se tem opções. Mas eu nem tinha escolha, eu ia satisfazer um maldito vício que eu não conseguia ignorar, mas seria pela última vez.

- Érick, o que está acontecendo? - A minha mãe perguntou quando eu passei por ela na sala, mas eu não disse nada, apenas passei. A Dona Heloísa se levantou do sofá e veio atrás de mim. - Érick? Aonde você vai assim? Erick?

Eu não parei os passos. Eu não respondi. Ignorei o chamado dela por completo, cruzando a porta da frente sem olhar para trás e deixando que batesse nas minhas costas.

- Érick Albelini! - Ela abriu a porta e gritou mais alto, mas eu já estava dentro do carro e saí cantando pneus.

A minha sanidade havia sido aniquilada no momento em que o Andrey falou o nome daquela mulher esta manhã. Não era justo que eu amargasse todo esse inferno sozinho, eu ia arrastá-la comigo para o mesmo lugar em que eu estava sendo torturado cruelmente. Eu estava indo direto para a boate e ela ia queimar comigo esta noite.

Assim que eu entrei na boate, o Andrey e o Beaumont entraram atrás de mim. O que eles estavam fazendo ali? Esles tinham estado lá na noite anterior.

- Ah, que maravilha! Uma noite como antigamente, nós três enchendo a cara. - O Andrey falou ao bater no meu ombro.

- Eu não bebo com traidores, Andrey, e você está acompanhado de um. - Eu respondi e vi o Beaumont revirar os olhos de irritação.

- Senhores! - A voz do Barão atrás de nós me fez virar. - Como nos velhos tempos. Estão com sorte, o Trono ainda está liberado, mas não por muito tempo, eu tenho ofertas.

- Foda-se, Barão! Eu cubro. Coloque o preço que quiser nessa porra. - O Beaumont respondeu furioso atrás de mim, mas o Barão abriu um grande sorriso, tirou uma caderneta e uma caneta do bolso do paletó, anotou e apresentou a ele um valor exorbitante. - Fechado! Se quiser ver a sua capetinha, vai ter que beber comigo esta noite, Albelini!

- Inclua uma garrafa de absinto. - Eu respondi e entreguei o meu cartão de crédito para ele.

- Precisa da sua via? - Ele perguntou com aquele cinismo depois de concluir a operação do pagamento.

- Enfia no...

- Melhor não estragarmos a nossa amizade, Albelini. - Ele advertiu com um sorriso sarcástico e chamou um segurança. - Acompanhe o cavalheiro até o camarote privado no corredor do meu escritório e fique na porta. Só a Scarlat entra lá.

Eu subi as escadas atrás do segurança e ignorei completamente o Andrey e o Beaumont me encarando na porta do Trono. Era melhor os dois não se meterem nos meus assuntos.

Eu entrei naquela sala, ali onde ninguém poderia nos ver ou nos ouvir, onde uma vez ela me seduziu e me entregou o seu corpo... não, quem se entregava era a Lorena, a Scarlat dominava! Aquele lugar estava exatamente igual, enquanto eu... eu era outro homem. Um homem consumido pela dor de uma traição, uma mentira sórdida! Um homem que foi iludido de que poderia tocar o céu, só para ser atirado a um inferno ainda pior do que o que vivia antes.

Eu caí em tentação. Eu estava outra vez ali, porque eu era um homem na fissura pela sua droga, um viciado que precisava do veneno daquela maldita mulher. Mas esta seria a última vez!

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