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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 223

"Érick"

Eu ainda não tinha dormido. Desde que voltei da boate eu me tranquei no escritório me afogando na minha própria destruição enquanto o peso que eu sentia no peito se transformava em lágrimas. Eu estava acompanhado pela camisa que ela rasgou, as marcas que deixou no meu corpo, o seu cheiro impregnado na minha pele... um maldito perfume novo, doce e amargo ao mesmo tempo, como se junta-se a meiguice de uma com a dominância da outra, era a medida perfeita que tornava aquela mulher ainda mais magnética e fascinante.

Pela manhã, sem ter pregado os olhos, eu tomei a minha dose matinal de vodka na vã tentiva de me entorpecer daquala dor. A vodka já nem queimava mais, mas o gosto amargo do absinto da noite anterior continuava queimando no meu peito com a dor de ter sido traído, enganado, feito de idiota pela única mulher que eu amei. Porra! Eu ainda amava aquela mulher com loucura.

Eu estava jogado no sofá, de olhos fechados, quando ouvi a porta abrir e ergui a cabeça. O Andrey entrou. O rosto dele estava severo, os olhos denunciando um cansaço e uma fúria contida que eu raramente via no meu amigo. Sem dizer uma única palavra, ele caminhou até mim e atirou no meu peito o envelope pardo amassado e o maço de dinheiro que eu havia deixado na boate.

- Ela mandou devolver, Albelini. - O Andrey desferiu, a voz mansa, mas acusatória. Ele me encarou com uma severidade brutal, os dentes trincados. - A Lorena mandou te dizer para enfiar cada um desses centavos no rabo... e que você não vai comprá-la e nem transformá-la em puta. E que disse que você nunca mais colocará as mãos nela.

O meu maxilar travou com tanta força que os músculos da minha face pulsaram. Senti o meu peito latejar. A humilhação não a tinha dobrado, assim como não tinha diminuído a minha dor, pelo contrário. Ela havia cuspido a humilhação de volta na minha cara. E tudo o que eu consegui foi a certeza de que eu amava aquela mulher, não importava o que ela era, mas eu não conseguia esquecer e perdoar.

- Você passou do ponto, Érick! - O Andrey continuou, ajeitando a gravata com um gesto ríspido. - O Julian ficou furioso. A Lorena estava armada com uma faca, peitou o segurança do Trono e desabou em frangalhos no colo da Marcelina. Você a destruiu, Albelini. E o Julian mandou te avisar que você perdeu o juízo de vez.

- Chega, Andrey!

- Chega porra nenhuma! - Ele gritou na minha cara. - Olha pra você. Está desesperado e não quer ouvir a mulher que ama. A mulher que te ama. Caralho, Érick, você não pode ser tão cego... tão burro! Você tinha a felicidade nas mãos e jogou fora.

- Eu não a amo. - Eu menti para o meu amigo, mas estava tentando mentir para mim mesmo.

- Ah, não? Então você não vai se importar se eu for atrás dela agora e tentar conquistá-la? - Ele parou e cruzou os braços na minha frente.

- Não ouse! - Eu me levantei, ficando cara a cara com ele. Ele riu.

- Isso é porque você não a ama? Idiota! Você é louco por ela! E deveria parar de se fazer de ofendido. A verdade mesmo Albelini é que você nunca foi enganado, você sempre soube que edra ela... lembra como você me proibiu de ir atrás da Scarlet? Lembra como você ficava furioso e possessivo, mesmo estando com a Lorena? No seu íntimo, Albelini, você sempre soube. A verdade sempre esteve no seu coração!

A Maria apareceu apressada em silêncio absoluto. A funcionária nova, com aquela postura firme e o nariz elevado de quem não se intimidava com os meus demônios, olhou para a cena da Alice no colo do Andrey. Antes de pegar a minha filha, a Maria fixou os olhos nos meus, e a desaprovação nítida no olhar dela me fez sentir o homem mais miserável daquela sala.

- Vem, florzinha, eu vou arrumar o seu cabelo e te deixar bem linda para você ir para a escola. - A Maria pegou a Alice no colo.

- Maria, diga a D. Heloísa e ao Alberto que eu vou levar a Alice hoje. - O Andrey avisou e a Maria se retirou, então ele se virou para mim. - Você não vê o sofrimento da sua filha?

- Você não vai levá-la até aquela mulher. - Eu avisei.

- Não vou, embora vontade não me falte, eu respeito a sua autoridade de pai. Mas eu vou levá-la para tomar o café da manhã com o Julian e você não vai impedir isso. Você, mesmo sendo o pai, não tem o direito de tirar toda a rede de afeto e segurança dessa menina. - O tom do Andrey era de puro desagrado. ele estava furioso comigo. Ele se virou para sair, mas quando chegou a porta me olhou outra vez. - Tire a sua cabeça do seu rabo! Você está matando a si mesmo, mas também está matando a Lorena e a Alice de tristeza. E quer saber? Eu vou proteger a Alice, já que o pai dela parece que não se preocupa com o sofrimento dela.

O Andrey me lançou um último olhar atônito, virou as costas e saiu. Eu fiquei estático, encarando o envelope amassado e o maço de dinheiro sobre o sofá. Eu estava oficialmente isolado. Trancado na minha própria soberba.

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