"Lorena"
Ele não esperou mais nenhuma palavra.
A distância entre nós dois evaporou antes que o próximo acorde de "Incancellabile" pudesse preencher o silêncio sufocante. A fúria territorial e a dor da traição que nos dilaceravam há um mês implodiram, transformando-se em uma fissura incontrolável e violenta pela droga que éramos um para o outro.
O Érick segurou a minha nuca com força selvagem, os dedos cravando-se nos cachos longos da peruca vermelha, e capturou os meus lábios em um beijo devastador, faminto e violento. A língua dele invadiu a minha boca com a agressividade de quem toma de volta o que é seu, no mesmo momento em que a faca entre as nossas mãos foi jogada ao chão.
Eu soltei um gemido abafado contra a boca dele, os meus braços subindo pelo seu pescoço, devolvendo o beijo com a mesma intensidade desesperada, cedendo por completo ao fogo que estava nos queimando vivos. Mas era mais que necessidade, era saudade, era... amor.
Nossas respirações duelavam na penumbra daquele camarote. Ele desceu os beijos molhados e brutos pelo meu maxilar, mordiscando a minha pele, me provando e deixando marcas intencionais logo abaixo da minha orelha que gritariam para o mundo que eu era apenas dele, enquanto as suas mãos tiravam o espartilho do meu corpo com pressa e desespero e eu empurrava o paletó dele pelos ombros quase o rasgando.
Eu já havia cedido por completo ao fogo que estava nos queimando vivos. O ódio e o orgulho se transformaram em combustíveis para uma paixão que não podíamos resistir. O Érick me prensou com mais força contra o veludo da parede, os beijos descendo brutos pelo meu pescoço, enquanto eu puxei a sua camisa com força, arrancando os botões e expondo a pele dele para mim. Também não havia delicadeza nos meus gestos.
- Lorena... - Ele rosnou, a voz rouca, os dedos afundando em minha pele, me lembrando do toque dele.
Ele me arrastou para o sofá de couro preto sem quebrar o contato dos nossos lábios. Minhas costas colidiram contra o couro frio e o seu corpo quente pairou sobre o meu. A minha calcinha foi rasgada enquanto eu me atrapalhava para abrir a sua calça. A necessidade de contato nos consumia. Os olhos dele brilhavam de desejo, eu precisava dele, mas ele também precisava de mim. No segundo seguinte ele estava inteiro dentro de mim com um gemido gutural.
- Por que, Lorena? - Ele rosnou no meu ouvido, enterrado no meu corpo, antes de se mover.
- Érick, você precisa me ouvir. - Eu supliquei.
- Por que você mentiu pra mim? - As palavras dele saíram carregadas de dor.
- Érick, eu não... - Mas ele não me deixou terminar. Seus lábrios tomaram os meus outra vez e enquanto sua língua ocupava a minha boca, o seu corpo de movia sobre mim com a precisão de quem conhecia o caminho de olhos fechados.
O ritmo imposto por ele foi intenso, movido por uma necessidade primitiva de preencher o vazio que nos esmagava e a distancia imposta que estava nos destruindo. Cada estocada era profunda e enlouquecedora.
- Ah, Lorena... o que você fez comigo? - Ele sussurrou entre gemidos e beijos. Suas mãos deslizando pelo meu corpo como se quisesse se lembrar de cada detalhe. - Você se disfarçou de fada, mas você é uma bruxa... uma bruxa que me enfeitiçou.
Eu pisquei devagar, a peruca vermelha desalinhada e a maquiagem no meu rosto borrada pelas lágrimas. O Érick se levantou do sofá abruptamente, virando as costas para mim. O corpo dele, que segundos antes ardia contra o meu, agora exalava uma frieza dolorosa.
- Érick, você precisa me ouvir. - Eu me sentei no sofá, sentindo o frio atingir a minha pele.
Ele ajeitou a calça, pegou a camisa escura do chão e vestiu, assim como o paletó, com movimentos mecânicos, perfeitamente alinhados, sem me dar um único olhar.
- Eu não quero ouvir as suas mentiras. - Ele respondeu cortante como uma lâmina. - Não foi por isso que eu vim nesse antro decadente.
A necessidade possessiva havia sido saciada, deixando em seu lugar apenas o orgulho ferido. Ele não queria me ouvir, ele continuaria se agarrando aquela mentira cruel que nos separava.
- Foi um belo show, Scarlat. - Ele falou, a voz saindo num tom linear, gélido, desprovido de qualquer resquício do homem que havia acabado de me possuir com desespero. Ele se virou para mim, os olhos azuis voltando a parecer duas esferas de vidro sem alma. - Você realmente sabe como valorizar o preço que cobra.
Aquelas palavras foram como um soco que me atirou no chão. Eu me encolhi no sofá, abraçando o meu corpo, tentando me esconder, sentindo uma vergonha e uma dor que rasgaram o resto da minha dignidade. Não adiantava tentar falar, ele não ia ouvir. Mas ele estava disposto a me deixar dilacerada.

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